"Traição Entre Três" Capítulo 4
A folha leve tremia no silêncio, como se fosse o último eco deixado por alguém.
As lágrimas ultrapassaram a barreira dos cílios e caíram pesadas sobre o papel, misturando-se às marcas já secas.
“Mateus…”
Lucas apertava a carta com tanta força que os dedos ficaram pálidos.
Helena observava aquelas letras cuidadosamente escritas…
e sentia o peito apertar, tomado por uma dor difícil de descrever.
Aquele garoto que sempre os ouvia, que sorria de forma ingênua e dizia ser o mais feliz do mundo…
foi forçado por aquela traição…
a criar asas.
E a primeira coisa que ele fez ao aprender a voar…
foi partir para sempre.
Como Mateus pôde…?
Como Mateus… conseguiu?
“Calma… eu vou procurar ele agora. Talvez ele esteja em algum lugar, escondido, com raiva…”
Helena forçou um sorriso e estendeu a mão, querendo enxugar as lágrimas de Lucas.
Mas, ao tocar aquelas letras — tão obedientes, tão delicadas, tão parecidas com o próprio Mateus…
ela hesitou.
A mão ficou suspensa no ar por um longo momento…
e depois, lentamente, recuou.
“Eu também vou procurar.”
Lucas se levantou.
Arrancou a flor do peito — a flor do noivo.
Helena também tirou o véu.
“Vamos.”
Os dois começaram a agir ao mesmo tempo.
Curiosamente…
as duas pessoas que mais queriam ficar juntas…
não continuaram com aquele casamento.
No aplicativo de mensagens, o som familiar de antes ainda estava lá.
Mas Helena não recebeu resposta de Mateus.
O número frio…
só repetia:
“O telefone está desligado.”
Helena não foi com Lucas.
Voltou sozinha para casa.
Ali… tudo estava cheio das marcas de Mateus.
Fileiras de carrinhos em miniatura.
Relógios organizados sobre a mesa.
Pelúcias espalhadas pelo chão.
“Se eu não estiver em casa, deixa eles fazerem companhia pra você, tá? Assim você não vai ter medo do escuro~”
A voz dele, com aquele tom leve e brincalhão, parecia ainda ecoar no ambiente.
Como se ele nunca tivesse ido embora.
Uma culpa esmagadora tomou conta de Helena.
Quando estava com Lucas às escondidas… aquele sentimento proibido era excitante.
Como navegar no escuro — com medo de bater nas pedras… mas encantada com a paisagem.
Ela achava… que havia um espaço entre o certo e o errado.
Um lugar onde poderia manter tudo sob controle.
Então ela se afundou.
Desejou.
Ansiou.
Mas agora que havia perdido Mateus… parecia que algo tinha sido arrancado à força de dentro dela.
Helena ligou novamente para o número dele.
Enquanto a voz mecânica repetia a mensagem… ela caminhava pela casa onde os três haviam construído juntos um pequeno mundo.
De repente… algo brilhou dentro do lixo.
Ela correu até lá.
E puxou um porta-retrato quebrado.
Depois de tirar o primeiro… percebeu que havia vários.
As fotos que Mateus guardava como tesouros… haviam sido cortadas uma a uma.
E em todas elas…
o que desapareceu foi a figura dele, no centro.
Ele levou a si mesmo embora das lembranças.
Deixou apenas fragmentos, conectando Helena e Lucas…
como se não quisesse mais existir entre os dois.
Como se… não quisesse deixar nenhum vestígio.
Assim como escreveu:
“Não me procurem.
Não se lembrem de mim.”
Helena recolheu as fotos, uma a uma.
No fundo do lixo… havia mais uma coisa.
A aliança de noivado.
Ele… não queria mais.
Dessa vez…
Mateus realmente não queria mais nada.
“Desculpa…”
A voz de Helena falhou.
Ela se desculpava… para o vazio nas fotos.
Mas aquele “desculpa”… não tinha mais poder algum de voltar ao passado.
Talvez… o fim já estivesse definido.
E ela jamais encontraria Mateus novamente.
Bzzz… bzzz…
O celular vibrou.
Helena atendeu.
“Alô…”
“Eu fui na empresa do Mateus… disseram que ele pediu transferência pra Europa.”
“O quê?”
Aquele garoto que sempre se escondia sob as asas deles… tinha ido sozinho para outro continente.
“Pra qual país?”
Helena já pegava os documentos, pronta para fazer o visto.
Mas a frase seguinte de Lucas… a fez parar completamente.
“Ele já sabia que a gente ia atrás… deixou um recado com os colegas.”
