"Sua Cópia Perfeita (Mas Eu Não Sou Ela)" Capítulo 8
Desde que Gabriel se machucou ao protegê-la, Carlos passou a convidá-lo com frequência para jantar em casa.
Sob as tentativas discretas — mas nada sutis — do pai, Aurora e Gabriel foram, pouco a pouco, se aproximando.
— O professor pediu para eu trazer algumas frutas pra você.
Gabriel colocou o prato ao lado do cavalete.
Aurora apenas assentiu, sem parar o que estava fazendo.
Ela continuava pintando, concentrada.
Gabriel sentou-se ao lado, observando em silêncio.
Quando Aurora terminou a pintura, alongou o corpo.
Só então percebeu—
ele ainda estava ali.
— Você ainda não foi embora?
Gabriel se levantou e foi até ela, olhando para a tela.
— E então? Ficou boa?
Aurora inclinou a cabeça, curiosa:
— O que você acha?
— Muito bonita.
Aurora hesitou por um instante, depois perguntou:
— Nós… já nos conhecíamos antes?
Ela estava realmente curiosa.
Já havia perguntado ao pai.
Mas ele sempre desviava do assunto com um sorriso.
Quando perguntava a Gabriel…
recebia sempre a mesma resposta:
“Se não lembra, então deixa pra lá.”
Mas, dessa vez—
Gabriel não fugiu.
— Amanhã… saia comigo para jantar. Eu te conto.
Aurora entendeu.
Ele estava tentando se aproximar dela.
Mas ela ainda não tinha intenção de entrar em um novo relacionamento.
Mesmo assim—
ela queria esclarecer tudo.
— Tudo bem.
O restaurante escolhido por Gabriel era italiano.
Quando Aurora chegou, ele já estava lá.
O garçom a conduziu até a mesa.
Gabriel lhe entregou um buquê de jasmim.
Aurora abaixou a cabeça, sentindo o perfume suave das flores.
— Obrigada… eu gostei muito.
Gabriel sorriu:
— E de mim?
Aurora ficou sem reação.
Depois de um tempo, disse com cuidado:
— Gabriel… eu acho que…
— Não precisa me recusar agora.
Ele a interrompeu gentilmente.
— Esse restaurante é ótimo. Vamos comer primeiro.
Gabriel era um pretendente impecável.
Atencioso, educado, respeitoso.
Nunca a colocava em situações desconfortáveis.
Mas… Aurora ainda estava ferida demais.
Ela havia entregado tudo de si a Ricardo.
E foi completamente destruída.
Pensar nele ainda a deixava inquieta.
Ela acabou bebendo mais do que deveria.
O álcool começou a subir.
Gabriel pegou o copo dela:
— Chega… você vai acabar ficando bêbada.
Aurora olhou para ele, com os olhos levemente turvos:
— Como a gente se conheceu…? Por que eu não lembro de você?
Gabriel estava prestes a responder—
quando ela continuou:
— Eu não quero mais amar ninguém… dói demais…
As emoções reprimidas vieram à tona.
Mesmo sem dizer tudo, Gabriel já entendia o que ela tinha passado.
Seus olhos se encheram de ternura.
Ele tocou levemente a ponta do nariz dela:
— Se eu tivesse me declarado antes…
— talvez tivesse sido eu… a me casar com você.
Aurora ficou em silêncio.
Mas, pela primeira vez— seu coração… não doeu.
Depois da ligação com Carlos, embora não tivesse obtido resposta, Ricardo teve certeza de uma coisa—
Aurora estava com o pai.
Com uma direção definida, a busca tornou-se muito mais fácil.
Não demorou…
e ele conseguiu descobrir onde Aurora estava.
Ricardo quis levar algo que representasse as memórias dos dois, algo que pudesse tocá-la…
Mas, ao olhar ao redor—
a casa estava vazia.
Não havia nada.
Nada que pertencesse a ela.
Foi então que ele percebeu—
o quão absurdo havia sido.
Aurora havia levado tantas coisas embora…
e ele sequer percebeu.
Eles ficaram casados por anos…
e, além daquelas coisas da casa—
ele não conseguia encontrar nem uma única foto dos dois.
Ricardo encontrou a universidade onde Aurora estava estudando.
Nos últimos dias, ele parecia muito mais abatido.
Segurava um buquê de flores, parado diante do campus.
Antes de entrar—
ensaiou mentalmente o que diria a ela.
Só então atravessou os portões.
— A exposição do curso de artes já está pronta?
— Ouvi dizer que o Gabriel, da biologia, também está lá.
— Ele não está interessado na Aurora? Vive indo para o prédio de artes…
Dois estudantes passaram apressados, conversando.
Ricardo, que não prestava atenção, congelou ao ouvir o nome dela.
Virou-se imediatamente.
E os interceptou.
— Com licença… vocês estavam falando da Aurora? Onde ela está?
Sua voz tinha urgência.
Os estudantes o olharam com estranheza.
E foram embora.
Ricardo não pensou duas vezes.
Seguiu-os.
O prédio de artes estava lotado.
Ele tentou se aproximar—
mas a multidão bloqueava sua visão.
Com esforço, abriu caminho entre as pessoas.
E então—
a viu.
Aurora.
E, ao lado dela—
Gabriel.
Gabriel estava com a mão apoiada na cintura dela, ajudando-a a se equilibrar sobre uma escada enquanto ela pendurava um quadro.
E Aurora… não parecia incomodada.
Aquela mão—
na cintura dela—
foi como uma faca cravando no peito de Ricardo.
Ele jogou o buquê no chão.
E avançou.
Agarrou Gabriel pela gola— e o socou.
O público ao redor ficou chocado.
Gabriel, sem entender a situação, foi pego de surpresa.
A escada começou a balançar.
Aurora, lá em cima, ficou pálida de susto.
Gabriel imediatamente soltou Ricardo.
E foi segurar Aurora, ajudando-a a descer.
Assim que ela ficou em segurança—
ele revidou.
Um soco direto no rosto de Ricardo.
Ricardo já não era mais jovem como Gabriel.
E, nos últimos dias, estava visivelmente debilitado.
Caiu no chão.
Tentou se levantar.
Gabriel limpou o sangue do canto da boca.
Estava prestes a atacar novamente—
quando Aurora o impediu.
Ricardo, ao vê-la—
levantou-se cambaleando.
E correu para pegar o buquê que havia caído.
— Meu amor… as flores são pra você…
Ele se aproximou, oferecendo-as.
Aurora desviou.
Sem sequer olhar para ele—
segurou o braço de Gabriel.
E começou a ir embora.
— Aurora… eu errei… me desculpa… meu amor…
Ricardo tentou alcançá-la.
Mas Gabriel o empurrou de volta ao chão.
Aurora não olhou para trás.
Nem uma vez.
Apenas foi embora— ao lado de outro homem.
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