"A Traição da Prima Invejosa" Capítulo 4
Só quando viu, com os próprios olhos, Amélia parar de se debater, Leonardo a puxou para fora e a jogou no chão.
Mel caiu estendida no piso molhado do banheiro, tossindo violentamente.
— Cof... cof, cof...
Ela respirava com dificuldade, ofegante, o corpo inteiro encharcado e miseravelmente abatido.
Leonardo a olhava de cima, com uma frieza cortante no olhar.
— Amélia, eu realmente te subestimei. Na minha frente, você se fazia de santa intocável, tremia só de eu encostar em você, e no instante seguinte já estava se jogando nos braços de outro homem, sua vadia!
— Então você gosta daquele bastardo do Gabriel? Como você consegue ser tão baixa assim?!
Amélia conseguiu se erguer com dificuldade, o rosto pálido, e fitou aquele homem de quem um dia dependeu por completo.
Viu com clareza como ele era capaz de despejar palavras cruéis e humilhá-la até o extremo.
No instante seguinte, reuniu toda a força que ainda lhe restava e ergueu a mão com violência—
— Plá!
O tapa seco acertou em cheio o rosto de Leonardo.
— Leonardo Tavares, já que você e eu chegamos ao ponto de só sentirmos repulsa um pelo outro... então vamos nos divorciar.
Foi como se Leonardo finalmente tivesse arrancado aquela pele falsa de homem gentil. Ele tocou o rosto atingido e, em vez de se enfurecer, sorriu.
Segurou o queixo dela com força e disse num tom perigosamente suave:
— Divórcio? Nem sonhando! Amélia, nesta vida você nunca vai escapar de mim! E muito menos vai ficar com o Gabriel!
Nesse momento, Bianca entrou na hora exata, fingindo apaziguar a situação:
— Cunhado, não fique bravo. Talvez minha irmã só tenha se confundido por um momento.
— Mas... — ela fez uma pausa, e um brilho sombrio atravessou seus olhos — o temperamento da minha irmã realmente precisa ser corrigido. Eu conheço uma “escola para damas” especializada em ensinar mulheres a obedecer e agradar seus maridos. Que tal mandar minha irmã para lá por um tempo?
Amélia olhou para os dois, incrédula.
— Vocês enlouqueceram? Eu não vou!
Leonardo encarou seu rosto teimoso, permaneceu em silêncio por alguns segundos e, no fim, falou friamente:
— Ótimo. Então será como a Bia sugeriu. Vá aprender a ter modos!
Amélia lutou com todas as forças, recusando-se a ir, mas os seguranças a arrastaram até o carro e a levaram à força para a tal “escola para damas”, localizada nos arredores da cidade.
Era um prédio de sete andares, com todas as janelas protegidas por grades de ferro. Era impossível escapar.
Lá, ela foi forçada a trocar de roupa e vestir peças extremamente reveladoras e sensuais; colocaram-na sob luzes fortes para tirar fotos, e bastava um segundo de hesitação para o chicote cair sem misericórdia.
Também a obrigavam a aprender a servir homens com submissão, repetindo todo tipo de gesto humilhante.
Se desobedecesse, era punida com choques elétricos, espancamentos ou confinamento em uma cela subterrânea escura e úmida.
Sete dias. Sete dias inteiros de tortura desumana.
Quando finalmente foi devolvida à casa dos Tavares, seu corpo estava coberto de marcas arroxeadas e avermelhadas, e seus olhos... vazios, sem qualquer luz.
Na sala, Bianca estava reclinada no sofá, mandando a empregada massagear seus pés, exatamente como se fosse a dona daquela casa.
Ao ver Amélia, sorriu e a cumprimentou:
— Irmã, você voltou? E então, como foi o aprendizado?
Leonardo estava sentado ao lado. Quando notou que havia marcas avermelhadas em seu pescoço, pareceu que iria se aproximar para perguntar alguma coisa, mas Bianca de repente segurou o ventre e gemeu de dor. Imediatamente, ele se levantou, tenso, pegou-a nos braços e a levou ao hospital.
Antes de sair, deixou apenas uma frase para Amélia:
— Fique em casa e se comporte.
Amélia não lhes deu atenção. Assim que Leonardo saiu com Bianca, ela recolheu rapidamente suas coisas, fechou a mala e foi embora sem a menor hesitação.
Ao mesmo tempo, fez uma ligação:
— Doutor Santos, por favor, envie imediatamente a petição de divórcio já assinada para Leonardo Tavares.
Ela encontrou um pequeno apartamento alugado, simples e precário, e se instalou ali.
