"O Ex Errou Feio: Minha Nova Chance de Felicidade" Capítulo 8
Dona Teresa provavelmente ouviu o barulho do meu lado da linha e, como sempre, foi compreensiva:
— “Cami, pensa com calma… não vou te incomodar mais.”
Depois disso, desligou.
Arrumei rapidamente as roupas que tinha bagunçado na cama e caminhei até a porta.
Assim que abri…
Lucas, que ainda estava prestes a bater novamente, arqueou uma sobrancelha ao me ver.
— “Professora Camila… estou com fome.”
Aquele jeito dele…
onde estava o “professor frio e distante” da primeira impressão?
Aquilo parecia mais um cachorro grande abanando o rabo.
Não consegui segurar o riso.
Lucas ficou confuso… mas acabou rindo junto comigo.
Quando finalmente nos acalmamos, perguntei, ainda sorrindo:
— “Por que você está rindo?”
Ele respondeu sem pensar:
— “Não sei. Se você ri… eu também tenho vontade de rir.”
Ao ouvir aquilo, tive ainda mais certeza:
por trás da aparência fria… ele era completamente um “golden retriever”.
Lucas parecia conhecer bem a cidade.
Ele me levou com naturalidade por várias ruas até entrar em uma pequena rua antiga e charmosa.
Percebendo minha curiosidade, explicou:
— “Minha mãe é daqui, então venho com frequência.”
— “Esse restaurante é típico da cidade. A sopa de ouro e jade e os rolinhos de pêssego são famosos. Até o chá é de uma casa centenária.”
Não consegui evitar rir de novo.
Como alguém consegue descrever comida como se estivesse lendo um anúncio?
Sob meu olhar divertido, as orelhas dele ficaram levemente vermelhas.
Sem saber onde se enfiar, disse rapidamente:
— “Vou pedir os pratos.”
E praticamente fugiu.
Olhei para o restaurante ao redor.
Prateleiras com antiguidades formavam uma espécie de divisória.
Mais adiante, o espaço se abria completamente…
com paredes cobertas por flores da estação, especialmente rosas.
Sem perceber, Lucas já estava ao meu lado novamente, explicando em voz baixa:
— “Essa é chamada ‘Pierre de Ronsard’. Mais à frente, ‘Pink Dragon’… e ali tem ‘Canário’, ‘Blue Rain’, ‘Juice Balcony’…”
— “Por isso o restaurante se chama ‘Primavera Eterna’.”
— “…Primavera Eterna…” repeti, olhando para o perfil dele.
— “Como você sabe tanto? Costuma trazer colegas aqui?”
Ele pareceu não gostar nada da pergunta.
Piscou e respondeu:
— “Esse é um lugar muito especial pra mim.”
— “Se não for alguém especial… eu não trago.”
Fiquei em silêncio por um instante.
De novo… “destino”.
Brinquei:
— “Você acredita tanto em destino assim? É religião ou filosofia?”
— “Nós, professores, não devemos incentivar superstição.”
Ele me lançou um olhar de lado, com um tom meio provocador:
— “Então por que você usa qipao no dia do exame dos seus alunos… e ainda vai ao templo acender o primeiro incenso do ano por eles?”
Imediatamente estreitei os olhos.
Ele percebeu que falou demais…
e mudou de assunto rapidamente:
— “Os pratos devem estar prontos. Vamos para o segundo andar.”
No segundo andar, sentamos perto da janela.
Dava para ver tanto o jardim florido quanto o lago ao longe.
Lucas serviu uma xícara de chá de osmanthus para mim.
Logo depois, os pratos começaram a chegar.
Um após o outro…
todos relacionados a flores.
Peixe com crisântemo, sopa de pétalas de rosa, ovo com jasmim, flor de magnólia frita…
E, por fim, um pequeno bonsai de pessegueiro.
Com uma leve chuva artificial…
os botões de flor se abriam lentamente diante dos meus olhos.
Fiquei completamente encantada.
Lucas me observava, com um sorriso leve nos olhos.
— “E aí? Já me perdoou pelo que eu disse antes?”
Se ele não tivesse mencionado…
eu já teria esquecido completamente.
Mas, ao trazer o assunto de volta, minha curiosidade voltou junto.
— “Então… como você sabe essas coisas sobre mim?”
Isso foi no segundo ano do meu casamento com Ricardo…
já fazia três anos.
Como ele sabia?
Lucas ficou em silêncio por um momento.
Depois, olhou para mim e disse suavemente:
— “Camila… você olha a paisagem da ponte.”
— “Mas quem observa a paisagem… está olhando para você.”
Lucas recitou um poema moderno de
Bian Zhilin
…
e eu, como professora de língua, senti meu rosto esquentar imediatamente.
Por um instante…
nem tive coragem de encarar aqueles olhos dele — profundos, cheios de intenção, quase transbordando sentimento.
Lucas me observava fixamente…
e avançou mais um passo.
— “Camila… eu sei que você já se divorciou do Ricardo.”
