"Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou" Capítulo 18: O Ritual da Presença e o Preço da Dor
— Aquela senhora trouxe o corpo para que eu a ajudasse a transcender. É justamente por causa do seu apego, fiel, que ela continua vagando por este mundo!
As palavras do abade atingiram em cheio o coração de Bernardo.
Ele captou imediatamente uma esperança implícita:
— Quer dizer que a Soraia ainda está... viva? — Ela está morta, de fato, mas ainda resta um fragmento de consciência residual. — Aquela senhora estava recitando o Mantra do Renascimento, mas você a interrompeu.
Assim que o abade terminou de falar, Bernardo foi tomado por um arrependimento imediato.
Seu coração amoleceu; ele não imaginava que Melissa estivesse se dedicando de corpo e alma a rezar pela paz de Soraia. Pensou que, talvez, devesse lhe pedir desculpas.
Mas, naquele momento, ele se agarrou a uma última esperança, ansioso por uma resposta do monge: — Então, mestre... o senhor pode trazer a Soraia de volta?
O abade assustou-se e balançou a cabeça negativamente: — Isso é impossível!
Bernardo já esperava por aquilo. O brilho em seus olhos se apagou instantaneamente.
Ele olhou com um sorriso amargo para onde Soraia jazia: — Eu realmente não posso mais ver a minha Pequena, não é?
O mestre não respondeu. Em vez disso, entregou um livreto fino a Bernardo e retirou-se.
Ao ler sobre o Mantra do Renascimento, Bernardo hesitou; ele não queria que Soraia desaparecesse por completo.
No entanto, ao folhear as páginas, descobriu uma nota nas entranhas do livreto:
"O Mantra da Manifestação é o primeiro passo obrigatório. Existe uma probabilidade de permitir que a alma se manifeste neste mundo para uma conversa final."
Bernardo releu aquilo várias vezes, incrédulo e em êxtase. Segurando o livreto, ele correu para fora. O abade não estava longe; varria as folhas secas na entrada.
— Fiel, muitos tentaram esse método. A taxa de fracasso é altíssima. Você sabe o porquê? — Não sei, mas eu preciso tentar! — Bernardo respondeu sem hesitar, com determinação férrea. — Se ela tiver que passar pelo sofrimento das chamas purificadoras, você terá que experimentar a mesma dor que ela sentiu. Mesmo assim, você aceita?
A alma de Soraia, que acabara de sair, ouviu a pergunta do abade.
Ela viu Bernardo segurar as mãos do mestre com extrema seriedade e dizer:
— Eu aceito. Só desejo ver a Soraia uma última vez.
No rosto de Bernardo, uma lágrima solitária escorreu.
Este meu tio
, pensou Soraia,
parece chorar cada vez mais depois que eu morri.
Mas que adiantaria um novo encontro? Para ela, aquele apego era desnecessário; ela sequer desejava vê-lo.
— Mas... a dor das chamas pode ser adiada? Eu ainda tenho coisas que preciso confirmar — disse Bernardo, com um tom de frieza retornando à voz. — Só posso dizer que quanto antes, melhor. Se o espírito ficar separado do corpo por muito tempo, prejudicará a transição dela. — O abade hesitou e acrescentou: — E é melhor não levá-la daqui.
Dito isso, o monge voltou a varrer o chão. Bernardo tomou uma decisão ousada: chamou os legistas para o templo.
Ele queria supervisionar a autópsia pessoalmente. Como o quarto era pequeno, ele saiu em busca de um local mais amplo e ventilado para esperar a equipe.
No caminho, viu que Melissa ainda recitava o mantra. — Pare de rezar, Melissa. Eu não quero que a Soraia parta agora.
Melissa parecia em transe. De olhos fechados, seus lábios moviam-se freneticamente, e o suor escorria em grandes gotas por sua testa.
Ao se aproximar, Bernardo conseguiu ouvir o que ela sussurrava: — Não me procure, não me procure... — Melissa!
Bernardo tocou o ombro dela bruscamente. Ela abriu os olhos, transbordando pavor, tremendo da cabeça aos pés.
Melissa arquejou, parecendo estar em choque. Bernardo achou aquilo estranho.
— Você trouxe o corpo para cá? Bernardo negou com a cabeça, confuso. Melissa soltou um suspiro de alívio audível: — Que bom... que bom. — Você trouxe a Soraia para este templo para que ela pudesse descansar, por que não me contou?
Melissa finalmente recuperou a compostura, reprimindo o pânico interno. — Não adiantaria contar. Você não teria concordado, teria?
De fato, se fosse para deixá-la partir, Bernardo não aceitaria. — De qualquer forma... obrigado.
Bernardo disse isso com sinceridade, deixando Melissa boquiaberta por um instante.
Ela ficou atônita, mas logo recuperou o cinismo, forçando um sorriso amargo: — Não há de quê.
As coisas ainda não acabaram, Bernardo. É cedo demais para agradecer.
Enquanto isso, junto ao corpo, alguns homens se moviam. Eles espalharam palha seca ao redor de Soraia, formando um círculo completo.
O abade, suspirando, fechou a porta. Ele segurava suas contas de oração, movendo os dedos com uma pressa ansiosa, claramente inquieto.
Como se estivesse com a consciência pesada.
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