"Sua Cópia Perfeita (Mas Eu Não Sou Ela)" Capítulo 13
— Lívia, tem alguém aqui para te ver.
Depois de alguns dias detida—
Lívia já não parecia a mesma.
Estava visivelmente mais magra.
O corpo inteiro coberto de hematomas.
O olhar… vazio.
Ela se levantou mecanicamente.
E foi levada pelos guardas até a sala de visitas.
Mas, no instante em que viu Ricardo— seu corpo inteiro desabou.
— Não… eu não quero ver ele!
Ela se agarrou ao braço do guarda, desesperada.
— Por favor… me leva de volta!
Mas o guarda a empurrou de leve.
— O senhor assinou o termo. Pode levá-la.
Ricardo assentiu.
Ao ouvir aquilo— Lívia pensou que ele tinha mudado de ideia.
Se jogou nele imediatamente.
— Ricardo… eu sabia que você viria me salvar!
— Me tira daqui… eu não aguento mais esse lugar!
Ela, que sempre viveu cercada de luxo— nunca tinha passado por nada parecido.
Naquele ambiente… foi humilhada, espancada, quebrada.
Agora— só queria sair dali.
Não importava mais nada.
Nem mesmo— o fato de Ricardo ter destruído sua família.
Ou causado a morte de seu pai.
Desde que ele estivesse disposto a tratá-la bem… isso bastava.
Ricardo olhou para ela.
Os olhos… frios.
Mas a voz— surpreendentemente suave:
— Claro que eu não vou deixar você aqui.
— Eu vim te levar embora.
Lívia se agarrou ainda mais forte a ele.
Com medo de que ele desaparecesse.
— Ricardo… eu sabia…
— eu te amo tanto…
Dentro do carro—
ela finalmente relaxou um pouco.
— Ricardo… pra onde a gente vai?
Ao perceber que o caminho ficava cada vez mais isolado—
um leve desconforto surgiu.
Ricardo manteve o mesmo tom gentil:
— Não precisa ficar nervosa.
— Só vou te levar para ver um médico.
— Olha o seu estado… toda machucada.
— Eu fiquei com pena.
Se ela tivesse prestado atenção—
teria notado o frio nos olhos dele.
Mas, naquele momento— ela só pensava na alegria de ter saído daquele inferno.
— Ricardo… você é tão bom comigo…
No fundo— ainda acreditava:
Aurora perdeu.
Ricardo sempre seria dela.
O carro parou.
Ricardo abriu a porta.
E segurou a mão dela.
Mas, ao levantar os olhos—
Lívia congelou.
Na entrada— estava escrito:
Hospital Psiquiátrico.
O medo tomou conta dela imediatamente.
Ela tentou fugir— mas Ricardo apertou seu pulso com força.
— Ricardo… você errou o lugar, não foi?
— Aqui é assustador… vamos embora…
Ele a encarou.
E, pela primeira vez— não fingiu mais.
Os olhos se tornaram frios… cruéis.
— Eu trouxe você exatamente para cá.
— A prisão foi leve demais pra você.
— Tenho medo de que você esqueça de pagar pelo que fez.
— Aqui… é o lugar certo pra você.
Lívia entrou em pânico.
Ao ver médicos e enfermeiros se aproximando— começou a se debater.
Mordeu a mão dele.
Arranhou.
Tentou escapar.
Mas Ricardo não soltou.
Como se não sentisse dor alguma.
— Ricardo… eu errei!
— Eu prefiro ir pra prisão!
— Me deixa ir!
Ela foi arrastada para dentro.
Ainda tentou se agarrar à perna dele— mas Ricardo simplesmente chutou sua mão para longe.
E disse, frio:
— Cuidem bem dela.
Os funcionários a puxaram.
Sem qualquer delicadeza.
— Não! Ricardo, eu errei!
— Eu não sou louca!
— Não me deixem aqui!
Os gritos ecoavam.
Mas Ricardo apenas observava.
Sem emoção.
Sem sequer piscar.
Ele tirou um lenço.
Limpou lentamente a mão onde ela havia tocado.
E jogou o lenço no chão.