— “Então tudo aquilo que você suspeitou antes… era verdade.”
— “Nada foi coincidência.”
— “Fui eu quem criou cada uma daquelas ‘coincidências’… só para ter uma chance de te conhecer… de me aproximar… de ficar ao seu lado.”
Ele fez uma breve pausa…
como se finalmente tivesse decidido revelar tudo.
— “Na verdade… este restaurante é da minha mãe.”
— “Ela sempre disse… que, se um dia eu me apaixonasse por alguém… deveria trazê-la aqui.”
A voz dele ficou mais baixa.
— “Então… se você acha que eu te invadi demais, que fui calculista, que te deixei desconfortável…”
— “depois do jantar, eu te levo de volta para o hotel…”
— “e nunca mais apareço na sua frente.”
— “Nunca mais te incomodo.”
Fiquei em silêncio.
Muito tempo.
Só depois voltei a olhar para ele… e perguntei suavemente:
— “E a sua mãe?”
Lucas ficou imóvel por um instante.
Nos olhos dele… surgiu uma sombra de tristeza.
— “Naquele ano… o primeiro incenso que eu acendi no templo…”
— “foi para rezar por ela. Ela estava gravemente doente.”
Ele respirou fundo.
— “Acho que… te encontrar foi, de alguma forma…”
— “o último presente que ela me deixou.”
De repente…
não soube mais o que dizer.
Só consegui baixar a voz:
— “Desculpa… eu não sabia…”
Lucas soltou um pequeno suspiro, com um sorriso meio resignado:
— “E o que isso tem a ver com você?”
Logo em seguida, ele se desculpou também:
— “Desculpa… eu não devia ter tocado nesse assunto.”
— “Acabei te deixando desconfortável.”
Ficamos nos olhando…
e, de repente, rimos ao mesmo tempo.
Era estranho.
Quem é que sai para o primeiro jantar…
e começa pedindo desculpas um ao outro?
No fim, foi Lucas quem quebrou o clima:
— “Vamos comer… antes que esfrie.”
— “Depois, se quiser, você pode levar um pouco para o hotel.”
Assenti levemente.
Aquele jantar…
começou com um pequeno tropeço.
Mas, depois disso…
tudo fluiu de forma surpreendentemente agradável.
Lucas era professor de física na nossa escola —
um típico homem de exatas.
Mas a mãe dele…
era justamente uma escritora que eu sempre admirei.
Talvez por isso…
muitos dos livros que eu amava, ele também conhecia profundamente.
Conversávamos sem parar.
Natural. Leve.
Sem esforço.
Depois do jantar, ele hesitou por um instante…
e perguntou com cuidado:
— “Então… a gente pode continuar se vendo?”
Olhei para ele… e sorri.
— “Claro.”
— “Um lugar tão bonito… e a comida tão boa…”
— “eu ainda quero voltar aqui.”
Ao ouvir isso…
ele finalmente soltou o ar que parecia estar segurando.
E sorriu.
Um sorriso sincero, aberto…
tão luminoso que, por um instante, eu fiquei sem reação.
Eu nunca tinha visto ele sorrir assim.
Foi nesse momento…
que uma voz familiar surgiu atrás de nós:
— “Camila!”
Eu e Lucas viramos ao mesmo tempo.
Na entrada…
Ricardo estava ali.
Ofegante.
Como se tivesse vindo correndo até aqui.
Franzi a testa.
E, instintivamente…
Lucas deu um passo à frente, me protegendo atrás dele.
Esse pequeno gesto… foi suficiente para fazer os olhos de Ricardo ficarem vermelhos.
Ele caminhou até nós, tentando conter as emoções… e encarou Lucas:
— “Quem é você?”
— “E por que você trouxe ela aqui?”
Lucas respondeu sem expressão.
Mas a aura ao redor dele… ficou repentinamente fria.
— “Isso não tem nada a ver com você.”
— “Ou será que… como ex-marido… você ainda acha que pode controlar demais?”
A palavra “ex-marido”… atingiu em cheio.
O rosto de Ricardo escureceu por um instante.
Mas logo ele voltou a me olhar.
— “Cami… eu vim te procurar.”
— “Podemos conversar em outro lugar?”
Eu realmente achei…
que ele já tinha entendido tudo nesses últimos meses.
Mas claramente… não era o caso.
Olhei para o rosto pálido e abatido dele…
e senti apenas irritação.
— “Você ainda vai insistir até quando?”
— “Isso de ficar insistindo não combina muito com você, Dr. Ricardo.”
Ele congelou no lugar.
Os lábios se moveram levemente…
e a voz saiu com um amargor contido:
— “Cami… eu só quero que você me dê mais uma chance…”
— “uma chance de te amar direito.”
Antes que eu pudesse responder…
Lucas falou friamente:
— “Impossível.”
Ele encarou Ricardo, palavra por palavra:
— “Absolutamente impossível.”
— “Enquanto eu estiver aqui…”
— “você não vai ter essa chance.”
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