"Híbrido Humano-cobra Que Eu Criei Me Sequestra" Capítulo 9
Abril. O cio das cobras começou.
"E se eu ainda não quiser? O que você vai fazer?"
De repente, me acalmei. Olhei diretamente nos olhos dele.
Yan cerrou os dentes, os cantos dos olhos avermelhados. "Você, essa pergunta não significa nada para mim agora."
Tentei empurrá-lo, mas ele não se moveu.
Desisti de lutar. Já era adulta há muito tempo. Sabia lidar com essas coisas.
Só queria saber se Yan realmente desrespeitaria minha vontade.
Ele me encarou. Influenciado pelos hormônios do período, seu rosto, normalmente pálido, estava levemente ruborizado. Seu pomo-de-adão se moveu. Ele franziu a testa ainda mais.
"Você é mesmo... tão insensível comigo?"
Fiquei imóvel, esperando sua reação.
Vendo que eu não respondia, depois de um tempo, como quem se resigna, ele baixou a cabeça e riu com desdém. "Deixa pra lá. Se eu pudesse ser cruel, já teria sido..."
Meu coração se moveu. Continuei testando: "Então o que você disse antes era só para me assustar?"
Yan só mordeu o lábio, sem responder.
Depois de um longo tempo, ele de repente me soltou. Sua expressão escureceu.
"Vai logo! E tranca a porta. De qualquer forma, só abre daqui a uma semana!"
Dizendo isso, Yan me pegou pelo braço e me empurrou para fora da porta.
Olhei para o braço dele. Havia algumas gotas de sangue, provavelmente mordidas por ele mesmo antes de eu entrar.
Na verdade, se Yan quisesse me forçar, não precisava esperar até agora.
Esse jovem, que criei por três anos, ainda me respeitava. Se eu não visse seus sentimentos por mim, seria uma idiota.
"Tá bom, eu aceito." Parei.
O olhar de Yan escureceu completamente. Seus lábios vermelhos se curvaram num sorriso.
"Foi você quem disse..."
...
Quando acordei, olhei pela janela. Escuridão total.
Peguei o celular. Quatro dias tinham se passado.
Desde aquele dia, fiquei quatro dias naquele quarto, num turbilhão.
Cenas passaram pela minha cabeça. A vergonha apertou meu peito. Levantei o cobertor e me sentei. A dor aguda no corpo me fez despertar um pouco.
Embora soubesse muito sobre cobras, quando a experiência foi comigo mesma, não pude deixar de tremer.
"Você..." Um par de braços me abraçou por trás. A cabeça de Yan apoiada no meu ombro, sua voz rouca de quem acabou de acordar.
Congelei, imóvel.
"Você é minha. Estou tão feliz." Ele beijou minha nuca.
Virou meu rosto e me beijou de novo. "Já que aceitou, significa que tenho um lugar no seu coração, não é?"
Olhei para as mãos dele na minha cintura, um pouco atordoada.
Tinha mesmo um lugar? Não tinha certeza.
Ficar com meu próprio experimento? Nunca tinha pensado nisso.
Vendo que eu não respondia, Yan se aproximou de novo, murmurando sem parar: "Você. Fica comigo, por favor. Depois que o inibidor ficar pronto, quero viajar o mundo com você. Se quiser, podemos ter um filho..."
Pensou em algo, hesitou e franziu a testa.
"Não, é melhor não. Seu olhar já está sempre em mim. Se vier um filho, vai atrapalhar."
"..."
Olhei para o rosto frio, mas com olhar apaixonado de Yan.
Algo dentro de mim parecia derreter.
Ouvi minha própria voz dizer suavemente: "Está bem."
Ouvindo minha resposta, os olhos de Yan brilharam ainda mais. Seu sorriso se aprofundou.
De repente, me lembrei do Yan obediente de quando era pequeno.
"Sempre quis me desculpar por te manter isolada do mundo."
Ele me soltou, pegou algo no criado-mudo e me entregou.
Olhei para baixo. Era meu celular.
Um sentimento estranho passou por mim.
Sim, desde que me sequestrou, ele tinha tomado meu celular. E em todas as videoconferências com os especialistas sobre o inibidor, ele estava ao meu lado, para evitar que eu me comunicasse com o exterior.
Ele me abraçou, lambendo minha orelha: "Espero que você não traia minha confiança."
Retribuí o abraço, murmurando um "hum".
...
Em seguida, após inúmeros testes, eu, Yan e os virologistas finalmente conseguimos desenvolver o inibidor do vírus AU.
Depois, entramos na fase de monitoramento do inibidor.
Felizmente, tudo correu bem. Os animais infectados começaram a se recuperar.
Logo, a notícia se espalhou como fogo pelo mundo da biologia.
Quando soube, Yan estava comigo no sofá, vendo um filme.
Olhando as notícias no celular, suspirei aliviada.
Se tudo corresse bem, a natureza voltaria ao normal.
Yan apoiou o queixo no topo da minha cabeça. "Você, está satisfeita com essa conquista?"
Larguei o celular e ia responder, quando um estrondo me calou.
A porta da vila foi arrombada. Um batalhão de soldados armados invadiu, apontando suas armas para Yan.
"Parado!"
"Largue a Dra. Ferreira!"
A mão de Yan na minha cintura parou. Ele olhou para os soldados sem expressão, depois para mim.
Não esperava que, num momento de perigo, Yan conseguisse manter uma calma impressionante.
Ele só me encarava. Ergui a cabeça e o encarei de volta.
Seus olhos estavam gélidos. "Ha... no final, você fez a ligação, não é?"
Não disse nada. Sem expressão, tirei a seringa escondida na manga e apliquei uma injeção na coxa de Yan.
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