"Ela Foi Embora, e o Amanhã Parou" Capítulo 11
Faltavam apenas dez minutos para o início da cerimônia.
Ricardo vasculhou cada canto do salão e dos bastidores, mas não encontrou sinal da família Cavalcanti. Seu sexto sentido gritava que o Sr. Cavalcanti, sua esposa e, principalmente, Cecília, não apareceriam naquele casamento.
Assim que esse pensamento tomou forma, o coração de Ricardo, já frenético, saltou contra o peito. Uma mistura de irritação insuportável e pavor começou a consumi-lo. Ele pegou o celular, alternando obsessivamente entre a lista de contatos e as mensagens, o rosto transbordando ansiedade.
Alguns minutos depois, o padrinho o avisou que era hora de se posicionar. Tomando uma decisão súbita, ele caminhou em direção ao altar enquanto discava o número do Sr. Cavalcanti.
Após alguns toques, ouviu uma voz vibrante e amigável do outro lado:
— Rico! Você não está prestes a se casar agora? Por que ligar para este velho a uma hora dessas?
Ao fundo, Ricardo ouviu o som rítmico e incessante das ondas do mar. Seu mundo desabou. Ele forçou um sorriso trêmulo na voz:
— Sim... é por isso mesmo. Queria saber se o senhor e a tia não viriam para a cerimônia.
— Ah, sinto muito, Rico. Estamos viajando em família, não poderemos comparecer. Desejamos a você e à Isadora um casamento maravilhoso e uma vida longa e feliz juntos.
Eram palavras de benção, mas soaram como veneno nos ouvidos de Ricardo. Ele olhou para o relógio e disse algo que nem ele mesmo conseguia processar:
— Tudo bem. Vocês estão na praia, certo? Se pegarem o carro agora, talvez ainda consigam chegar para o final da festa.
Houve um silêncio prolongado do outro lado, seguido pela voz atônita do Sr. Cavalcanti:
— Rico... nós estamos em Barcelona. Seus pais não te contaram...?
Ao ouvir o nome "Barcelona", Ricardo estancou.
Espanha?
O que os Cavalcanti estão fazendo na Espanha?
O que os meus pais deveriam ter me contado?
Uma enxurrada de dúvidas borbulhou em sua mente, obliterando qualquer pensamento sobre o casamento. Ele deu meia-volta, ignorando o protocolo, e agarrou os pais nos bastidores com uma urgência sem precedentes.
— Pai, Mãe! O Sr. Cavalcanti disse que eles estão na Espanha. Vocês não avisaram a eles que eu me casaria hoje?
O casal Almeida trocou olhares de pura confusão.
— O Sr. Cavalcanti imigrou para a Espanha há um mês, Rico. Você ainda não sabia disso? Achei que a Ceci tivesse te contado.
A palavra "imigrou" explodiu como uma bomba no cérebro de Ricardo. Ele jamais imaginou que eles iriam embora para sempre. E que isso tinha acontecido há um mês!
Sem entender o choque do filho, os pais começaram a empurrá-lo em direção ao salão, resmungando:
— O casamento vai começar agora! Não fique aí parado. Nada é mais importante que o seu casamento hoje. Resolveremos isso depois.
O rosto de Ricardo empalideceu vários tons. Ele não ouvia mais nada. Com as mãos trêmulas, ele ergueu o celular, ouvindo o Sr. Cavalcanti repetir "alô, alô". Como quem se agarra a uma última esperança, ele implorou:
— Tio, a Ceci está aí? Pode passar para ela? Eu preciso falar com ela.
Após um ruído de interferência, Ricardo ouviu a voz de Cecília, gélida e cortante:
— Se tiver algo para dizer, diga logo. Se não, vou desligar.
Nesse exato momento, a voz do mestre de cerimônias ecoou pelos alto-falantes, atravessando as portas do salão:
— E agora, com vocês... recebam o nosso noivo!
Ricardo não se mexeu. Seu universo havia se reduzido àquela voz ao telefone.
— Eu estou me casando hoje — disse ele, a voz falha.
— Meus parabéns. Algo mais? — respondeu ela.
A indiferença glacial de Cecília despertou a fúria latente de Ricardo. Ele gritou ao telefone, ignorando os convidados que o esperavam:
— Eu disse que estou me casando! Você ficou surda?!
O mestre de cerimônias repetiu o anúncio. Seus pais o pressionavam fisicamente para entrar. Ricardo permaneceu imóvel, ouvindo o riso seco e desdenhoso de Cecília do outro lado da linha.
— E o que eu tenho a ver com isso? Ricardo Almeida, de agora em diante, cada um segue o seu caminho. E que nunca mais cruzemos o rastro um do outro nesta vida.
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