"Sua Cópia Perfeita (Mas Eu Não Sou Ela)" Capítulo 5
Antes, Aurora sempre o esperava sentada no sofá.
Assim que ouvia o som da porta se abrindo, corria até ele, leve e alegre, como um passarinho.
Mas agora…
não havia som algum.
Nem mesmo as luzes estavam acesas.
Um pressentimento ruim tomou conta do coração de Ricardo.
Ele colocou o bolo de lado às pressas, acendeu todas as luzes e começou a procurar por ela, cômodo por cômodo.
— Meu amor, onde você está? Não me assuste… eu sei que hoje foi culpa minha.
— Meu amor, hoje realmente aconteceu algo urgente… venha aqui, eu vou te explicar tudo.
Sua voz ecoava pela casa vazia.
Ele pegou o celular e ligou para Aurora.
— O número que você ligou está desligado…
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.
Sempre a mesma resposta.
Ricardo voltou para a sala.
Foi então que viu—
uma caixa sobre a mesa.
Seu coração apertou.
Ele se aproximou rapidamente.
E, ao lado da caixa… havia um documento.
Um certificado de divórcio.
Divórcio?
De quem?
Com as mãos trêmulas, ele abriu.
Os nomes escritos ali… eram os dele.
E de Aurora.
Como isso era possível?
Quando… eles haviam se divorciado?
De repente—
uma lembrança surgiu.
Aquele documento… que ele havia assinado sem sequer olhar.
O mundo de Ricardo pareceu desabar naquele instante.
Ele não conseguia entender.
Por que Aurora… queria se divorciar dele?
Seu olhar foi atraído novamente para a caixa.
Talvez… tudo aquilo fosse apenas uma brincadeira.
Talvez ela tivesse preparado uma surpresa.
Talvez… fosse um presente para ele.
Com o coração acelerado—
ele abriu a caixa.
No momento em que viu o que havia dentro—
suas pupilas se dilataram.
Seu cérebro ficou completamente em branco.
Ali…
dentro de um recipiente de formol… estava um feto de cinco meses.
Encolhido.
Imóvel.
Era o filho deles.
O filho de Ricardo e Aurora.
Seus joelhos cederam.
Ele caiu no chão.
Abraçou a caixa… e chorou.
Desesperadamente.
A imagem de Aurora, naquele dia, surgiu diante de seus olhos—
— Ricardo… tenho uma boa notícia.
Ela se levantou na ponta dos pés, cobrindo os olhos dele por trás.
— O que meu amor quer me mostrar… tão misteriosa assim?
Ele brincou, deixando-se guiar por ela até a sala.
— Tcharam… eu estou grávida.
Ela colocou diante dele o exame.
Ricardo a abraçou com força.
— Nós vamos ter um filho… eu vou ser pai!
Aquele sentimento de felicidade… não era falso.
O desejo por aquele filho… também não era falso.
Durante aqueles meses—
eles haviam comprado juntos tudo para o bebê.
O quarto infantil estava cheio.
Cada detalhe…
cada objeto…
carregava expectativa.
Mas agora—
Ricardo não conseguia entender.
Por quê?
Por que Aurora havia sido tão cruel?
Tão cruel…
a ponto de interromper a gravidez de um filho de cinco meses…
só para deixá-lo?
— Por quê…?
Sua voz saiu quebrada.
— Por que você foi embora…?
Nesse momento—
a campainha tocou.
Lívia, que não havia recebido resposta por muito tempo, digitou a senha e entrou diretamente.
— Como você entrou?
Ao ouvir a pergunta, ela hesitou por um instante:
— A senha… ainda é aquela de quando a gente estava junto.
Ricardo não respondeu.
Lívia se aproximou lentamente.
— Ricardo… o que aconteceu?
Mas, ao ver a caixa sobre a mesa—
e o conteúdo dentro dela—
ela gritou.
— Ah!
— Cala a boca!
O grito frio de Ricardo fez com que ela tapasse a boca imediatamente.
— Ricardo… a Aurora ela…
— Saia.
Ele a interrompeu.
O tom não admitia discussão.
Lívia apertou a alça da bolsa.
— Eu só vim ver como você estava…
— Eu disse… saia!
Ele nem sequer olhou para ela.
Lívia não ousou insistir.
Virou-se e saiu.
