"Depois de Tudo, Eu Renasci" Capítulo 9
Com exceção de Clara, todos haviam bebido alguns copos.
Os rostos estavam levemente corados—
Claramente um pouco embriagados.
Não se sabia quem começou—
Mas, de repente, o assunto virou ex-namorados.
Algumas riam sem parar.
Outras tinham os olhos marejados.
Algumas histórias eram tão absurdas que Sofia Sun gargalhava sem conseguir parar.
Ela cutucou Clara, a única ainda sóbria ao seu lado:
— E você, Clara?
Clara ficou atônita por um instante.
As lembranças vieram à tona, inevitáveis.
Mas, de repente—
Ela sentiu que não conseguia falar.
Depois de tanto tempo, mencionar Leonardo já não lhe causava dor.
Mas, diante daquelas garotas mais jovens, ainda estudantes…
Ela realmente não sabia como começar.
O ambiente ficou em silêncio por alguns segundos.
Sofia percebeu—
E rapidamente mudou de assunto, evitando deixá-la constrangida.
Quando todos foram embora—
Sofia já estava mais lúcida.
Aproximou-se, com cuidado, e pediu desculpas:
— Desculpa, Clara… eu bebi demais. Falei sem pensar.
Clara sorriu.
Acariciou suavemente a cabeça da garota, que parecia arrependida.
— Está tudo bem. Vá descansar.
Depois de arrumar tudo—
Clara tomou banho e deitou-se.
Pegou o celular.
Abriu o novo WeChat que havia criado antes de vir para a Austrália.
Aquela conta—
Ela só havia compartilhado com uma única amiga.
Ninguém mais sabia onde ela estava.
Nem como entrar em contato com ela.
Ao olhar a tela—
Seus olhos se arregalaram.
Dezenas de mensagens.
E continuavam chegando.
Ela abriu para ver rapidamente—
E percebeu que quase todas tinham algo em comum.
Leonardo.
— “Esse Leonardo está maluco? Antes não estava feliz com a tal ‘amor da vida’? Agora que você foi embora, parece que despertou e percebeu o quanto você era importante. Sério, patético. Acha que é protagonista de novela? Que basta se arrepender e vai reconquistar você?”
— “Ele aparece aqui o tempo todo perguntando onde você está. Mas fica tranquila, amiga, eu nunca diria nada.”
— “Ah, e um mês atrás ele brigou feio com a mãe durante um jantar de família. Pelo que ouvi, estava culpando ela por ter te afastado.”
— “Esse cara é doente. O problema não é a mãe dele — é ele, que foi indeciso e ainda tentou te enganar.”
— “Ultimamente ele vive bebendo. Dizem que dias atrás bebeu tanto que quase teve perfuração no estômago, foi parar na UTI. Os médicos avisaram que ele não pode mais beber assim. Pra mim, ele teve sorte demais… devia era ter morrido bebendo.”
— “……”
Havia ainda muitas outras mensagens—
Todas criticando Leonardo.
Mas, ao ler tudo aquilo—
Clara não sentiu nada.
Nenhuma onda.
Nenhuma dor.
Era como se tudo aquilo tivesse acontecido em outra vida.
Ela abriu as cortinas.
Lá fora—
O céu estava limpo.
De um azul intenso, como uma safira perfeitamente polida.
A luz do sol era quente.
Brilhante.
E dissipava o frio que ainda restava dentro dela.
— Clara! Estou indo para a aula!
A voz animada de Sofia veio de fora.
Clara sorriu.
— Vá com cuidado!
Então, pegou o celular.
Sua voz tranquila.
Leve.
— Daqui para frente… não precisa mais me contar nada sobre o Leonardo.
Naquele instante—
Aquela sensação irreal que ainda a acompanhava…
Desapareceu completamente.
Quando Leonardo acordou novamente—
Tudo ao redor era branco.
O cheiro forte de desinfetante impregnava o ar.
Os efeitos do álcool ainda persistiam.
A cabeça pesada.
O estômago dolorido, ácido, latejando.
Ele ficou olhando em volta, atordoado.
A visão, antes turva, foi se tornando nítida aos poucos.
Os olhos de Dona Helena estavam vermelhos.
Ela parecia furiosa.
— Por causa de uma mulher você está nesse estado? Isso é ridículo! Não passa da filha de uma empregada! O que exatamente você vê nela?
Ao redor, alguns amigos se aproximaram, tentando convencê-lo:
— Já faz um mês desde que a Clara sumiu. Nenhuma notícia. Ela fez isso de propósito, cara… deixa isso pra lá.
Essas palavras—
Leonardo já havia escutado inúmeras vezes naquele último mês.
Nunca deu ouvidos.
E agora também não.
Entravam por um ouvido e saíam pelo outro.
Seus olhos estavam vermelhos.
Vazios.
Os lábios finos, pressionados.
O rosto, tomado por barba por fazer—
Restava apenas teimosia.
Vendo-o assim, Dona Helena desistiu de insistir.
Sem nem olhar para ele—
Saiu do quarto, batendo a porta.
O silêncio caiu pesado.
Os amigos trocaram olhares, hesitantes.
Então voltaram a falar:
— Com o seu status hoje, que mulher você não pode ter? Sério, não vale a pena ficar preso a uma Clara Azevedo.
— Você devia mostrar pra ela que consegue viver ainda melhor sem ela. Que tem muitas outras mulheres… e que, sem você, ela não é nada. Aí ela volta correndo.
— Pois é… no pior dos casos, a gente arruma umas mulheres parecidas com ela pra você. Treina um pouco… dá na mesma, não é?
Antes que terminassem—
BANG!
Um copo de água foi arremessado ao chão.
Estilhaçou-se aos pés deles.
A água respingou nas calças de todos.
Ninguém ousou respirar.
No passado—
Eles desprezavam Clara.
Uma garota comum, cuidando de um homem cego—
Um herdeiro rejeitado pela elite.
Parecia ridículo.
Mas, com o tempo—
O desprezo virou inveja.
Todos eles eram herdeiros ricos.
Sempre rodeados de mulheres.
Mas nunca encontraram alguém tão sincero quanto Clara.
Eles tentaram apresentar outras mulheres a Leonardo—
Mas, mesmo depois de recuperar a visão, tornar-se poderoso—
Ele nunca se interessou por mais ninguém.
Só tinha olhos para Clara.
Até que Isabela voltou.
Eles fingiam aconselhá-lo—
Mas, por trás, criavam oportunidades para os dois.
E funcionou.
Para eles, aquilo apenas provava—
Que não existia amor verdadeiro.
E que alguém como Clara deveria aceitar isso.
Mas agora—
Clara havia ido embora.
E, ao invés de se libertar—
Leonardo enlouqueceu.
Chegou ao ponto de não aceitar nem uma palavra contra ela.
— Sumam daqui!
A voz dele era fria.
Ameaçadora.
— E nunca mais falem da Clara desse jeito. Caso contrário… não garanto o que pode acontecer com as suas famílias.
As palavras caíram pesadas no ar.
Os rostos deles empalideceram.
Um a um—
Inventaram desculpas e saíram rapidamente.
O último homem a sair—
Ainda estava insatisfeito.
Fechou a porta.
Pegou o celular.
Enviou a foto de Clara para o assistente.
— Olha bem esse rosto. Encontre uma mulher parecida com ela. Quanto mais parecida, melhor.
Ele virou a cabeça.
Olhou friamente para a porta fechada.
Queria ver—
Até quando Leonardo conseguiria manter aquela obsessão.
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