Virou-se.
Entrou no carro.
E foi embora.
Sem olhar para trás.
Lívia parou de lutar.
Quando percebeu—
que ele realmente tinha ido embora.
A porta se fechou.
Com um som pesado.
E definitivo.
O desespero tomou conta dela—
enquanto olhava fixamente para aquele portão que jamais se abriria novamente.
— Auro… você quer se casar comigo?
Gabriel estava ajoelhado, segurando o anel, os olhos cheios de amor.
Aurora estava cercada pelo pai e pelos amigos.
Ao olhar para ele—
para aquele olhar sincero, completamente dedicado—
ela assentiu lentamente.
Gabriel, emocionado, colocou o anel em seu dedo.
Ela o puxou para se levantar.
Entre aplausos e comemorações—
ele se aproximou, sussurrando:
— Posso te beijar?
Aurora assentiu.
Ao longe—
Ricardo observava tudo, escondido atrás de uma árvore.
Quando a multidão começou a se dispersar—
ele se aproximou.
Gabriel percebeu imediatamente.
E instintivamente se colocou à frente de Aurora.
— O que você quer?
Ricardo não reagiu à hostilidade.
Apenas entregou uma pequena caixa.
Aurora não a pegou.
Ele então a abriu.
Dentro— havia uma chave.
— Deixei alguns bens no banco, no seu nome.
— É o que você tinha direito no divórcio.
Aurora olhou.
Mas não estendeu a mão.
— Não precisa. Eu não quero.
Ricardo não insistiu.
Fechou a caixa.
— Se você não quiser… vou doar tudo em seu nome para uma instituição de apoio a crianças.
Aurora não respondeu.
Era como um consentimento silencioso.
Depois, ele disse:
— Cemitério Jing Shan… lote 176.
Aurora franziu levemente a testa.
Ricardo continuou, com a voz rouca:
— É onde nosso filho está enterrado.
— Se você quiser… pode ir vê-lo.
Ao ouvir aquilo— o coração de Aurora vacilou.
O bebê… sempre foi uma dor que nunca cicatrizou completamente.
Depois de alguns segundos, ela respondeu:
— Eu vou.
Ricardo olhou para os dois.
Ficou em silêncio por um longo tempo.
— Espero que vocês sejam felizes.
E então— foi embora.
Sem olhar para trás.
Aurora observou suas costas se afastando.
Mas não disse nada.
— Gabriel… eu quero ir ver o bebê.
Aquela dor— ainda estava ali.
Silenciosa.
Persistente.
— Vamos — respondeu ele com suavidade.
Os dois voltaram ao país.
E foram até o cemitério.
No caminho— encontraram Ricardo descendo a colina.
Ele os viu.
Mas apenas se afastou para dar passagem.
No momento em que passou por Aurora—
ela ouviu:
— Me desculpa.
Ela parou por um instante.
Mas não respondeu.
Não conseguia perdoar.
Nem por si mesma… nem pelo filho que nunca nasceu.
Diante da lápide—
limpa, silenciosa—
com pequenos brinquedos e doces organizados com cuidado—
Aurora não conseguiu segurar as lágrimas.
— Me desculpa, meu filho…
— me desculpa…
Gabriel desviou o olhar.
Nem nome.
Nem foto.
Apenas um vazio— marcando uma vida que nunca teve a chance de começar.
Ele ficou ao lado dela.
Em silêncio.
Acompanhando.
Até o anoitecer.
Algum tempo depois— Aurora e Gabriel se casaram.
Num dia qualquer— já na vida tranquila após o casamento—
Aurora estava vendo notícias no celular.
Uma manchete chamou sua atenção:
#Presidente do Grupo Vasconcelos comete suicídio#
Seu dedo parou por um segundo.
E então— ela simplesmente deslizou a tela.
Como se nada tivesse acontecido.
Tudo… já havia passado.
As dores.
Os erros.
As histórias mal resolvidas.
Aurora olhou para Gabriel, sentado ao lado, concentrado em seus estudos.
E, finalmente— sorriu.
Ela havia encontrado… sua felicidade.
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