Capítulo 8
— O senhor sabe?
Olhei diretamente para ele.
— Quando minha mãe precisava de sangue para a cirurgia… seu filho deixou todo o estoque de RH negativo para a Camila.
— Ele disse isso com todas as letras: “Ela precisa mais.”
O rosto do Sr. Almeida perdeu completamente a cor.
— Isso… isso não pode ser verdade…
— O senhor pode perguntar a ele pessoalmente.
Passei por ele, seguindo em direção ao quarto.
Atrás de mim, sua voz desesperada ecoou:
— Sofia! O Lucas já sabe que errou! Ele anda bebendo todos os dias… já recebeu punição do hospital, foi suspenso por seis meses…
— Você não pode… pelo menos pelo bem do bebê… dar mais uma chance a ele?
Parei.
Me virei lentamente.
— Sr. Almeida… o senhor sabe onde a Camila está agora?
Ele ficou atônito.
— Ontem ela recebeu alta… e foi levada por um empresário do ramo imobiliário.
— Mais de cinquenta anos. Já se divorciou três vezes.
— Seu filho abandonou a esposa e destruiu a própria família por causa dela…
— e ela simplesmente foi embora com um homem mais rico.
O rosto dele ficou completamente cinza.
— Isso… isso não pode ser…
— Vá perguntar a ele.
Empurrei a porta do quarto.
Minha mãe estava recostada na cama.
Ainda pálida, mas ao me ver, forçou um sorriso.
— Sofia… quem era?
— Ninguém.
Sentei ao lado dela, segurando sua mão.
— Mãe… me desculpa.
Ela balançou a cabeça, acariciando meu rosto.
— Boba… por que pedir desculpa pra mim?
Encostei a cabeça na beirada da cama.
As lágrimas escorreram em silêncio.
Lá fora, o sol brilhava intensamente.
Mas dentro de mim… era como se estivesse nevando sem parar.
A punição de Lucas Almeida foi oficializada.
Suspensão de seis meses. Advertência pública em todo o hospital.
Mas ele não parou.
Todos os dias, mensagens.
Ligações.
Quando eu bloqueava, ele trocava de número.
Quando eu não atendia, ele mandava SMS.
【Sofia, eu sei que errei. Eu realmente sei.】
【Sobre a Camila… eu fui idiota. Achei que ela precisava de proteção, mas ela só precisava de um homem que pudesse oferecer vantagens.】
【Você bloqueou todos os investimentos… meu pai está internado. Você pode… pelo menos ir vê-lo?】
【Mesmo que me xingue ou me bata… por favor, não me ignore.】
Eu não respondi nenhuma.
Até o dia em que encontrei Camila Rocha na entrada do hospital.
Ela estava vestida com um vestido de marca.
Segurando o braço de um homem barrigudo.
Ao me ver, ela ficou surpresa por um instante.
Depois… sorriu.
— Dra. Sofia… quanto tempo.
Ignorei e continuei andando.
Ela soltou o braço do homem e veio atrás de mim.
— Sofia Mendes… do que você está tão orgulhosa?
Parei.
Ela se aproximou, baixando a voz, os olhos cheios de malícia:
— Você acha que venceu?
— Acha que o Lucas vai se divorciar por você?
— Ele me liga todos os dias… implorando pra eu voltar.
Olhei para ela.
— É mesmo?
Ela levantou o queixo, arrogante:
— Claro. Ele disse que se arrependeu… que eu sou a melhor escolha.
— Sofia Mendes… você não passa da opção que ele abandonou depois de calcular os prós e contras—
— Camila Rocha.
Interrompi.
— Ele liga pra você… porque a família dele faliu.
— Ele quer arrancar de você a última coisa que puder.
O rosto dela mudou na hora.
— Você está mentindo—
— Aquele homem.
Inclinei levemente a cabeça, apontando para o homem esperando na porta.
— Roberto Farias. Setor imobiliário.
— Empresa reestruturada depois da falência no ano passado.
— Dívida de dois bilhões.
O rosto dela ficou completamente pálido.
— Você acha que encontrou um milionário?
Sorri levemente.
— Seu gosto para escolher homens… continua tão ruim quanto antes.
Seus lábios tremeram.
Quis responder… mas não conseguiu.
Aproximei-me, falando perto do ouvido dela:
— Ah… e mais uma coisa.
— Lucas Almeida foi suspenso.
— Ele não é mais médico.
— Seus teatrinhos de depressão e tentativas de suicídio…
— não vão mais ter plateia.
Ela recuou abruptamente.
Olhei para ela, palavra por palavra:
— Camila Rocha… cuide da sua própria vida.
Virei-me.
E fui embora, sem olhar para trás.