"Três Filhos, Um Segredo e Uma Vingança" Capítulo 13 — Filho se Conquista, Homem Também
Henrique recebeu a confirmação de aceite do "Torre" e soltou o ar aliviado.
Voltou a pensar no menino idêntico a ele que tinha visto.
Abriu o navegador e digitou uma busca:
Filhos com mães iguais e pais diferentes podem ser idênticos?
Clicou no primeiro resultado. O fórum estava cheio de fotos de irmãos com pais diferentes ou mães diferentes.
Henrique leu tudo com o coração na garganta, e a luz nos olhos foi se apagando aos poucos.
Havia irmãos parecidos, sim. Mas nenhum par era completamente idêntico.
A sensação de ter se olhado num espelho naquela manhã ainda estava muito viva na memória. Henrique não podia mais se enganar.
Ele tinha um irmão de sangue.
A mamãe tinha mais de um filho, mas tinha levado os outros consigo e deixado só ele para trás.
E ele tinha ouvido Rafaela dizer que o pai o tinha encontrado no corredor do hospital.
Ele não confiava nas palavras de Rafaela, então tinha perguntado de um jeito indireto para Gabriel, e a resposta confirmou: foi o pai mesmo que o recolheu.
Os olhos de Henrique marejaram. Parecia que nunca tinha sentido uma tristeza e um vazio tão fundos quanto agora.
A tarde inteira passou num torpor.
Quando chegou em casa no fim do dia, Henrique se trancou no quarto.
Tentou ler, mas as palavras não entravam.
Foi aí que bateram na porta.
A voz de Rafael soou do lado de fora: "Henrique, vem cá um instante."
Henrique não se mexeu. Ficou parado na escrivaninha, olhar perdido.
Rafael franziu o cenho e foi buscar a chave.
Do lado, Serena disse: "Sr. Duarte, deixa eu tentar."
Ela bateu na porta com leveza, a voz mansa: "Quinho."
Henrique aguçou os ouvidos. Uma pontinha de cautela apareceu nos olhos.
"Quinho, você se lembra de mim?" Serena continuou. "Eu estive aqui ontem."
Henrique abaixou o olhar para o machucado que já estava cicatrizando, o corpo se moveu um pouco, mas a porta não abriu.
Rafael já tinha voltado com a chave na mão.
Serena pousou a mão sobre a dele e disse com aquela voz de quem está convencendo uma criança: "Espera um pouquinho, me dá mais um minuto."
Rafael estreitou os olhos: "Você está me tratando como se eu fosse criança?"
"Filho precisa de carinho, homem também." Serena bateu levinho no peito de Rafael. "Ô, comportado."
Para a surpresa de todos, o homem na frente dela não reagiu.
Ele se virou, foi sentar no sofá sem dizer uma palavra.
Serena voltou a atenção para a porta com uma paciência sem fundo: "Quinho, você tem coragem de me deixar aqui do lado de fora esperando assim? Eu tô tão coitada..."
No segundo seguinte, a porta se abriu.
Henrique saiu com a expressão fechada e olhou para Serena com frieza.
Serena viu as veias vermelhas nos olhos do filho e o coração apertou.
Ela se agachou e de repente estendeu os braços para ele.
Henrique deu um passo para trás por instinto.
Mas Serena foi mais rápida. Já tinha fechado os braços e o puxado para o próprio colo.
Aquele corpo pequeninho, do mesmo tamanho de Lorenzo.
Ele claramente não era acostumado a colo. O corpo de Henrique estava visivelmente rígido.
"Quinho, meu nome é Serena. Você pode me chamar de... tia Serena." Ela disse baixinho.
Henrique não respondeu.
Serena não fez questão. Pegou a mão dele e o levou para o sofá da sala.
"A partir de agora venho todo dia tratar o seu sono." Ela disse. "Quinho não precisa se preocupar com nada, faz o que quiser fazer normalmente."
Henrique a estudou em silêncio.
A mulher na frente dele era linda. Mais bonita do que qualquer atriz que ele tinha visto na televisão.
E havia nela uma familiaridade que ele não sabia explicar, como se já a tivesse visto num sonho.
Ficou calado, e havia dentro dele um impulso fraco mas presente de querer fugir.
Como quem se acostumou tanto ao escuro que passa a ter medo da luz.
Serena olhou para o filho quieto, pensou nos dois pequenos agitados que tinha em casa, e a vontade de protegê-lo apertou no peito. Ela disse:
"Quinho, e se a gente brinca de alguma coisa que você goste? Montar blocos?"
Virou para Rafael: "Tem blocos de montar aqui em casa?"
Rafael quis comentar que Henrique tinha abandonado aquele brinquedo aos quatro anos por achar entediante e nunca mais tinha tocado.
Mas quando a empregada trouxe a caixa e Serena se sentou no tapete e começou a montar, Rafael ficou olhando, boquiaberto, enquanto o filho se levantava em silêncio, pegava os blocos e começava a montar do lado dela.
"Não era coisa de bebê?" Rafael sentiu um azedume que não soube explicar. "Esse negócio é pra quem tem QI baixo."
Henrique não respondeu.
Serena ergueu os olhos e foi em cima de Rafael como uma galinha protegendo os pintinhos:
"Você entende o que? Quinho é o menino mais inteligente e fofo que já vi na vida!"
Henrique prendeu o ar. Virou o rosto para olhar para Serena.
Serena terminou de encarar Rafael, se aproximou de Henrique e deu um beijinho nele: "Adoro demais o Quinho!"
O menino empurrou Serena por instinto, mas no segundo seguinte um calor começou a subir pelas bochechas dele e chegou rápido até as orelhas.
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