"Sua Cópia Perfeita (Mas Eu Não Sou Ela)" Capítulo 9
Aurora levou Gabriel de volta para casa e pegou a caixa de primeiros socorros para cuidar do ferimento dele.
Gabriel a observava em silêncio, como se quisesse dizer algo… mas não conseguia.
Aurora colocou a caixa sobre a mesa.
— Se quiser perguntar alguma coisa, pode perguntar.
Ele hesitou ao perceber que o semblante dela não estava nada bem.
Depois de pensar por um tempo, acabou não abrindo a boca.
Foi Aurora quem tomou a iniciativa:
— Aquele homem… é o Ricardo Vasconcelos.
Ela soltou um leve suspiro antes de completar:
— Meu ex-marido.
Gabriel ficou visivelmente abalado.
Por um instante, não soube o que fazer, nem o que dizer.
Ele não sabia nada sobre o passado dela… nem o peso que aquele homem ainda tinha no coração dela.
Aurora percebeu o que havia no olhar dele e acabou rindo, de leve.
— Eu já disse… é ex-marido. Eu já deixei isso para trás.
Gabriel respirou aliviado.
— Então… posso perguntar por que vocês se divorciaram?
A mão de Aurora, que pegava um pedaço de algodão, parou por um segundo.
Gabriel percebeu imediatamente.
— Se você não quiser responder, tudo bem… fui invasivo demais.
Aurora não respondeu.
Molhou o algodão no álcool… e pressionou diretamente no corte do canto da boca dele.
— Ai!
A dor fez Gabriel cerrar os dentes na hora.
— Se não quer responder… também não precisava ser tão cruel assim…
O tom dele carregava um ar meio manhoso, quase infantil.
Aurora suspirou.
— Não tem motivo especial… só deixei de amar.
Ao ver o jeito vazio dela, Gabriel sentiu um aperto no coração.
— Quem nunca encontrou um idiota na vida? — ele tentou aliviar o clima. — A gente manda o idiota embora… e encontra alguém melhor.
Ele então sorriu, de propósito, provocando:
— Que tal eu? Sirvo como substituto?
Aurora olhou para ele.
E, inesperadamente—
assentiu.
— Pode ser.
Gabriel ficou completamente parado.
Demorou alguns segundos para reagir.
— Eu… você… quer dizer… você aceita que eu te corteje?
Gabriel não era alguém ruim.
Pelo contrário… sempre foi gentil com ela.
Antes, Aurora não queria se envolver com ninguém por causa das feridas deixadas por Ricardo.
Mas agora…
ela percebeu—
era ela mesma que estava se prendendo.
Por causa de um relacionamento fracassado…
já havia perdido muitas coisas.
Aurora encarou os olhos sinceros de Gabriel.
E sentiu que talvez…
devesse dar a si mesma mais uma chance.
Uma chance de recomeçar.
— Sim… você não quer?
— Ou… você se importa com o fato de eu já ter sido casada?
Gabriel balançou a cabeça rapidamente.
— Claro que não! Eu só… achei que você estava brincando.
Ele segurou a mão dela.
— E, se for para falar de arrependimentos…
Ele olhou para ela com profundidade.
— O maior erro foi eu não ter tido coragem de chegar até você naquela época.
— Porque, se eu tivesse…
— talvez quem tivesse se casado com você… teria sido eu.
Aurora ficou surpresa.
— A gente já se conhecia?
Ela tentou se lembrar do rosto dele…
mas não havia nenhuma memória.
Gabriel sorriu, sem esconder mais:
— Eu era gordinho naquela época… bem diferente de agora. Provavelmente você não consegue ligar uma coisa à outra.
Nesse instante—
Aurora se lembrou.
— Você… é o “gordinho”?!
Gabriel riu, assentindo:
— Finalmente lembrou?
Eles haviam se conhecido em um curso extracurricular quando eram crianças.
Na época, Gabriel era rejeitado por todos por causa do peso.
Foi Aurora quem, vendo-o chorando sozinho em um canto, se aproximou e estendeu a mão para ser sua amiga.
A amizade durou por muito tempo…
até o dia em que ele precisou se mudar.
Gabriel se aproximou um pouco mais.
— Aquele evento… eu também fui.
Aurora ficou surpresa:
— Sério? Por que eu não te vi?
Um traço de tristeza passou pelos olhos dele.
— Porque você estava olhando só para o Ricardo… não conseguia tirar os olhos dele.
Ele sorriu de leve, mas com um fundo de dor.
— Eu já tinha emagrecido… mas você não me reconheceu.
— Naquele momento… achei que você simplesmente não queria mais me ver.
— Então… fui embora.
