"Meu Pecado: Amar o Homem que me Criou" Capítulo 15: O Quarto das Lamentações e o Batismo de Fogo
Soraia observava o fluxo contínuo de seguranças invadindo o instituto, enquanto gritos de agonia e súplicas de misericórdia ecoavam lá de dentro, um após o outro.
Aquele lugar finalmente parecia um monstro que, ao mostrar as presas, revelava seus crimes ao mundo.
Mas Soraia sentia apenas exaustão.
Ela se perguntava por que os céus ainda não haviam levado sua alma; comparado àquelas cenas de violência, ela só queria fechar os olhos definitivamente e escapar.
Aquele lugar era a definição exata de um inferno na terra.
Bernardo olhou para o sangue que manchava o chão e as paredes e sentiu-se, enfim, exausto.
Ele largou o bastão e ordenou que trancassem a sala de monitoramento. Ignorando os uivos de dor lá dentro e carregando todos os registros em vídeo do que Soraia sofrera, ele caminhou passo a passo em direção ao quarto que desejava — e ao mesmo tempo temia — entrar.
Aquele cubículo que encerrou três anos de sofrimento de Soraia fora escolhido por ele.
A maior parte das cicatrizes no corpo dela não existiria se não fosse por ele. Esse pensamento martelava sua mente enquanto suas mãos tremiam ao empurrar a porta.
O quartinho era escuro e claustrofóbico, contendo apenas uma cama, uma mesa de madeira simples e um banheiro.
A janela em frente à porta estava lacrada, permitindo apenas um fio de luz pálida.
O cheiro de mofo e algo metálico, como sangue seco, era nauseante. Soraia vivera ali por três anos.
Bernardo sentiu como se estivessem esmagando sua garganta; o ar não chegava aos pulmões e lágrimas ferventes começaram a cair.
Ele examinou cada centímetro do cômodo até que notou algo na parede branca ao lado da cama: milhares de ranhuras profundas.
Pareciam marcas feitas por unhas humanas. Entre os sulcos, estavam gravados o nome dele e frases desconexas:
"Socorro."
"Nunca mais vou amar."
"Me deixe ir."
As letras eram tortas, mas profundas. Soraia passara incontáveis noites esperando que alguém a salvasse — e, no início, esse alguém certamente era ele.
Afinal, Bernardo era o único "família" que lhe restava no mundo.
O remorso o consumia.
Ao tocar as marcas, percebeu que, conforme as frases avançavam no tempo, os sulcos ficavam mais rasos, como se a força e a esperança dela tivessem se esvaído.
O martírio prolongado a transformara em uma casca vazia. Bernardo quase podia ver a imagem de Soraia sentada naquela cama, mergulhada em um desespero anestesiado.
Ele se lembrou de quando ela devolveu o bracelete que ele lhe dera, dizendo calmamente:
"Tio Bernardo, desejo que você seja feliz."
Lembrou-se de quando perguntou se ela não sentia dor com as chicotadas, e ela respondeu com uma paz aterrorizante:
"Porque não dói."
Sim, comparado ao que ela viveu naquele instituto, as chicotadas dele eram quase nada.
Bernardo desferiu dois tapas violentos contra o próprio rosto, mas a dor física não conseguia aliviar o peso da culpa em seu peito.
Tudo era dívida dele para com ela.
— Chefe, os prisioneiros estão causando tumulto. O que fazemos? — A voz de um segurança interrompeu seus pensamentos. Bernardo virou-se, os olhos transbordando ódio.
O cheiro de carne queimada começou a emanar da sala de monitoramento.
Do lado de fora, a alma de Soraia via vultos tentando escapar pelas janelas, apenas para serem puxados de volta por outros em desespero.
Ela viu Bernardo sair do prédio e ordenar que os seguranças lacrassem totalmente as saídas antes de lançar uma tocha lá dentro.
As chamas cresceram rapidamente, iluminando o céu com um brilho escarlate enquanto a sala de monitoramento era consumida.
Lá dentro, os agressores esmurravam as janelas pregadas, depositando sua última esperança em uma saída que não existia mais.
Exatamente como Soraia fizera anos atrás, depositando sua esperança em um Bernardo que nunca mudaria de ideia.
No fim, nenhum dos dois obteria um resultado diferente.
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