"A Traição da Prima Invejosa" Capítulo 9
Amélia e Gabriel voltaram para casa, e assim que a porta se abriu, uma pequena figura correu na direção deles.
— Papai! Mamãe!
A voz suave e doce dissipou instantaneamente o frio que envolvia o corpo de Amélia.
Ela se abaixou e pegou a menina no colo, os olhos levemente úmidos.
— Luna, minha linda… sentiu saudade da mamãe?
Luna deu um beijinho estalado no rosto dela:
— Senti!
Gabriel se aproximou, também acariciou a cabeça da menina e disse com suavidade:
— Já está tarde, Luna deve estar com sono, não é? Que tal deixar a mamãe te colocar para dormir?
Amélia levou a criança para o quarto e começou a cantar uma canção de ninar.
Quando Luna adormeceu, Amélia ficou olhando para o rostinho tranquilo da menina, e as lembranças dos últimos três anos invadiram sua mente.
Três anos atrás, naquele incêndio, ela só queria morrer.
Foi Gabriel quem entrou no mar de fogo e, mesmo queimando as costas, a carregou para fora.
Ele lhe deu uma nova identidade, levou-a para o exterior para tratamento, e a ajudou a reconstruir o rosto e apagar as cicatrizes.
Mais de mil dias e noites juntos…
foi então que ela descobriu que ele a amava em segredo havia dez anos.
Mas, por ser um filho ilegítimo, e por saber que ela e Leonardo se amavam, ele nunca teve coragem de dizer nada.
Quando soube de tudo o que ela havia passado, aquele homem chorou sozinho, no meio da noite.
— Mel… eu te amei antes de todo mundo… mas por causa daquela maldita inferioridade, nunca tive coragem de dizer… será que, se eu tivesse falado antes… tudo teria sido diferente?
Naquela noite, os olhos bonitos dele estavam vermelhos de tanto chorar.
E ela, com o coração amolecido, depositou um beijo suave em sua testa.
Antes de voltarem ao país, ele a pediu em casamento.
E ela aceitou.
Mas na noite de núpcias, por causa do trauma, seu corpo ainda tremia de medo.
Gabriel apenas a abraçou e beijou seus cabelos.
— Mel, não tenha medo. Eu não vou te tocar. E nós não precisamos ter filhos… podemos adotar uma criança.
Luna era justamente a criança que eles adotaram juntos no orfanato, a única sobrevivente de um caso de assassinato em série.
Amélia ajeitou o cobertor da menina e saiu do quarto, fechando a porta com cuidado.
Gabriel estava na varanda, fumando, a silhueta elegante, de ombros largos e cintura estreita.
Durante esses três anos, aquele homem bonito e profundo lhe deu uma sensação de segurança que ninguém jamais poderia substituir.
Amélia se aproximou, abraçou-o por trás e fechou os olhos.
— Gabe… obrigada.
Gabriel apagou o cigarro, virou-se e a abraçou de volta, com força.
— Não tenha medo. Enquanto eu estiver aqui… ele não vai conseguir te levar.
…
No dia seguinte, Hospital Privado Anhe.
Amélia vestiu o jaleco no consultório e começou a fazer a ronda.
Durante os três anos no exterior, com sua nova identidade, ela se especializou em oncologia e publicou dezenas de artigos, tornando-se uma especialista respeitada.
Depois de voltar ao país, esse hospital privado a contratou com um alto salário como médica-chefe da oncologia.
Ao passar pelo posto de enfermagem, o Dr. Yang, da oncologia, encostado no balcão, chamou-a com um sorriso:
— Dra. Amélia, estávamos falando de você agora há pouco.
Amélia tinha uma boa relação com ele, ambos eram médicos-chefes, então respondeu sorrindo:
— Falando de mim? O quê?
— Acabei de receber uma paciente com câncer de pulmão em estágio terminal. — disse ele, olhando para Amélia com curiosidade — Coincidência, ela se parece bastante com você. Não é, Xiao Zhao?
A enfermeira assentiu.
O coração de Amélia deu um salto, mas ela forçou um sorriso:
— Sério? Deve ser porque tenho um rosto comum.
O médico suspirou:
— O nome dela é Helena Ferreira. É uma história triste… dizem que a filha morreu há alguns anos, e ela não tem mais ninguém.
Um estrondo pareceu ecoar dentro da mente de Amélia.
Tudo ficou em branco.
Helena Ferreira…
Ela apertou os dedos para conter o tremor e perguntou, tentando manter a calma:
— Já confirmaram o diagnóstico?
O médico assentiu:
— Estágio terminal com metástase. Não deve durar muito.
Amélia sentiu que até respirar se tornava difícil.
Aquela mulher que um dia a tratou como um tesouro…
e depois passou a odiá-la profundamente.
Aquela mãe que quis cortar todos os laços com ela por causa de Bianca…
agora estava à beira da morte.
…
À tarde, durante a ronda, o Dr. Yang foi chamado para uma cirurgia e pediu:
— Dra. Amélia, pode dar uma olhada na paciente do leito 302, Helena Ferreira?
— A senhora é bem solitária… está internada há tanto tempo e aquela sobrinha nunca apareceu.
Amélia respirou fundo.
— Tudo bem.
Ela empurrou a porta do quarto 302.
Na cama, estava uma mulher extremamente magra.
Cabelos grisalhos, olhos fundos… já não havia nada daquela mulher forte de antes.
Helena ouviu o som e abriu os olhos com dificuldade.
No instante em que viu Amélia—
seus olhos turvos brilharam.
— Mel… Mel?
Ela estendeu a mão trêmula, tentando segurar a roupa dela.
Amélia deu um passo para trás, desviando.
Ela abriu o prontuário, sem expressão:
— A senhora se enganou. Meu nome é Sheryl. Pode me chamar de Dra. An.
A voz era fria.
Distante.
A mão de Helena ficou suspensa no ar.
Ela olhou para Amélia, e lágrimas começaram a cair.
— Mel… é você… eu sei que é você…
— Mel… a mamãe errou…
Ela começou a tossir enquanto chorava:
— Eu me arrependo… aquela ingrata da Bia… ela me abandonou…
— Agora eu só tenho você…
— Você pode me perdoar?
Amélia olhou para ela, vendo-a em prantos.
Seu coração doía como se estivesse sendo cortado.
Um dia…
ela desejou tanto ouvir esse pedido de desculpas.
Mas agora…
era tarde demais.
Amélia fechou o prontuário e disse à enfermeira ao lado:
— A paciente está emocionalmente instável. Aplique um sedativo.
Depois disso, virou-se e saiu.
Atrás dela, ecoava o choro desesperado de Helena:
— Mel! Não vá! A mamãe sente sua falta!
Os passos de Amélia vacilaram.
Ela praticamente fugiu do quarto.
Apoiou-se na parede do corredor, levantou a cabeça, tentando impedir as lágrimas de cair.
Aquela era a mulher que a trouxe ao mundo.
Mas também…
a pessoa que a empurrou para o inferno.
Depois de um longo tempo, ela enxugou as lágrimas e ajeitou o jaleco.
Levantou a cabeça—
e congelou.
No fim do corredor—
Leonardo estava parado.
Segurando um buquê de rosas.
O olhar cheio de dor.
Seus olhos se encontraram.
A voz dele saiu rouca:
— Mel… não chore.
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