"Sua Cópia Perfeita (Mas Eu Não Sou Ela)" Capítulo 3
Os dedos dele se apertaram levemente, as articulações ficando esbranquiçadas.
Mas, no instante seguinte, ele voltou ao normal.
Sorriu para ela, como sempre fazia.
— Já superei há muito tempo. Depois que terminamos, nunca mais tivemos contato. E no futuro também não vamos nos ver.
Aurora sentiu um gosto amargo subir à boca.
Ele mentia com tanta naturalidade…sem sequer franzir a testa.
Ele estendeu a mão para tocar o rosto dela.
Mas Aurora virou a cabeça instintivamente, evitando.
Esse gesto fez com que ele franzisse a testa.
Já não era a primeira vez.
Ela vinha rejeitando o toque dele repetidas vezes.
— Quem te contou isso? — o tom dele ficou mais sério. — Você tem estado estranha por causa disso?
Aurora estava prestes a responder—
quando o celular dele tocou.
Um som estridente, quase cortante.
Ricardo olhou para a tela.
Ficou em silêncio por alguns segundos.
Mas, no fim…atendeu.
Assim que a ligação foi conectada, a voz chorosa de Lívia veio do outro lado:
— Ricardo! Tem uns homens me seguindo… eu estou com medo…
A expressão dele mudou imediatamente.
— Me manda a localização.
Ele pegou o casaco e se virou para sair.
Sem nem olhar para Aurora:
— Meu amor, surgiu um problema urgente na empresa. Pegue um táxi depois.
Aurora não voltou para casa.
Como se fosse puxada por algo invisível, ela chamou um táxi… e o seguiu.
Em um beco escuro—
ela viu Ricardo protegendo Lívia atrás dele, enfrentando sozinho quatro ou cinco homens armados com bastões.
Ele parecia outra pessoa.
Cada golpe era duro, direto, sem hesitação.
Nada daquele homem calmo e controlado que ela conhecia.
Um dos agressores, com a cabeça sangrando, puxou de repente uma faca e avançou em direção a Lívia—
— Lívia!
Ricardo não hesitou.
Correu até ela e usou o próprio corpo como escudo.
A lâmina atravessou seu peito.
O sangue tingiu sua camisa branca em segundos.
— Ricardo! — Lívia o abraçou, chorando desesperadamente.
Ele caiu nos braços dela, a voz fraca… mas ainda gentil:
— Não tenha medo… eu prometi… que protegeria você pra sempre… e eu cumpro minhas promessas…
Aurora estava parada na entrada do beco.
Sentiu como se alguém arrancasse um pedaço do seu coração à força.
Do lado de fora da sala de cirurgia—
Lívia chorava, frágil e dramática:
— Ele sempre foi assim… uma vez correu uma corrida ilegal por mim e quase morreu… quando eu sofri um acidente, ele doou sangue até desmaiar…
Aurora encostou-se na parede.
Escutava em silêncio.
Então era assim…
Aquele homem sempre tão racional…
também era capaz de amar alguém ao ponto de perder a própria vida.
Só que…
essa pessoa nunca foi ela.
— A faca passou a um milímetro do coração — disse a enfermeira ao sair da sala. — A senhora Lívia está aqui? Precisamos de um familiar para assinar.
Lívia balançou a cabeça, chorando:
— Eu não sou da família… a esposa dele está ali.
A enfermeira olhou para Aurora, surpresa:
— Mas o paciente não para de chamar “Lívia”… e quando fez o testamento, disse que deixaria todos os bens para a senhorita Lívia…
Ela percebeu que falou demais e parou, constrangida.
Aurora… sorriu.
Sob o olhar cheio de pena da enfermeira, assinou o documento.
E se virou para ir embora.
— Espere! — Lívia a chamou. — Você não o ama? Ele ainda está em perigo… você não vai ficar para cuidar dele?
Aurora parou.
Mas não se virou.
— Antes… eu amava muito.
Sua voz estava estranhamente calma.
— Mas agora, eu já deixei isso para trás.
