"A Traição do Falso Irmão" Capítulo 3
— Ah, e mais uma coisa — acrescentei, com frieza — você, sua “irmã” Camila… e o Carlos.
— Os três podem ir embora juntos.
Cruzei os braços e finalizei:
— A família Azevedo não é lugar pra qualquer um entrar!
Minhas palavras caíram como uma bomba.
O salão inteiro ficou em choque.
— O que foi que a Isabela disse?!
— A falsa herdeira ainda quer inverter o jogo e dizer que o irmão é falso? Que absurdo!
— Mas… ela estava tão calma desde o começo… será que tem reviravolta?
Lucas arregalou os olhos, me encarando.
Quando caiu na real, começou a rir descontroladamente, segurando a barriga, como se tivesse ouvido a maior piada do mundo.
— Isabela, você bateu a cabeça ou enlouqueceu? — zombou — Como eu poderia ser falso?
— Eu e a Camila somos praticamente idênticos! O exame prova que somos irmãos!
Eu puxei uma cadeira com tranquilidade, sentei e cruzei os braços, observando-o como quem assiste a um espetáculo barato.
— O exame prova que você e a Camila são irmãos… — falei, calma —
— e isso, na sua cabeça, automaticamente prova que você é filho da família Azevedo?
Inclinei levemente a cabeça, com um sorriso frio.
— Lucas… foi seu professor de educação física que te ensinou lógica?
Fiz uma pausa, deixando meu olhar passar por Carlos, cujo rosto já começava a mudar…
e por Camila, que desviava os olhos, claramente nervosa.
— Tentar me enganar desse jeito… vocês realmente acham que têm nível pra isso?
Lucas ficou sem resposta por um instante, engasgado.
Mas logo ergueu o queixo, forçando segurança:
— Claro que eu sou filho da família Azevedo! Eu cresci aqui desde que nasci!
— Eu sou o único filho deles! Que prova você tem pra dizer o contrário?!
Ele falava com pressa, tentando se afirmar…
mas já havia uma falta de firmeza evidente na voz.
Percebendo isso, Camila entrou no meio, tentando salvar a situação:
— Isa… o que você está dizendo?
— Só porque você não consegue aceitar a realidade, vai inventar coisas assim pra nos difamar?
Ergui uma sobrancelha.
— Já está entrando em desespero?
— Calma… o melhor ainda está por vir.
Carlos tentou se aproximar, com aquele tom falso de preocupação:
— Isa, vem com o papai… vamos pra casa, para de fazer escândalo.
— A família Duarte pode não ser rica como a Azevedo… mas eu vou te dar uma vida digna.
Soltei uma risada fria e respondi sem piedade:
— Você se chamar de meu pai não te dá medo de morrer mais cedo?
O rosto dele ficou vermelho de raiva, mas, cercado de gente, não podia fazer nada.
Os três, sem argumentos, começaram a perder a compostura.
Lucas respirou fundo, tentando recuperar o controle, e riu com desdém:
— Isabela… isso é só o seu último esforço inútil.
— Hoje, nem que o céu caia, você vai sair da família Azevedo!
Ele fez um gesto.
Os seguranças começaram a se aproximar de mim.
A voz dele ficou fria, quase sombria:
— Não importa como… tirem ela daqui.
Camila, fingindo preocupação, acrescentou:
— Os seguranças não têm muito cuidado… Isa, é melhor você sair sozinha.
— Vai ser pior ainda se, além de perder o título de herdeira, você sair daqui machucada.
Carlos também entrou na encenação:
— Isa, a família Azevedo te tratou bem todos esses anos… não dificulta mais as coisas pro Lucas e pra Camila.
Olhei para os três — perfeitamente sincronizados, desesperados para me expulsar dali.
Senti apenas nojo.
No exato momento em que a mão de um segurança estava prestes a me tocar—
eu virei o olhar para o meu pai.
— Pai… já está na hora de limpar a casa.
No segundo seguinte—
todos os seguranças pararam.
— Lucas, já passou dos limites!
Meu pai avançou até ele… e lhe deu um tapa forte no rosto.
— Eu te deixei viver na família Azevedo não foi pra você humilhar a minha filha!
Lucas ficou atordoado com o golpe.
Mas, mesmo assim, captou imediatamente o que havia por trás daquelas palavras.
Ele ergueu os olhos, confuso e inquieto:
— Pai… o que isso quer dizer?
Meu pai não respondeu.
Quem falou… foi minha mãe.
Ela olhou para Lucas com uma decepção profunda, a voz carregada de um cansaço que nunca tinha demonstrado antes:
— A Isa está certa…
— Você não é da família Azevedo.
Ela fez uma pausa.
