"Nunca Mais Serei a Esposa Invisível" Capítulo 10
Depois disso, Gabriel e Mel tornaram-se frequentadores assíduos da livraria.
Quase todo final de semana, eles passavam uma ou duas horas no local.
Mel sempre se sentava quietinha no pequeno sofá de canto, absorta em seus livros ilustrados; Gabriel, por sua vez, escolhia alguma obra especializada de medicina e lia em silêncio ao lado dela.
Às vezes, Clarice preparava um bule de chá de flores para eles. Gabriel sempre agradecia educadamente, enquanto Mel dizia "obrigada, tia" com uma voz doce antes de voltar a mergulhar na leitura.
Em um sábado ensolarado, Gabriel sugeriu levar Mel ao parque de diversões.
"Venha conosco", convidou ele, ajustando os óculos com sinceridade. "A Mel não para de dizer que queria ir com você."
Clarice pensou em recusar, mas ao ver o olhar de expectativa da menina, seu coração amoleceu.
O parque estava fervilhando de gente. Mel corria de um lado para o outro, animada, segurando a mão de Gabriel à esquerda e a de Clarice à direita.
Andaram no carrossel, brincaram no carrinho de bate-bate e enfrentaram a fila para a roda-gigante.
Quando a roda-gigante atingiu o ponto mais alto, Mel apontou subitamente para as nuvens distantes: "Minha mamãe mora ali."
O coração de Clarice apertou.
Gabriel abraçou Mel gentilmente e disse em voz baixa: "A mamãe está olhando por você lá do céu, Melzinha. Ela quer que você seja feliz todos os dias."
Mel assentiu e, de repente, virou-se para Clarice: "Você pode ser a minha nova mamãe?"
O ar pareceu congelar instantaneamente.
Clarice não soube o que responder. Gabriel apressou-se em intervir: "Mel, não diga bobagens."
"Não é bobagem!", o rostinho de Mel ficou vermelho. "Eu gosto dela! E ela também gosta de mim, não é?"
Clarice olhou para a expressão obstinada da menina e lembrou-se de Alice por um breve momento — ela também era assim, uma vez que colocava algo na cabeça, insistia até o fim.
"Eu gosto muito de você, Melzinha", disse ela suavemente. "Mas uma mãe é única, ninguém pode substituí-la."
Mel pareceu compreender vagamente, assentiu e voltou a se aconchegar nos braços de Gabriel.
No caminho de volta, Mel adormeceu no banco de trás. Gabriel dirigia, lançando olhares ocasionais para Clarice pelo retrovisor.
"Obrigado por acompanhá-la hoje", disse ele em voz baixa. "Faz tempo que ela não ficava tão feliz."
Clarice balançou a cabeça: "Eu também me diverti muito."
Pela janela, o pôr do sol tingia as nuvens de um dourado avermelhado deslumbrante. Clarice ergueu a mão para cobrir a luz e a manga deslizou, revelando uma cicatriz no pulso.
O olhar de Gabriel pousou naquela marca por um segundo e desviou-se rapidamente. No entanto, durante o restante do trajeto, ele permaneceu com o cenho levemente franzido.
Uma semana depois, Gabriel foi sozinho à livraria trazendo uma garrafa térmica.
"É um chá relaxante que eu mesmo preparei", disse ele, entregando a garrafa para Clarice. "Talvez ajude você a dormir melhor."
Clarice ficou atônita e perguntou hesitante: "Como você sabe que eu não durmo bem?"
Embora tivesse deixado aquele lugar para trás, parecia que nunca esqueceria o passado. Em inúmeras noites, ela ainda despertava de pesadelos.
Gabriel ajustou os óculos; seus olhos por trás das lentes eram calorosos e perspicazes:
"Esqueceu que eu sou médico? Na verdade, você pode me pedir ajuda para qualquer coisa... Acho que agora já somos bons amigos, não somos?"
Clarice puxou a manga instintivamente para cobrir o pulso.
"Desculpe, eu não deveria ter perguntado", apressou-se Gabriel em dizer. "É que... como médico, e também como amigo, espero que você cuide bem de si mesma."
Clarice silenciou por um instante e, finalmente, sorriu com os olhos brilhando: "Entendido. Obrigada pelo chá."
"Se algum dia eu realmente precisar, com certeza pedirei sua ajuda, fique tranquilo."
A partir de então, Gabriel passou a vir com mais frequência, às vezes com Mel, às vezes sozinho.
Sempre trazia algum detalhe — um ramalhete de flores do campo, uma caixa de biscoitos artesanais ou uma nova mistura de chá.
Clarice foi se acostumando com aquela companhia. Às vezes, observando Gabriel e Mel lendo na livraria, ela sentia que aquela era a vida que sempre desejara: simples, calma e cheia de afeto.
Em uma noite chuvosa, enquanto Clarice organizava as estantes, o sino da porta tocou.
Gabriel estava do lado de fora, completamente encharcado, carregando Mel nos braços, que estava com febre.
"Desculpe incomodar tão tarde", disse ele com a voz trêmula. "A Mel não parava de chamar por você... Ela disse que só conseguiria dormir se você contasse uma história."
Clarice os fez entrar imediatamente. Ela pegou a pequena Mel, sentindo o calor febril de seu corpinho, e sentiu uma imensa compaixão.
Acariciando as costas da menina, disse: "A tia está aqui, Melzinha. Não tenha medo."
Naquela noite, Clarice ficou ao lado da cama de Mel, contando histórias em voz baixa. Gabriel sentou-se por perto, observando as duas com um olhar terno.
Quando Mel finalmente adormeceu, a chuva lá fora havia parado. A luz do luar filtrava-se pelas frestas da cortina, projetando uma faixa prateada no chão.
"Obrigado", sussurrou Gabriel.
Clarice balançou a cabeça e ia se levantar, mas, por ter ficado sentada por muito tempo, sua perna estava dormente. Ela tropeçou e quase caiu.
Gabriel foi rápido em segurá-la. Ao ficarem de pé, perceberam que a distância entre eles havia se tornado íntima demais.
Ambos coraram em silêncio e, sem dizer uma palavra, desviaram o olhar, constrangidos.
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