— Já que ele nunca conseguiu te esquecer… então eu deixo vocês dois ficarem juntos.
Depois de voltar para casa, Aurora começou a organizar, com calma e precisão, todos os documentos e bens.
O cartão adicional de Ricardo…
as joias…
os documentos das propriedades…
Tudo foi sendo colocado sobre a mesa, como se ela estivesse encerrando, peça por peça, um sonho absurdo.
Três dias depois, Ricardo recebeu alta.
Ele apareceu na porta de casa vestindo um terno impecável, a gravata perfeitamente ajustada — não havia nenhum sinal de que, poucos dias antes, estivera à beira da morte.
— Meu amor, a empresa anda muito ocupada… nem tive tempo de ficar com você.
Ele escondeu completamente o fato de ter sido hospitalizado.
Aproximou-se para abraçá-la.
Ainda havia um leve cheiro de desinfetante em seu corpo.
Aurora sabia.
Ele temia que ela desconfiasse.
Temia não saber como explicar.
Mas ele não sabia…
que ela tinha visto tudo.
Viu claramente…
como ele estava disposto a dar a própria vida por outra mulher.
— E o bebê? Como está? — ele perguntou de repente, olhando para a barriga dela. — Você tem tomado o remédio direitinho? Parece… que sua barriga diminuiu um pouco.
Ele estendeu a mão, querendo tocá-la.
Aurora recuou instintivamente.
— Não estou bem. Não me toque.
Sua voz era fria.
Ricardo franziu a testa, preocupado.
Chamou imediatamente os empregados para perguntar sobre a situação dela nos últimos dias.
Ao saber que ela não vinha tomando os remédios, sua expressão mudou drasticamente.
Ele foi pessoalmente até a cozinha preparar o remédio.
— Meu amor, seja boazinha. — Ele voltou com a tigela nas mãos, a voz suave como água. — Beba isso. É para o seu bem… assim você não vai sofrer tanto quando o bebê nascer.
Aurora olhou para o líquido escuro na tigela.
Estava prestes a recusar—
quando a campainha tocou.
Alguns amigos de Ricardo chegaram, com expressões sérias.
Ele pediu para ela descansar e levou todos para o escritório.
Assim que os passos se afastaram, Aurora despejou o remédio na pia.
Quando estava prestes a voltar para o quarto—
ouviu vozes alteradas vindo do escritório.
— Ricardo, a Lívia está sendo forçada pela família a um casamento arranjado. Ela se recusou, então a prenderam em casa. Depois de amanhã vão realizar a cerimônia à força.
Um som seco ecoou.
Como se uma xícara tivesse sido quebrada.
Depois de um longo silêncio—
a voz de Ricardo surgiu, fria e decidida:
— Eu entendi.
— “Entendeu” o quê? — alguém perguntou. — Não me diga que você vai…
— Eu não vou deixar que ela se case com alguém que não ama.
O escritório explodiu em vozes.
— Você está louco?! Vai sequestrar a noiva?
— Ricardo, você tem uma família! Sua esposa está grávida!
— Já pensou no que vão dizer da Aurora?
— E seu filho? Como ele vai viver com isso no futuro?
— Você não tem medo de ela pedir o divórcio?!
Em meio ao coro de reprovações—
a voz de Ricardo cortou tudo, firme e irredutível:
— Eu vou resolver isso. Essa história não vai chegar aos ouvidos da Aurora.
— E se ela descobrir?
Houve alguns segundos de silêncio.
Então, a resposta dele veio, baixa… mas clara:
— E daí? Eu dou um jeito. Basta mimá-la um pouco… ela me ama demais. Não consegue viver sem mim.
Aurora estava parada do lado de fora.
O rosto completamente pálido.
Sua mão, inconscientemente, foi até o peito.
Ainda havia um leve peso ali…mas não mais aquela dor dilacerante de antes.
Naquele instante—
ela percebeu.
Estava, pouco a pouco…deixando de amá-lo.
Ela realmente…já não o amava mais.
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