— Você não tem nenhum laço de sangue com a gente.
As palavras da minha mãe foram leves…
mas atingiram todos ali como um trovão.
Exceto nós três.
O salão explodiu novamente.
— Então teve reviravolta mesmo! O Lucas não é filho biológico!
— Agora faz sentido! O casal Azevedo sempre protegeu a Isabela… ela é a verdadeira herdeira!
— O Lucas cavou a própria cova!
— Exatamente! Se ele tivesse ficado quieto, continuaria como o “filho da família”… agora quem vai ser expulso é ele!
Lucas ficou pálido.
Seu corpo vacilou, como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés.
Ele olhou para meus pais, desesperado, tentando confirmar:
— Pai… mãe… vocês estão brincando comigo, né?
— Eu sou o filho de vocês… o herdeiro da família Azevedo… a impostora é a Isabela… não é isso?
Mas a resposta que recebeu foram dois rostos cada vez mais frios.
Meus pais balançaram a cabeça, com um suspiro pesado:
— Lucas… você nos decepcionou demais.
Ele ainda não aceitava.
— Palavras não provam nada! — gritou — Desde pequeno vocês sempre favoreceram a Isabela!
— Agora, pra proteger ela, vocês vão negar o próprio filho?!
— Se dizem que eu não sou da família Azevedo… então cadê as provas?! Mostrem as provas!
Camila concordou imediatamente, como se fosse um eco:
— É isso mesmo! Pai, mãe… vocês não podem tratar o Lucas assim!
— Ele é o filho de vocês! Como podem inventar uma coisa dessas só porque a Isa não quer sair?
Ela fez uma pausa, respirando fundo, e continuou com uma emoção quase perfeita:
— Se vocês não quiserem me reconhecer… eu posso ir embora…
— Mas, não importa onde eu esteja… sempre vou pensar em vocês…
Quem não conhecesse…
realmente acreditaria que ela era uma filha abandonada.
Mas, ao lado dela, Carlos estava completamente diferente.
O rosto branco como papel.
Os lábios tremendo.
— Como… como descobriram…? Isso não é possível… não pode ser…
Ao verem a reação dele, Lucas e Camila provavelmente já entenderam a verdade.
Mesmo assim, continuaram insistindo, agarrados à última esperança:
— Provas! Queremos provas!
Eu já não tinha paciência para aquela encenação.
Então encerrei o baile ali mesmo.
Levei todos diretamente para o hospital.
Se queriam provas… então teriam.
Durante a espera pelos resultados, Lucas e Camila tentavam manter a aparência…
mas a insegurança era visível.
Carlos tentou fugir discretamente —
mas foi impedido pelos seguranças.
Uma hora depois…
os resultados ficaram prontos.
Conclusão do exame:
Lucas Azevedo e Camila Duarte…
possuem vínculo biológico direto com Carlos Duarte.
Apenas aquele primeiro laudo…
já era suficiente para encerrar tudo.
Mas Lucas ainda não aceitava.
Ele insistiu em ver todos os relatórios.
E então… desmoronou.
— Isso… isso não pode ser… — murmurava, em choque —
— Como eu não sou filho da família Azevedo?
— Como eu posso ser filho de um motorista?! Isso é impossível!
Camila, ignorando completamente o estado dele, agarrou seu braço e começou a cobrar:
— Lucas! Você não disse que eu era a verdadeira herdeira da família Azevedo?!
— Que depois de hoje eu teria uma vida de luxo?!
— Por que você mentiu pra mim?!
Lucas mal conseguia se sustentar… quanto mais lidar com ela.
Irritado, ele se soltou e deu dois tapas nela.
Só assim Camila largou.
No instante seguinte—
Lucas caiu de joelhos diante de mim e dos meus pais.
As lágrimas escorriam sem controle.
— Pai… mãe… Isa… me perdoem! — implorou —
— Eu fui enganado por eles… foi por isso que fiz tudo isso…
— Por favor, perdoem! Somos uma família… me deem mais uma chance!
Ele começou a se humilhar ainda mais:
— Eu prometo que vou mudar… nunca mais vou desrespeitar a Isa…
— Posso fazer qualquer coisa… até servir ela, se for preciso…
— Só… só não me mandem embora…
Mas meus pais não se comoveram.
O que restava… era apenas decepção.
Minha mãe falou, cansada:
— Nós te criamos até hoje. Já fizemos mais do que o suficiente.
Meu pai completou, com frieza absoluta:
— A família Azevedo não é um lugar onde qualquer um entra e fica.
— Você, a Camila… e o seu pai de intenções duvidosas…
Ele fez uma pausa.
— A partir de hoje… nunca mais deem um passo dentro da família Azevedo.
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