"Casamento por Contrato, Coração em Liberdade" Capítulo 18
Olhei para o vulto de papai e mamãe em meio às sombras das luzes e não consegui conter um sorriso. No entanto, quanto mais eu sorria, mais embaçada ficava minha visão; minhas roupas estavam úmidas e fios de cabelo grudavam no meu rosto.
"Papai, mamãe, eu já quitei todas as dívidas da nossa família. Hoje vendi mais um desenho e ganhei trinta milhões."
"Eu não usei o dinheiro da família Bernardo, viu? Foi tudo do meu próprio esforço. Não precisam me elogiar... já sou adulta, não preciso mais de elogios."
"Os dias mais difíceis já passaram. Daqui para frente, eu, o Gabriel e a vovó ficaremos muito, muito bem..."
Após balbuciar a última frase, não aguentei mais o peso das pálpebras e caí em um sono profundo.
Aquela noite foi inquieta. Ora eu sonhava com brotos de feijão que nunca terminavam de ser perfurados, ora com cobradores batendo à minha porta. Eu lutava em um mundo impregnado de amargura; minha garganta ardia como se estivesse em chamas, e eu buscava desesperadamente por um gole de água.
"Água... água..."
Chamei algumas vezes, como um viajante prestes a morrer de sede no deserto, proferindo uma última prece. Alguém ouviu. Senti um toque suave e morno nos lábios, e uma água fresca fluiu pelas frestas entre meus dentes.
Bebi com avidez, mas o ar em meu peito parecia estar sendo drenado, tornando-se cada vez mais escasso. Não sei quanto tempo passou, mas o oxigênio finalmente voltou aos meus pulmões, a aridez da garganta foi aliviada e eu apaguei novamente.
Na manhã seguinte, acordei com a dor de cabeça típica de uma ressaca. Na cabeceira, havia um copo de água morna com mel; sem pensar muito, bebi tudo de uma vez. Somente após beber é que minha mente nebulosa começou a clarear.
Observei a decoração desconhecida do quarto. Cortinas de renda trabalhada, plantas, um dossel amarelo suave, piso de madeira e um tapete felpudo e macio junto à janela. Não era o hotel onde eu e Bia estávamos hospedadas, mas o ambiente me trazia uma sensação estranha de familiaridade. Minhas roupas haviam sido trocadas por um pijama de seda branco puro.
Abri a porta do quarto e saí, percebendo que estava em uma vila desconhecida. Vozes vinham do andar de baixo.
"Sr. Bernardo, por que o senhor está fazendo isso?" A voz era idêntica à do assistente de Bernardo.
"Só sentindo na pele a dor que ela passou é que poderei ter empatia de verdade."
Desci as escadas lentamente e vi Bernardo segurando uma agulha de prata diante de uma bacia de brotos de feijão. Seus movimentos eram desajeitados; a ponta da agulha escorregou e uma gota de sangue brotou em seu dedo. No entanto, ele apenas franziu o cenho e descartou o broto manchado no lixo. Lá, já havia um balde cheio de brotos descartados.
Olhando para o perfil focado e sério de Bernardo, não soube o que sentir. Não houve emoção, nem alegria; senti apenas que aquilo era, de certa forma, absurdo.
"Onde está a Bia?"
Minha voz repentina assustou os dois homens na sala. Uma sucessão de gotas de sangue caiu na bacia de água diante de Bernardo, mas ele pareceu não notar. Apenas ergueu os olhos para mim com um olhar sereno, que parecia carregar mil palavras.
Desviei o olhar para o assistente. Ele parecia dividido, sem saber se respondia à minha pergunta ou se cuidava do ferimento de Bernardo primeiro.
Finalmente, Bernardo falou: "Mandei alguém levá-la de volta ao hotel."
Assenti educadamente: "Obrigada. Vou voltar agora mesmo."
Dito isso, virei-me para subir e trocar de roupa. Mas mal pisei no primeiro degrau, a voz de Bernardo ressoou atrás de mim: "Clarice, fique para o almoço antes de ir."
Ele acrescentou logo em seguida: "Faz muito tempo que não comemos juntos."
Meus dedos apertaram o corrimão da escada até as pontas ficarem brancas. Olhando para os padrões complexos do tapete sob meus pés, finalmente não contive a pergunta: "Esta casa é sua?"
Talvez por minha voz soar calma e natural, os dois lá embaixo não perceberam nada de errado. Bernardo até explicou com um leve semblante de alívio: "Sim. Quando eu morava na Inglaterra, vinha muito para a Bélgica, por isso comprei esta casa."
Assenti devagar: "E a decoração também é do estilo que você gosta?"
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