"O Ex Errou Feio: Minha Nova Chance de Felicidade" Capítulo 10
Não sei se Helena realmente entendeu o que eu disse.
Quando eu já ia desligar…ela me chamou de repente, com uma seriedade incomum na voz:
— “Camila… você não me odeia?”
Fiquei um pouco confusa.
— “Talvez antes eu não gostasse muito de você…”
— “Achava que você não tinha limites… nem vergonha.”
Fiz uma pausa.
— “Mas depois eu pensei melhor.”
— “Na verdade… a culpa é do Ricardo.”
— “Se ele te amasse de verdade, não teria se casado comigo e me machucado.”
— “E se ele me amasse de verdade… não teria continuado ligado a você… e te machucado também.”
Do outro lado…o silêncio se estendeu por um bom tempo.
Depois, a voz dela voltou — embargada:
— “Eu entendi…”
— “Obrigada.”
— “E… me desculpa.”
Não sei quanto daquelas palavras eram sinceras.
Mas, por causa de um homem…
duas mulheres que nem se conheciam…
se tornaram rivais,
depois fizeram as pazes,
e seguiram caminhos separados.
Era… irônico.
Triste.
Quase ridículo.
Pensando nisso…tomei uma decisão em silêncio:
nunca mais entregaria meu coração tão facilmente a homem nenhum.
Porque o amor…
faz as pessoas perderem a razão.
Olhei para o número da ligação — cinco minutos de duração.
No fim…não bloqueei.
Apenas salvei o contato:
【Helena】
Naquela noite…não sei se foi pelo cansaço do dia inteiro…
ou porque finalmente deixei tudo para trás…
dormi profundamente.
Tão profundamente…que, na manhã seguinte, não ouvi as várias ligações de Lucas.
Quando abri os olhos…dei de cara com o rosto dele, bem perto do meu.
Assustada, reagi instintivamente —
joguei um travesseiro nele.
— “Ai!”
O grito dele me fez despertar completamente.
Só então percebi…
aquele travesseiro era o meu travesseiro de trigo sarraceno.
Pesado.
— “Você tá bem?!”
perguntei, nervosa.
Lucas estava meio sentado no chão,
com a mão grande cobrindo metade do rosto.
Ele não respondeu.
Fiquei ainda mais preocupada e me aproximei para ver onde tinha acertado.
Mas, no instante em que me inclinei…
ele soltou a mão…
e se aproximou de mim.
De repente…
a distância entre nós desapareceu.
Tão perto…
que eu podia ouvir claramente o som do coração dele.
E o meu.
Piscar…
respirar…
tudo ficou lento.
Senti meu rosto esquentar pouco a pouco.
Foi então que uma voz alta interrompeu tudo:
— “Professor Lucas, a Camila já acordou?”
Nós dois levantamos a cabeça ao mesmo tempo.
Na porta…
estava Fernanda — minha melhor amiga no trabalho.
Ela olhou para a cena…
cobriu os olhos com a mão —
mas abriu uma frestinha para espiar.
— “Podem continuar! Finjam que eu não existo!”
Não consegui segurar o riso.
Levantei-me e estendi a mão para Lucas:
— “Levanta… nem te acertei direito e você já tá fingindo.”
— “Aliás… como vocês entraram?”
Fernanda respondeu:
— “Claro que pedi a chave na recepção!”
— “Se não fosse pra te arrumar pra atividade de hoje, você acha que ele teria essa chance de te acordar?”
Lucas segurou minha mão para se levantar…
e sorriu para ela:
— “Obrigado, professora Fernanda… por me dar essa oportunidade.”
— “De nada! Eu apoio vocês!”
ela disse, piscando de forma exagerada.
Eu realmente não aguentava mais aquela cena.
Virei-me e fui para o banheiro:
— “Me deem quinze minutos. Já saio.”
— “Ok!”
…
O destino do dia era o famoso
Parque das Flores de Algodão
da cidade.
Diziam que, naquela época do ano…
as flores vermelhas cobriam tudo como um mar em chamas.
Sentei novamente no banco do passageiro do G-Class de Lucas.
Só que, dessa vez…
o banco de trás estava ocupado por Fernanda,
que falava sem parar e nos enchia de lanches.
O caminho passou rápido.
Nada entediante.
Quando chegamos ao parque…
peguei uma grande quantidade de flores caídas.
Queria levá-las de volta para fazer marcadores de página ou espécimes…
e dar de presente aos meus alunos.
Lucas, por sua vez…
carregava uma pequena câmera e me seguia, gravando tudo.
Eu não fiz cerimônia.
Só pedi:
— “Não grava nada que me faça passar vergonha.”
Nesse momento…
uma rajada de vento passou.
Inúmeras flores vermelhas começaram a cair…
como uma chuva suave.
Eu estava ali…
no meio daquela cena quase irreal.
E foi justamente então…
que meu celular tocou.
Era Dona Teresa.
Franzi a testa e atendi.
Do outro lado…
a voz dela estava em pânico:
— “Cami… volta rápido!”
