"Depois de Tudo, Eu Renasci" Capítulo 7
Naquele instante—
As palavras de recusa simplesmente não conseguiram sair.
Mas, ao notar a hesitação no rosto dele, lágrimas começaram a escorrer pelos olhos de Isabela.
— Leo… você está em dificuldade, não está? Não tem problema… se for difícil para você, eu não vou hoje.
Ela pensou que, ao dizer isso, ele imediatamente a consolaria.
Mas o homem diante dela—
Pareceu, de repente, aliviado.
Ergueu a mão e acariciou levemente sua cabeça.
— Hoje é uma ocasião especial… é melhor você não ir comigo.
Os olhos de Isabela se arregalaram em descrença.
Por um instante, um lampejo de ódio passou por seu olhar—
Mas logo foi substituído por uma expressão frágil e comovente.
As lágrimas, que estavam prestes a cessar, voltaram a cair em abundância.
— Leo…
Mas Leonardo parecia distraído.
Não percebeu nada.
Apenas afastou levemente o corpo dela e levantou a cabeça para olhar a lâmpada.
— Foi essa que queimou?
Percebendo que ele não reagia como ela esperava, Isabela mordeu os lábios.
Respondeu com um “sim” abafado—
E, irritada, sentou-se no sofá, sem olhar mais para ele.
Mas Leonardo não estava ali de verdade.
Seus pensamentos estavam longe.
O sonho que tivera mais cedo voltava repetidamente à sua mente.
A sensação de medo crescia dentro dele—
Quase sufocante.
Ao notar algo estranho nele, Isabela se aproximou novamente.
Puxou de leve a manga de sua roupa, com a voz embargada:
— Leo… o que foi?
Ele só então voltou à realidade.
O coração ainda batia com força.
Até suor frio surgiu em sua testa.
Ele afastou a mão dela, franziu a testa e pegou o celular.
Queria ligar para Clara.
Mas—
Por mais que tentasse—
A ligação não completava.
O som contínuo de chamada só aumentava sua ansiedade.
— Isa… tenho algo para resolver. Vou sair agora. Depois mando alguém vir consertar isso.
Sem esperar resposta—
Ele saiu apressado.
Abriu a porta e foi embora a passos largos.
Ao ver a porta se fechar com força—
O olhar de Isabela escureceu.
Um ressentimento profundo quase transbordava.
Não precisava pensar muito para entender—
Ele havia saído assim por causa de Clara.
Ela pegou o celular e digitou rapidamente:
【Clara Azevedo, você não tem vergonha? Quer tanto assim ser amante nas sombras? Por que você não morre de uma vez?!】
No instante em que apertou “enviar”—
Apareceu um símbolo vermelho.
A mensagem não foi entregue.
Clara a havia bloqueado.
De repente—
Um pressentimento ruim tomou conta de seu coração.
Quase instintivamente, apagou todas as mensagens provocativas que havia enviado antes.
Enquanto isso—
Leonardo voltou para casa.
Empurrou a porta—
Mas, mais uma vez, não viu a pessoa que procurava.
— Onde está a Clara? Ela ainda não voltou?
Por algum motivo—
Sua voz tremia.
— Desde o meio-dia não vimos a Srta. Clara…
— Ah, senhor… enquanto arrumávamos o quarto, percebemos que… as coisas da Srta. Clara parecem ter sumido.
Ao ouvir aquilo—
Um frio percorreu todo o corpo de Leonardo.
Ele começou a tremer.
— O que você quer dizer com isso?
A empregada levantou a cabeça, confusa.
— Senhor… não foi o senhor que mandou tirar as coisas dela? As roupas sumiram todas… pensei que fosse comprar novas para ela…
O coração de Leonardo estremeceu violentamente.
Seu olhar percorreu a sala instintivamente—
Como se esperasse que Clara surgisse no instante seguinte.
— Clara…
Ele chamou seu nome repetidas vezes.
Mas, quanto mais chamava—
Maior ficava o pânico em seu peito.
Um pensamento impossível começou a tomar forma.
Clara… tinha ido embora?
Ele não queria acreditar.
— Clara, isso é alguma brincadeira? Apareça logo… isso não tem graça nenhuma.
— Eu sei que errei hoje de manhã… mas entre mim e a Isa é só amizade, de verdade. Você acredita em mim, não acredita?
Ele falava sem parar—
Caminhando pela casa, olhando em todos os cantos.
Tentando encontrar alguém que talvez estivesse escondido.
Só então—
Ele percebeu algo estranho.
A casa…
Parecia vazia demais.
As fotos deles juntos—
Os objetos pessoais de Clara—
Tudo havia desaparecido.
Como isso era possível?
Como tudo podia simplesmente sumir?
Leonardo sentiu que estava à beira da loucura.
O sonho do meio-dia voltou à sua mente.
Ainda sem desistir, pegou o celular e tentou ligar para Clara novamente.
Mas só ouviu—
O mesmo som repetitivo de chamada.
Suas mãos tremiam.
Ele tentou mandar mensagens—
Mas o que apareceu diante de seus olhos foi um aviso vermelho.
Ela o havia bloqueado.
Seus olhos se arregalaram.
O corpo inteiro começou a tremer.
Um pânico esmagador o engoliu por completo.
Desesperado—
Ele procurou todos os perfis dela nas redes sociais.
Mas não encontrou nada.
Nada.
Ela havia apagado tudo.
Cada conta.
Sem deixar vestígios.
A mente dele ficou em branco.
Por mais que tentasse pensar—
Não conseguia imaginar para onde ela poderia ter ido.
O pai de Clara havia falecido quando ela ainda era criança.
Sua mãe também havia partido há dois anos, vítima de uma doença.
Sem opções—
Ele só podia recorrer aos amigos dela.
— Alô? Aqui é o Leonardo… a Clara está aí com você?
— O quê? Do que você está falando? Claro que ela não está aqui!
A mesma conversa—
Repetiu-se inúmeras vezes.
Ele ligou até para seus próprios amigos.
Ninguém sabia de nada.
A sensação de desespero absoluto veio em ondas.
Uma e outra vez—
Como se estivesse preso naquele pesadelo.
Um mundo sem Clara.
Os sentimentos que ele nutria por ela—
De repente, preencheram todo o seu coração.
Agora que ela havia partido—
Era como arrancar um pedaço vivo de sua carne.
Uma dor dilacerante.
Insuportável.
Quase o destruindo por completo.
— Clara… pare com isso, por favor… eu quero te ver…
Ele gritou com todas as forças.
Os olhos completamente vermelhos.
Como um animal que perdeu sua companheira.
Mas… por quê?
Ele começou a se questionar.
Todas as interações recentes com Clara passaram por sua mente—
Uma a uma.
E, de repente—
Ele percebeu.
Sua preferência por Isabela.
Sua indiferença com Clara.
E, naquele dia—
Quando ele conversou em italiano com um amigo…
O corpo dela havia congelado.
— Clara… ela sabia italiano?
A empregada, vendo o estado quase descontrolado dele, respondeu com cautela:
— A Srta. Clara sempre estudou idiomas estrangeiros… até contratou professores particulares. O senhor… não sabia?
Um zumbido ecoou em sua mente.
E, naquele instante—
Algo dentro dele se rompeu completamente.
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