"Ela Não é Mais a Mesma: A Vingança Silenciosa da Ex-Mulher" Capítulo 1
Clarice finalmente decidiu se divorciar.
Após cinco anos de casamento, todos a invejavam por ser supostamente mimada pelo marido e por ter um filho inteligente e adorável. Mas apenas ela sabia que o marido nunca havia esquecido seu primeiro amor. Até mesmo o filho, que ela quase morreu para dar à luz, mal podia esperar para substituí-la por outra mãe.
Clarice escolheu deixá-los livres. O marido e o filho, cujos corações ela nunca conseguiu aquecer, não seriam mais problema dela.
"Pá... pá-pá..."
O som dos fogos de artifício lá fora a trouxe de volta à realidade. Ela acariciou o acordo de divórcio em suas mãos, pegou a caneta e assinou seu nome lentamente. Hoje era a véspera de Ano Novo, mas o marido e o filho não haviam voltado.
Nesse momento, Ricardo enviou uma mensagem: "Estou com clientes. Deixei o Luanzinho com a secretária por um tempo. Depois do jantar, vou levá-lo para ver os fogos. Durma cedo, não precisa esperar por nós."
Clarice curvou os lábios em um sorriso irônico. Que tipo de cliente Ricardo estava acompanhando? E com quem ele levaria o pequeno Luan para ver os fogos? Ela não precisava perguntar nem investigar; tinha certeza de que pai e filho estavam com Melissa.
Clarice olhou para o enorme retrato de família na sala. Ricardo segurava o filho e abraçava sua cintura. Pai e filho beijavam seu rosto e sua testa. Ela transbordava felicidade, o menino ria alegremente e até Ricardo, sempre sério, parecia gentil. Para qualquer um, pareciam a imagem da família perfeita.
Mas tudo mudou quando Melissa voltou.
Assim que os fogos explodiram no céu, seu celular vibrou com um vídeo. Melissa filmava as costas de Ricardo e Luan. O anel de diamante no dedo de Melissa brilhava intensamente. Os três gritaram juntos: "Feliz Ano Novo!"
O homem se virou, com os olhos cheios de ternura, e sussurrou para Melissa: "De agora em diante, ano após ano, não vou mais perder isso."
Tal doçura nunca existira para Clarice. Mesmo nos momentos de maior intimidade, Ricardo apenas lhe dava um beijo frio na testa e um seco "obrigado". Ela sentia que ele era como uma pedra, impossível de aquecer. Somente ao ver Melissa é que percebeu que ele era uma rocha que guardava todo o seu calor apenas para aquela mulher.
Clarice fechou o vídeo e, enquanto o último fogo de artifício caía, enviou uma mensagem para Ricardo: "Volte cedo. Amanhã cedo temos que visitar o túmulo dos seus pais."
Seria a última vez que cumpriria seu dever com os sogros. Em um mês, seriam estranhos. Esse casamento ridículo e unilateral precisava acabar.
Algum tempo depois, a porta se abriu. Ricardo pareceu surpreso ao ver Clarice na sala e, ao notar a mesa cheia de comida, não demonstrou nenhuma reação.
"Estragar o feriado dos outros é um azar danado", resmungou uma voz infantil e descontente.
Luan entrou, chutando os sapatos para todos os lados propositalmente. Clarice não conteve o aviso: "Está tarde, faça menos barulho."
Ele ficou ainda mais irritado e gritou: "Você não manda em mim! Sua bruxa velha!" Olhando para a mão direita dela, fez uma expressão de nojo: "Bruxa de apenas três dedos!"
A mão direita de Clarice encolheu-se bruscamente, os dedos trêmulos pela ausência do anelar e do mindinho. Embora estivesse decidida a deixá-los, a maldade da criança ainda atingia seu coração. Por um momento, sentiu que não conseguia respirar.
E Ricardo, do início ao fim, não fez nada para impedi-lo. Deixou que o filho, por quem Clarice quase dera a vida, a insultasse.
Luan bateu a porta do quarto com força. Só então Ricardo caminhou lentamente e disse, em tom de reprovação: "Hoje é feriado, está todo mundo comemorando. Quem se importa com um pouco de barulho? Você exagera demais, por isso o Luanzinho não gosta de você."
Clarice soltou um riso de escárnio: "E se os vizinhos forem como eu, sozinhos em plena véspera de Ano Novo, querendo dormir cedo?"
Suas palavras fizeram Ricardo hesitar. Ao olhar para a comida na mesa, um breve lampejo de culpa passou por seu rosto.
Ela continuou, apática: "Quanto ao Luan... não é porque alguém vive falando mal de mim na frente dele, ensinando-o a me odiar?"
O homem parou abruptamente. A culpa desapareceu, dando lugar a uma expressão severa: "Você está falando da Mel?"
"Eu voltei para casa por pura consideração, para não te deixar sozinha, e é assim que você me agradece?"
Clarice olhou para a fúria dele e achou a cena patética. Sem dizer uma palavra, ela se virou, pegou o acordo assinado e foi para o seu "quarto", que também era o closet. Luan não permitia que ela dormisse em nenhum outro cômodo da casa, e Ricardo cedia à vontade do filho. Aquele closet cheio de roupas era seu último refúgio.
Ao fechar a porta, ouviu o som de pratos sendo quebrados do lado de fora. Clarice trancou a porta com o rosto frio, agindo como se não tivesse ouvido nada. Ela não iria mais mimá-los. Afinal, não tinha motivos para tolerar estranhos infinitamente.
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