"Depois de Tudo, Eu Renasci" Capítulo 10
Depois de alguns dias internado—
Leonardo decidiu receber alta antecipadamente.
No segundo dia após descobrir que Clara havia ido embora—
Ele já havia marcado o divórcio com Isabela.
Agora, o período obrigatório de trinta dias havia terminado.
Ele precisava obter o certificado de divórcio o quanto antes.
Naquele dia—
Isabela chorou bastante.
Mas, no fim, não disse nada.
Apenas o acompanhou obedientemente para formalizar o processo.
Seus olhos, úmidos, fixaram-se nele enquanto dizia suavemente:
— Você precisa ser feliz…
Leonardo ainda guardava ressentimento em relação a ela.
Mas, ao vê-la tão “compreensiva”—
Não teve coragem de culpá-la.
Chegou até a concordar em não tornar público, por enquanto, o divórcio.
Ele dirigiu até a casa dela.
Ao chegar à porta—
Estava prestes a entrar.
Mas ouviu vozes vindas de dentro.
— Aquela Clara… depois de ver aquelas mensagens, por que não morreu logo? Ficar brincando de desaparecer… já faz um mês, por que o Leonardo ainda não esqueceu ela?!
— O que aquela mulher tem de especial? Ainda bem que eu já estou grávida… três meses agora, o bebê já está estável. Quando eu contar isso para a família Vasconcelos, não importa o quanto ele faça escândalo, não vai conseguir se divorciar de mim!
— Por que você está com ciúmes? Eu sempre amei você. Esse bebê pode ser dele… mas o próximo vai ser seu, tá bom?
As palavras, entrecortadas—
Foram como lâminas afiadas.
Cravando-se, uma após a outra, no coração de Leonardo.
Sua respiração se tornou pesada.
Os olhos—
Vermelhos.
A porta foi aberta com força.
Isabela, assustada, desligou o telefone imediatamente.
O rosto cheio de nervosismo.
Forçou um sorriso:
— Leo… você não devia estar descansando? Por que já teve alta?
— Com quem você estava falando?
A voz dele era fria.
Extremamente fria.
Ao ouvir isso—
As pupilas dela se contraíram.
Ela ajeitou os cabelos, tentando parecer calma.
— Leo… eu estava falando com uma amiga. Ela perguntou se eu gostei dos novos lançamentos da marca King… mas, ao pensar que vamos nos separar, fiquei triste… e só respondi qualquer coisa.
— O que foi?
Leonardo soltou uma risada baixa.
E deu um passo à frente.
Depois outro.
Aproximando-se lentamente.
— Quem você chamou de “vadia”? E quem estava com ciúmes de você?
O rosto de Isabela ficou instantaneamente pálido.
Ela segurou a manga dele com força.
Os olhos cheios de súplica.
— Não é isso, Leo… você ouviu errado. Minha amiga estava com ciúmes porque eu passei todo esse tempo com você e não fui fazer compras com ela… não chamei ninguém de nada…
Leonardo puxou o braço, afastando-a.
Seus olhos—
Sombrio.
Perigoso.
— O que você fez… pelas minhas costas?
— Não me obrigue a descobrir por conta própria. Você fez alguma coisa… disse alguma coisa… que fez a Clara ir embora!
Ela começou a chorar, como sempre fazia.
As lágrimas caíam sem parar.
A voz entrecortada:
— Eu não fiz nada! Eu só soube disso quando você me contou… eu não fiz nada, Leo!
Mas, desta vez—
Ele não se comoveu.
Leonardo segurou o pulso dela.
A expressão distorcida.
A força em sua mão aumentava gradualmente—
Como se fosse esmagá-lo.
— Isabela Montenegro… eu não tenho paciência para continuar com esse teatro.
— É melhor você dizer a verdade. Tudo o que sabe.
— Caso contrário…
Ele se inclinou levemente.
A voz baixa.
Gélida.
— Você sabe muito bem… que eu nunca fui alguém misericordioso.
