"Nunca Mais Serei a Esposa Invisível" Capítulo 5
Ela sentiu uma dor lancinante, como se seu peito estivesse sendo rasgado. As lágrimas fluíam sem parar e ela precisou pressionar o coração por um longo tempo até conseguir se recuperar.
Logo em seguida, o celular tocou subitamente; era uma chamada da companhia aérea para confirmar as informações da passagem.
"Sra. Clarice, sua passagem de ida para a Cidade das Nuvens foi emitida. Gostaria de escolher seu assento?"
"Na janela, por favor." Clarice limpou as lágrimas apressadamente, com a voz tão baixa que era quase imperceptível.
Assim que desligou, a porta do quarto se abriu.
Henrique entrou com passos firmes, o terno impecável, com cada detalhe das abotoaduras em perfeita ordem.
"Com quem estava falando?" ele perguntou casualmente.
Clarice colocou o celular de lado: "Uma amiga."
Henrique não insistiu, apenas parou ao lado da cama, olhando-a de cima para baixo: "Houve um mal-entendido sobre o que aconteceu. Foi a Isabela quem deu o suco de manga para eles."
Seu tom era tão calmo quanto se estivesse comentando sobre a previsão do tempo. "Mas ela não sabia da alergia, então esse assunto está encerrado."
O coração de Clarice pareceu ser esmagado por uma mão invisível, uma dor que quase a impediu de respirar.
Quando ele pensou que tinha sido ela, ele agiu como se quisesse matá-la; mas, tratando-se de Isabela, tudo se resumia a um simples e leve "ela não sabia".
Ela abriu a boca, querendo questionar, querendo gritar, querendo colocar para fora toda a injustiça e o ressentimento acumulados.
Mas, quando as palavras chegaram aos lábios, restou apenas um sussurro quase inaudível:
"Está bem."
Era como se toda a força tivesse sido drenada de seu corpo. Ela estava exausta, tão cansada que não tinha sequer o desejo de discutir.
Aquelas mágoas que a faziam perder o sono, aquele rancor acumulado dia após dia, transformaram-se agora em um sorriso amargo de autodesprezo.
No fim das contas, a diferença entre ser amada e não ser era simples assim.
Henrique pareceu surpreso com a reação dela. Ele hesitou por um momento e acrescentou: "Na próxima semana as crianças irão para um acampamento de verão. Eu e a Isabela vamos acompanhá-los. Você volta para casa sozinha."
Ele esperava que ela implorasse ou fizesse uma cena como de costume, mas Clarice apenas assentiu serenamente: "Entendido."
Henrique franziu o cenho, achando o comportamento dela estranho, mas o celular tocou no momento certo. Ele olhou para a tela: "Assunto da empresa, preciso ir."
Depois que a porta se fechou, Clarice finalmente relaxou os punhos cerrados. Em sua palma, restavam quatro marcas de unhas em forma de meia-lua, tingidas de sangue.
Nos dias seguintes, o celular de Clarice não parava de vibrar.
Eram todas mensagens de Isabela.
Uma sequência de fotos e vídeos registrando os momentos felizes no acampamento.
Nos vídeos, Vitor e Alice apresentavam Isabela aos colegas com orgulho: "Esta é a nossa mamãe!"
Os gritos de admiração dos colegas ecoavam: "Uau! Sua mãe é linda!"
"Pai bonitão e mãe maravilhosa, vocês são muito sortudos!"
"Mas quem é aquela que sempre vem buscar vocês na escola?" uma criança perguntou curiosa.
Na imagem, a expressão de Vitor e Alice travou por um instante: "Ah, aquela... é a babá que cuida da gente."
A mão de Clarice tremeu, e o copo de água que ela segurava caiu no chão.
Ela se agachou lentamente, olhando para os cacos, e de repente começou a rir.
Afinal, durante todos esses anos, ela foi apenas uma babá gratuita.
Mas não havia problema. O tempo de serviço dessa "babá" estava prestes a acabar.
De agora em diante, que a amada "mamãe" deles cuidasse de tudo.
Uma semana depois, o mordomo trouxe Vitor e Alice de volta para a mansão.
As duas crianças correram direto para a cozinha assim que entraram, com uma satisfação estampada no rosto que não conseguiam esconder.
"Mamãe!" Alice chamou com sua voz estridente. "Você sabia? A Tia Bela torceu o pé na gincana de pais e filhos, e o papai ficou super preocupado!"
Vitor não perdeu tempo em completar: "O papai reservou um hospital inteiro para tratar a Tia Bela! Ele até cancelou as reuniões da empresa para ficar o tempo todo ao lado dela!"
Clarice estava diante do forno, ouvindo silenciosamente a ostentação das crianças, enquanto colocava as luvas térmicas com as mãos firmes.
"Mamãe, você está ouvindo?" Alice bateu o pé, insatisfeita. "O papai é tão bom para a Tia Bela, muito melhor do que para você—"
O "plim" do forno interrompeu o falatório dela.
Um aroma doce e reconfortante invadiu instantaneamente a cozinha. Os olhos das crianças brilharam e elas se aproximaram imediatamente.
"É bolo!" Vitor ficou na ponta dos pés. "Eu quero!"
Clarice retirou a assadeira; as bordas do bolo estavam um pouco queimadas.
Ela franziu o cenho e despejou o bolo diretamente na lata de lixo.
"Ah!" Alice deu um grito. "Por que você jogou fora?"
"Queimou. Não está bom para comer," disse Clarice calmamente.
"Mentira!" Vitor chutou a lata de lixo com raiva. "Você fez de propósito! Só porque ainda está brava com a gente pelo que aconteceu da última vez, por isso não quer nos dar o bolo. Mãe má!"
O rostinho de Alice ficou vermelho de fúria: "Nós não queremos uma mãe como você!"
Clarice retirou as luvas térmicas. Seu coração parecia estar sendo esmagado por uma mão invisível.
Ela olhou para aquelas duas crianças pelas quais quase deu a vida para dar à luz, e de repente elas lhe pareceram completamente estranhas.
"Que bom," ela disse suavemente. "Eu também não quero filhos como vocês."
"De agora em diante, fiquem com a Isabela."
Dito isso, ela se virou em direção à escada.
Atrás dela, vieram os gritos histéricos das duas crianças: "Nós te odiamos! Vamos te odiar para sempre!"
Clarice hesitou por um segundo, mas não olhou para trás.
Exatamente quando ela pisou no terceiro degrau, sentiu um empurrão violento em suas costas—
"Morra de uma vez!"
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