Aurora não esperava por aquilo.
Talvez…
como ele disse…
se, naquela época, ele tivesse sido um pouco mais corajoso—
tudo teria sido diferente.
Gabriel continuou, com sinceridade:
— E aquele dia no aeroporto… não foi coincidência.
— Eu pedi ao professor para ir te buscar.
Ele segurou a mão dela com mais firmeza.
— Aurora… eu gosto de você.
— Desde aquela época… até hoje.
— Obrigado… por me dar uma chance de te conquistar.
——————————
Depois daquele dia, Ricardo ainda apareceu duas vezes para procurar Aurora.
Mas, nas duas ocasiões, foi Gabriel quem o expulsou.
Aurora pensou que ele finalmente tivesse desistido.
Estava prestes a respirar aliviada…
quando, de repente, recebeu uma mensagem de um número desconhecido.
«Aurora Nogueira, precisamos conversar.»
Ela não fazia ideia de quem era.
Muito menos de como aquela pessoa tinha conseguido seu contato.
Sem pensar duas vezes, apagou a mensagem.
Mas, no dia seguinte…
recebeu exatamente a mesma.
Aurora resolveu responder, testando:
«Quem é você?»
A resposta veio rapidamente:
«Lívia Monteiro.»
Ao ver o nome, Aurora franziu a testa—
e bloqueou o número imediatamente.
Ela não queria mais ter nenhum tipo de ligação com Ricardo ou Lívia.
Já tinha saído da vida deles.
Então por que ainda insistiam em incomodá-la?
— Aurora Nogueira, vamos conversar.
Depois de uma aula, justamente no momento em que Gabriel não pôde buscá-la—
Lívia apareceu.
E bloqueou seu caminho.
— Não temos nada para conversar.
Aurora tentou passar por ela.
Mas teve o pulso agarrado com força.
Ela tentou se soltar—
mas o aperto era firme demais.
— Tem uma cafeteria ali do lado. Vamos sentar e conversar.
Aurora não queria ter nenhum contato com ela.
Mas, já que Lívia tinha vindo até ali—
ela também não iria fugir.
Afinal…
quem tinha feito algo errado nunca foi ela.
E ela não tinha nada a temer.
Na cafeteria—
Aurora até pediu um café para Lívia.
Lívia olhou para a xícara diante dela…
e soltou uma risada fria.
Como Aurora não dizia nada, Lívia permaneceu em silêncio por um tempo.
Então Aurora decidiu quebrar o gelo:
— O quê? Não está feliz com o Ricardo?
A frase acertou em cheio.
O rosto de Lívia escureceu instantaneamente.
— Aurora… foi você, não foi? O que você fez para ele me tratar assim?
Aurora tomou um gole de café, calma.
Havia até um leve sorriso em seu olhar.
— Pelo visto… as coisas entre você e o Ricardo não estão indo muito bem.
Lívia perdeu completamente o controle.
Levantou o copo, tentando jogar o café no rosto de Aurora.
Mas Aurora já tinha percebido.
Segurou o pulso dela com uma mão—
e, com a outra—
jogou o restante do seu próprio café no rosto de Lívia.
— Ah!
Lívia ficou em choque.
Antes que pudesse reagir—
Aurora pegou também o café dela…
e despejou tudo em seu rosto.
— Aurora Nogueira!
Ela não conseguia acreditar.
Aquela Aurora, antes tão dócil…
agora fazia aquilo com ela?
Aurora a encarou, fria.
— Lívia… não era exatamente isso que você queria?
— Eu já abortei o filho. Já me divorciei do Ricardo. Até saí do país para evitar vocês dois.
— Ainda não está satisfeita?
— Conseguiu o Ricardo… e descobriu que não era como imaginava?
Ela riu, com desprezo.
— E aí resolve vir atrás de mim?
— Lívia… você é patética.
O café escorria pelo cabelo e pelas roupas de Lívia.
Ela estava completamente encharcada.
— É tudo culpa sua! — gritou. — Se não fosse você, o Ricardo não me trataria assim!
Aurora soltou uma risada baixa.
— Duas xícaras de café… e você ainda não acordou?
Lívia avançou para bater nela—
mas alguém segurou seu braço por trás.
— Terminou a aula?
Aurora sorriu ao ver Gabriel atrás dela.
Lívia puxou o braço com força, libertando-se.
Aurora então entrelaçou o braço no dele.
— Lívia… em vez de vir atrás de mim, você deveria procurar o Ricardo.
Ela olhou diretamente para ela, sem emoção.
— Eu já tenho alguém novo.
— Faça o favor de avisar o Ricardo…
— para parar de me incomodar.
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