“Ele disse… que nunca mais quer nos ver.”
O silêncio dentro da casa se tornou sufocante.
Helena podia ouvir o próprio coração.
Batendo rápido… e depois, lentamente… desmoronando.
Ela caiu no sofá, segurando aquelas fotos.
E repetiu baixinho:
“Mateus… me desculpa…”
Mas dessa vez… essa frase… só ela mesma podia ouvir.
Alguns dias depois de desistirem de procurar…
Helena e Lucas passaram a morar juntos.
Era algo que sempre haviam desejado.
Sem precisar se esconder.
Sem precisar ter medo.
Mas… havia algo errado.
Quando Helena comprava café da manhã… ainda levava três porções, por hábito.
Aquele remédio para o estômago, que já não precisava mais… continuava na bolsa.
Quando ia buscar Lucas após o trabalho, o GPS do carro ainda mostrava primeiro o endereço da empresa de Mateus.
Lucas, ao comprar café, pedia sempre com açúcar total — porque Mateus gostava.
Ao comer hot pot, mesmo preferindo picante… ainda escolhia a panela dividida.
Ao ver lojas de colecionáveis, ainda comprava caixas inteiras…
mas não havia mais ninguém ansioso para abrir.
A vida de dois… continuava sendo vivida como se fossem três.
E, mais do que isso… aquelas provocações e brincadeiras de antes… agora se tornaram desconfortáveis.
Helena precisava beber com clientes por causa do trabalho.
As alças finas do vestido se tornavam motivo de discussão.
Lucas, sob pressão das apresentações, deixava roupas sujas acumularem…
o que irritava Helena.
E não era só isso.
Gostos diferentes.
Poucos interesses em comum.
Pouca conversa.
Tudo isso os deixava exaustos.
Aquela beleza escondida, que antes existia sob o desejo proibido…
perdeu o encanto.
E Mateus… passou a existir cada vez mais claramente na memória.
Não se sabe de quem foi a ideia.
Mas os dois voltaram à antiga casa… e desmontaram, com as próprias mãos, tudo o que havia sido preparado como “quarto de casamento”.
As promessas de eternidade… duraram apenas alguns dias.
Ao sair… passaram pela loja de macarrão.
O dono, Seu Antônio, os viu e chamou com um sorriso:
“Entra aí, vem comer uma tigela de macarrão!”
Lucas entrou, mãos nos bolsos.
Helena veio logo atrás, em silêncio.
O macarrão quente foi servido.
Seu Antônio entregou dois pares de hashis.
“Que coisa estranha… outro dia o Mateus veio sozinho, sem vocês. Agora vocês vêm sem ele. Brigaram?”
Helena levantou a cabeça de repente.
Olheiras profundas marcavam seu rosto.
“Ele veio sozinho? Quando?”
“Já faz uns dias… mas naquele dia ele estava com os olhos vermelhos, veio correndo da casa antiga… eu nem tive coragem de perguntar.”
O dono saiu para atender outros clientes.
Mas Helena sentiu o vapor quente subir e arder nos olhos.
“Mateus viu…”
Lucas chegou à conclusão.
Alguns segundos depois, tirou um cigarro do bolso.
Helena pegou antes dele e colocou nos lábios… mas não conseguiu acender, mesmo tentando várias vezes.
Ela nunca fumava.
Aprendeu nesses dias.
A pressão… era insuportável.
O homem à sua frente respirava cada vez mais pesado.
De repente—
Lucas se levantou, jogou o dinheiro sobre a mesa…
e saiu.
Aquela foi a última noite deles juntos.
E também… a última vez que Helena o viu.
Ela permaneceu sentada.
Terminou aquela tigela de macarrão… em silêncio.
Só saiu quando o restaurante fechou.
No dia seguinte… colocou a casa à venda pelo menor preço possível.
Foi até a empresa de Mateus… e chegou a se ajoelhar diante dos colegas dele… apenas para saber onde ele estava.
Quando finalmente conseguiu uma resposta… tratou do visto imediatamente.
Pegou uma mochila… e partiu.
Antes de embarcar, viu uma transferência de 1,5 milhão na conta.
Era de Lucas.
Mais do que o valor que ela havia dado antes… provavelmente incluindo o carro que Mateus havia deixado.
Ela olhou para aquele número por muito tempo.
Depois abriu a conversa que sempre mantinha fixada.
Deslizou o dedo… e apagou o contato.
Entrou no avião.
Acariciava, sem parar, a aliança em seu dedo.
Quando as nuvens cobriram a terra… como se cobrissem tudo com neve branca…
Helena finalmente chegou à Europa.
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