As lágrimas de Isabela cessaram.
Seus braços caíram, fracos, ao lado do corpo.
Ela olhava para Leonardo, completamente confusa.
Não conseguia entender—
Por que a atitude dele havia mudado tão rápido.
Antes—
Bastava ela chorar—
E ele ficava mais aflito do que qualquer um.
Mas agora—
Nos olhos dele, só havia indiferença.
Como se, mesmo que ela chorasse até secar todas as lágrimas—
Ele não se comoveria nem um pouco.
Isabela não ousava admitir—
As provocações que fez contra Clara.
Nem as armadilhas que havia preparado.
Ela manteve os lábios firmemente fechados.
Quase desesperada, implorou:
— Leo… eu não fiz nada. Você acredita em mim, não acredita? A Clara é tão boa… você me ajudou tanto… eu só tenho gratidão por vocês. Como eu poderia fazer algo contra ela?
— Eu sei que ela nunca gostou muito de mim… e dessa vez ela está fazendo birra há mais tempo… mas Leo, você não pode me tratar assim só porque ela foi embora…
Enquanto falava—
Forçou mais algumas lágrimas.
Leonardo sempre fora fácil de convencer.
Ela só precisava que ele amolecesse o coração—
E deixasse tudo passar.
De qualquer forma—
Ele talvez nem tivesse ouvido tudo.
E mesmo que tivesse—
Ela poderia dizer que eram palavras de uma amiga.
Que ela apenas estava tentando acalmar a situação.
Desde que ele não insistisse—
Quando ela revelasse que estava grávida dele…
Com o tempo, com convivência…
E com os sentimentos antigos—
Ela ainda conseguiria fazê-lo amar apenas a ela.
Mas—
O homem diante dela já não era o mesmo.
Um riso frio escapou de seus lábios.
Carregado de desprezo.
— Você realmente não sabe se arrepender nem quando está à beira do fim… depois de tantos anos, ainda não entendeu que tipo de pessoa eu sou?
— Isabela… minha paciência tem limite.
De repente—
BAM!
Ele pressionou a cabeça dela contra a mesa.
A mão apertou seu pescoço com força.
— Se é assim… então não preciso mais ouvir você. Posso simplesmente contar tudo à sua família. Tenho certeza de que eles vão adorar levá-la de volta.
O sufocamento—
Parecia menos assustador do que aquela ameaça.
Na mente dela, surgiu a imagem do pai—
Aquele rosto repugnante, decidindo casá-la com um velho.
O pânico tomou conta.
Ela quase enlouqueceu.
— Não! Não conte para eles! Eu falo! Leo… eu conto tudo!
Só então—
Ele afrouxou a mão lentamente.
— Fale.
— Cof… cof…
O ar frio invadiu seus pulmões de repente.
Ela tossiu violentamente.
Mas não ousou parar.
Respirando com dificuldade, disse:
— Você… você pode olhar meu celular!
Com mãos trêmulas, desbloqueou o aparelho e entregou a ele.
— Eu não fiz nada… vocês estão me entendendo mal…
Por dentro—
Ela se sentia aliviada.
Felizmente, já havia apagado todas as mensagens provocando Clara.
Mas Leonardo—
Bastou um olhar—
Para perceber que ela ainda estava fingindo.
Ele tomou o celular das mãos dela.
Decidido a enviá-lo para alguém especializado—
Para recuperar todos os dados apagados.
Ao ouvir ele falando ao telefone—
Isabela sentiu o mundo desabar.
Agarrou o braço dele com força.
Implorando desesperadamente:
— Leo… por favor, acredita em mim… só dessa vez… não mande recuperar os dados…
Mas desta vez—
Ele não pretendia dar outra chance.
Já havia dado chances demais.
E ela não soube aproveitá-las.
Olhando para Isabela, caída no chão—
Leonardo falou com frieza ao assistente:
— Investigue tudo. Quero saber exatamente o que ela fez com a Clara.
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