Na sala—
Ricardo continuava ajoelhado.
Segurando a caixa.
Como se fosse tudo o que restava… de sua vida.
Quando Aurora decidiu ficar com Ricardo no passado, seu pai foi o primeiro a se opor.
Ricardo era oito anos mais velho.
A diferença de idade, de experiência, de visão de mundo…
Carlos Nogueira sempre teve medo de que a filha fosse a que sairia machucada naquela relação.
Depois da última ligação de Aurora, sua preocupação só aumentou.
— Aurora!
Assim que a viu sair do aeroporto, Carlos acenou imediatamente.
— Pai!
Aurora achava que já tinha superado tudo.
Mas, no instante em que viu o pai—
todas as emoções reprimidas desses dias vieram à tona.
As lágrimas simplesmente transbordaram.
— Minha menina… você sofreu tanto…
Carlos a abraçou com força.
— A partir de agora, não vamos mais ver aquele homem. Fique ao lado do papai. Minha Aurora é tão maravilhosa… longe dele, você vai encontrar alguém muito melhor.
Ele enxugou as lágrimas dela com carinho.
Quando Aurora foi entrar no carro—
percebeu que havia outra pessoa no banco de trás.
Ela ficou surpresa.
Parou por um instante, sem saber se devia entrar.
— Aurora, deixa eu te apresentar — disse o pai. — Este é meu aluno, Gabriel Duarte.
Aurora entrou no carro, um pouco constrangida.
— Olá… eu sou Aurora Nogueira.
Gabriel sorriu de forma gentil e natural:
— Prazer. O professor sempre fala de você. Hoje vejo que você é ainda mais bonita do que nas fotos do celular dele.
Carlos, mesmo morando no exterior, sempre se preocupava com a filha.
A foto dela era o papel de parede do celular dele.
Aurora ficou um pouco envergonhada.
— Obrigada… você também é bonito.
Gabriel não conseguiu evitar uma risada leve diante do elogio meio desajeitado dela.
Vendo que os dois estavam se dando bem, Carlos decidiu não interromper e se concentrou em dirigir.
Gabriel era alguém fácil de conversar.
De assuntos acadêmicos até memes da internet, ele conseguia acompanhar tudo o que Aurora dizia.
— Você não vai jantar lá em casa hoje? — perguntou Carlos.
Ele gostava muito desse aluno.
Sabia que estudar no exterior não era fácil, por isso frequentemente o convidava para comer em casa.
— Hoje não, professor. Ainda tenho algumas coisas do experimento para finalizar… preciso ir encontrar o professor Deville.
Depois de descer do carro, Gabriel se despediu educadamente dos dois e foi embora.
Carlos olhou pelo retrovisor para Aurora no banco de trás.
Hesitou por um momento antes de perguntar:
— O que você acha do Gabriel? Ele é dois anos mais novo que você, mas é maduro, educado…
Aurora respondeu com certa falta de energia:
— Pai… por enquanto, eu não quero entrar em outro relacionamento.
Ela realmente amava Ricardo.
Anos de convivência… não eram algo que se apagava tão facilmente.
Depois de sair de um relacionamento tão desgastante…
Aurora não queria se envolver com ninguém tão cedo.
Carlos entendia.
— Tudo bem… pelo menos façam amizade, conversem um pouco. Não se feche tanto. E agora… o que você pretende fazer?
Aurora estudava pintura a óleo.
Antes, planejava continuar se especializando.
Mas, depois de ficar com Ricardo, abandonou tudo.
Ricardo cuidava dela como se fosse algo precioso demais.
Ela praticamente não precisava fazer nada.
E, aos poucos… acabou colocando toda a sua vida em função dele.
Aurora sorriu com amargura.
Ainda não sabia se aquilo era amor… ou uma forma de prisão.
Ela olhou pela janela, observando a paisagem que passava rapidamente.
Depois de um longo silêncio, disse:
— Quero retomar minha carreira… e continuar meus estudos.
Carlos finalmente relaxou.
Ele sempre soube o quanto Aurora amava Ricardo.
Tinha medo de que, depois da separação, ela simplesmente se perdesse.
Mas agora…
vendo que ela tinha planos próprios—
ficou aliviado.
— Eu conheço alguns professores na universidade. Suas notas sempre foram ótimas. Posso te apresentar a eles quando for a hora.
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