"Irmã de Mentira, Amante Verdadeira" Capítulo 3
Os dias que se seguiram transformaram a mansão dos Venturi num campo de batalha sem fumaça.
As táticas de Sofia não eram sofisticadas. Beiravam o amadorismo.
Na frente de Rafael, vivia de fragilidade encenada. Pelas costas, não parava de me pregar peças.
Colocava sal a mais na minha comida, estragava minhas roupas, ou mencionava de propósito, diante de Rafael, os meus pais biológicos que nunca apareceram.
Se fosse antes, eu teria cem maneiras de fazê-la engolir cada uma dessas jogadas sem que ninguém percebesse.
Mas agora eu só queria me tornar invisível.
Estava esperando uma oportunidade.
Uma brecha em que a guarda de Rafael estivesse no ponto mais baixo.
Foi então que percebi: Sofia não era tão simples quanto parecia.
Naquele dia, passei em frente ao escritório. A porta estava entreaberta.
De dentro não vinha a voz de Rafael, mas a de um homem desconhecido, distorcida por um modulador de voz.
"...ainda não conseguiu os dados? O velho já está sem paciência."
"Quase lá. Rafael confia totalmente em mim agora. Mas aquela Lara está atrapalhando. Acho que ela desconfiou de alguma coisa." Era a voz de Sofia.
"Então se livra dela. A utilidade dela já acabou de qualquer forma."
Prendi a respiração e recuei sem fazer barulho.
De volta ao quarto, meu coração disparou.
Sofia não era a filha verdadeira.
Ou talvez fosse, mas o motivo dela ter voltado não era reencontrar a família. Era espionagem.
Lembrei do projeto que o Grupo Venturi vinha desenvolvendo em sigilo — o chamado
Projeto Abismo
.
Uma nova tecnologia de biofarmacêutica que, uma vez lançada, dominaria o mercado global.
E os dados centrais estavam no cofre do escritório de Rafael.
O que eu deveria fazer?
Contar para Rafael? Com a cabeça tomada por esse suposto reencontro de família, ele iria acreditar em mim, que para ele não passava de uma estranha?
E mais: aquilo não era exatamente a chance perfeita para fugir?
Quando Sofia agisse, a mansão entraria em caos. Eu poderia desaparecer no meio da confusão.
A razão me dizia para não me meter.
Mas naquela noite, tive um sonho.
Sonhei com dez anos atrás. Um adolescente coberto de sangue partindo ao meio o único pão que tinha e me estendendo a metade.
"Come. Depois você vem comigo para casa."
Acordei sobressaltada, encharcada de suor.
Merda.
No fundo, eu nunca seria capaz de ficar parada vendo ele morrer.
No dia seguinte, a oportunidade apareceu.
Rafael tinha que ir a uma cidade vizinha fechar um contrato importante e não voltaria naquela noite.
Era o melhor momento para Sofia agir. E também o melhor momento para eu desmascarar ela.
A madrugada caiu pesada sobre a mansão.
Fiquei escondida atrás das cortinas do escritório, com um frasco que eu havia preparado apertado na mão.
Era um gás composto de óxido nitroso em alta concentração. Bastava uma pequena dose para imobilizar qualquer pessoa — e fazê-la rir sem parar, sem conseguir parar.
Duas da manhã.
A porta do escritório foi empurrada com cuidado.
Sofia entrou usando uma roupa preta colada ao corpo, os movimentos precisos e ágeis. Não havia nenhum sinal daquela fragilidade de sempre. O olhar era afiado, o gesto, profissional.
Foi direto ao cofre e colou um dispositivo eletrônico no buraco da fechadura.
Bip. Bip. Bip.
Uns quinze segundos depois, o cofre abriu.
Quando ela estendeu a mão para pegar a pasta preta, eu saí de trás das cortinas.
"Para!"
Sofia reagiu na hora. Virou e cortou o ar com uma faca.
Desviei de lado e disparei o spray direto no rosto dela.
Sofia aspirou uma boa quantidade do gás e os movimentos foram ficando lentos.
"Ha... haha... você... hahaha..."
Ela começou a rir sem conseguir parar, o corpo dobrando em câmera lenta até cair no tapete, a faca escapando da mão.
"Lara... ha... sua... miserável... hahaha..."
Ela ria e xingava ao mesmo tempo, com lágrimas escorrendo pelo rosto de tanto rir, o corpo se contorcendo de um jeito perturbador.
Peguei a pasta do chão e soltei o ar.
Estava prestes a ligar para Seu Jorge quando a luz do escritório se acendeu de uma vez.
"Pá. Pá. Pá."
Alguém aplaudia.
Me virei de repente.
Rafael estava encostado na porta, de terno completo, sem nenhum sinal de quem havia viajado.
Ele me olhou, depois olhou para Sofia se revirando no tapete com aquela risada incontrolável, e deixou um sorriso de quem estava se divertindo se formar no canto da boca.
"Que espetáculo."
Entrou devagar, os sapatos pisando fundo no tapete.
"Eu sabia. Minha Lara nunca me decepciona."
Fiquei paralisada.
"Você... você sabia?"
Rafael veio até mim, pegou a pasta da minha mão e jogou sobre a mesa sem cerimônia.
"Dados falsos. Vale tanto assim o esforço de vocês duas?"
Sofia no chão ainda ria, mas o terror já tinha tomado conta dos olhos dela.
"Ha... você... você já sabia... desde quando?"
Rafael a encarou de cima com aquela indiferença de quem olha para algo sem nenhuma importância.
"Sofia? Ou melhor, devo chamar você de Linden? Filha do criminoso Henrique Linden."
"Você acha que dava para esconder o que você aprontou na fronteira? Que essa marca de nascença ia me enganar?"
"Então por que você deixou chegar até aqui?" Olhei para ele, sem conseguir esconder o espanto.
"Para atrair a cobra para fora da toca." Rafael virou o rosto na minha direção, e o olhar mudou num instante — ficou mais suave. "Se eu não tirasse as pessoas por trás dela para o campo aberto, como acabaria com todos de uma vez? E sem esse drama todo, como eu ia arrancar a verdade de você?"
Ele veio se aproximando devagar, me encurralando entre a escrivaninha e ele.
"Lara, você queria me salvar agora há pouco. É verdade?"
"Você não estava disposta a me ver morrer. É verdade?"
O coração martelou no meu peito, as costas encostando na borda fria da mesa de madeira escura.
"Eu não... só estava..."
"Shh." O dedo indicador dele pousou nos meus lábios. "Não mente. Seus olhos me contaram tudo. Você está completamente apaixonada por mim."
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