— “O Ricardo… fez uma loucura!”
A voz de Dona Teresa era tão alta…
que Lucas também ouviu tudo.
Trocamos um olhar.
Ambos franzimos a testa.
Eu conhecia Ricardo há seis anos.
Na minha memória…
ele sempre foi alguém extremamente controlado, racional.
Como alguém assim…
poderia tentar tirar a própria vida?
Mesmo sendo meu ex-marido…
ainda assim, pedi licença e decidi voltar para vê-lo.
Quando eu estava comprando a passagem…
Lucas segurou meu pulso.
Seu olhar estava sério:
— “Eu vou com você.”
Talvez com medo de que eu recusasse…
ele acrescentou rapidamente:
— “Vamos pelo acesso VIP.”
— “Quando chegarmos, eu te levo direto ao hospital.”
— “Meu carro alguém vai levar depois.”
Ele já tinha planejado tudo.
Diante disso…
não recusei.
…
Quando chegamos ao hospital…
Ricardo já estava fora de perigo.
Mas ainda estava na UTI.
Através do vidro…
olhei para ele, imóvel, quase sem vida.
E, pela primeira vez…
não soube o que sentir.
Nesse momento, Dona Teresa se aproximou, enxugando as lágrimas:
— “O Ricardo é médico… ele sabe exatamente onde atingir para ser fatal…”
— “Ele… realmente queria morrer…”
A voz dela tremia:
— “Os médicos disseram que, mesmo tendo sido salvo…”
— “ele… provavelmente nunca mais poderá operar.”
Ou seja…
as mãos dele estavam destruídas.
Meu coração apertou.
Tentei consolar:
— “Dona Teresa… ele é tão talentoso…”
— “mesmo que não possa mais ser médico…”
Mas…
não consegui terminar a frase.
Parecia vazio demais.
Ela abaixou a cabeça, cheia de culpa:
— “A culpa é minha…”
— “fui eu que não o eduquei direito…”
— “deixei ele se tornar alguém tão extremo…”
Depois, segurou minha mão:
— “Obrigada por ter vindo…”
— “Cami… você é uma boa menina.”
Ela suspirou:
— “Eu ainda achava… que vocês dois talvez tivessem uma chance…”
— “afinal, ele disse que queria mudar…”
— “agora vejo que fui eu que pensei demais…”
A mão dela apertou a minha com mais força:
— “Eu não vou mais tocar nesse assunto.”
— “O que passou… passou.”
— “Vou levar o Ricardo embora daqui.”
— “Não vou deixar ele voltar a te incomodar.”
“…vocês.”
Essa palavra me fez virar a cabeça.
E então vi… Lucas.
Parado ali, com uma expressão meio perdida… como se tivesse sido abandonado.
Suspirei, sem saber se ria ou se ficava irritada.
Depois de trocar mais algumas palavras com Dona Teresa… caminhei até ele.
— “Vamos.”
Lucas arregalou os olhos:
— “Já?”
Olhei para ele de lado:
— “Se você quiser ficar, pode.”
— “Eu vou!”
Ele respondeu rapidamente…
e murmurou baixinho:
— “Achei que você fosse ficar…”
— “esperando ele acordar…”
Estiquei a mão e belisquei levemente o braço dele.
— “Eu não sou médica.”
— “Nem enfermeira.”
— “O que eu ficaria fazendo aqui?”
Fiz uma pausa…e disse com calma:
— “Ex-esposa tem que agir como ex-esposa.”
Lucas riu.
Toda a tensão no olhar dele desapareceu.
…
Não voltamos para aquela cidade.
Voltamos direto para a escola.
Meio mês depois…
Dona Teresa me mandou uma mensagem.
Disse que Ricardo já tinha acordado…
e que o levaria para outra cidade para reabilitação.
Respondi apenas:
— “Que corra tudo bem.”
Depois disso…não tive mais nenhum contato com Ricardo…
nem com a família dele.
Até…três meses depois.
Eu e Lucas finalmente assumimos um relacionamento.
Decidimos tentar.
Certo dia…em uma rua que eu conhecia bem…vi uma figura de costas.
Muito parecida com Ricardo.
Quando tentei olhar melhor…ele já tinha desaparecido.
Naquela mesma noite…na porta da minha casa…havia quinze buquês de flores.
Peguei um por um.
Cinco diziam:
【Cami, feliz aniversário de casamento.】
Outros cinco:
【Cami, feliz Dia dos Namorados.】
E os últimos cinco:
【Cami, feliz aniversário.】
Não precisei pensar muito.
Sabia exatamente quem tinha enviado.
E também entendi…que eu não tinha me enganado durante o dia.
Dentro de cada buquê…havia um presente.
Colares, pulseiras…até cartões de lojas de luxo.
Franzi a testa.
Nesse momento…uma mensagem de um número desconhecido chegou:
— “Cami… nós nos mudamos para outra cidade.”
— “Não vamos mais voltar.”
— “Essas coisas… você pode fazer o que quiser.”
— “Desejo felicidade a você e ao Lucas.”
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