No dia seguinte, depois de se recompor e se preparar para voltar ao hospital, recebeu uma ligação do diretor.
— Dra. Amélia... é melhor a senhora não vir ao hospital.
Sem entender, ela perguntou:
— Por quê?
O diretor suspirou do outro lado e desligou, deixando apenas essa resposta:
— Veja o e-mail interno do hospital. O hospital inteiro recebeu...
Amélia abriu o e-mail.
E, no segundo seguinte, seu corpo inteiro começou a tremer.
Lá estavam, escancaradas diante de seus olhos, as fotos obscenas que haviam sido tiradas dela à força.
Embora as partes íntimas estivessem censuradas, seu rosto era perfeitamente reconhecível, e sua postura era de uma humilhação insuportável.
Seus olhos se encheram de sangue. Sua visão escureceu. Ela tremia sem conseguir se controlar.
Bianca!
Só podia ter sido ela.
Tinha sido Bianca quem enviara aquelas fotos para o hospital, com a intenção de destruí-la completamente.
Por coincidência, a televisão ao lado transmitia uma notícia local ao vivo: o presidente do Grupo Tavares havia alugado o restaurante giratório mais luxuoso da cidade para oferecer uma festa de aniversário grandiosa à Srta. Bianca Ferreira.
Amélia apertou os dentes com força e pegou um táxi direto para o restaurante.
Não foi difícil encontrar Bianca, que estava no camarim retocando a maquiagem.
Ao ver Amélia, Bianca não demonstrou a menor surpresa. Continuou se maquiando com toda calma do mundo.
— Irmã, o que você está fazendo aqui? Este lugar não combina com alguém como você...
Os olhos de Amélia ficaram vermelhos de raiva. Ela avançou de repente, agarrou Bianca pelo pescoço e a prensou contra a penteadeira, a voz rouca de desespero:
— Bianca Ferreira! O que você quer afinal? O que eu preciso fazer para você me deixar em paz?!
Bianca mal conseguia respirar, mas ainda assim sorria. E perguntou, num tom sombrio:
— Te deixar em paz? Amélia, você sabe quanto eu te odiei a vida inteira? Enquanto você existisse, o Leo nunca me enxergaria!
Ela olhou fixamente para o rosto pálido de Amélia e caiu na gargalhada.
— Você sabia? Naquela noite, quando você tinha dezoito anos... se o seu pai conseguiu entrar no seu quarto para te violentar, foi porque fui eu... quem abriu a porta para ele!
Amélia foi atingida como por um raio. Todo o sangue do seu corpo pareceu congelar num instante.
Aquela noite de pesadelo, a noite que destruiu sua vida inteira, havia sido arquitetada justamente pela pessoa que ela sempre tratou como uma irmã mais nova.
Seu coração parecia estar em chamas. A razão lhe fugiu completamente. Num impulso cego, ela empurrou Bianca violentamente em direção à porta.
— Bianca, por que você não morre de uma vez?!
A porta do camarim ficava longe da escada, mas Bianca recuou alguns passos, fingindo tropeçar, até se colocar exatamente na beira dos degraus.
No instante em que seu corpo tombou para trás, ela voltou o rosto para Amélia e curvou lentamente os lábios num sorriso:
— Trocar um filho... pelo seu lugar de Sra. Tavares... valeu a pena...
Amélia despertou do choque naquele mesmo instante.
Ela tinha feito aquilo de propósito!
Mas já era tarde demais.
— Bia!
Leonardo viu exatamente aquela cena. Ele correu escada abaixo, ergueu Bianca com todo cuidado nos braços, vendo o sangue escorrer debaixo dela, e gritou em pânico:
— Rápido! Chamem uma ambulância!
Depois, levantou os olhos para Amélia, que continuava parada no topo da escada, e o olhar dele estava cheio de decepção.
— Amélia, você é cruel demais! Nem mesmo uma grávida você foi capaz de poupar!
Amélia tentou explicar, desesperada:
— Não foi isso! Foi ela quem me provocou, foi ela mesma que—
Mas Leonardo simplesmente não quis ouvir.
Ele a arrastou pessoalmente, puxando-a com brutalidade em direção à delegacia.
— Se você tem alguma explicação, explique para a polícia. Acho que você realmente precisa ir para a cadeia e aprender a se arrepender!
Ao longo do caminho, as pedras rasgaram a pele de suas coxas até deixá-las em carne viva.
Então a cabeça de Amélia bateu violentamente contra uma rocha. Ela soltou um gemido abafado e perdeu a consciência na mesma hora.
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