Capítulo 5
—
Pá!
O som seco do tapa ecoou pela sala.
A mão da minha mãe atingiu o rosto de
Camila Rocha
com força.
Ela ficou atônita, cobrindo a face, e caiu diretamente nos braços de
Lucas
.
Ele abaixou a cabeça, acariciando suavemente o rosto que já começava a inchar.
Quando levantou os olhos novamente…
seu olhar estava frio o suficiente para gelar qualquer um.
— A senhora é mais velha, eu sempre a respeitei.
— Mas a Camila é inocente. Ela já está fraca, ainda assim veio pessoalmente se desculpar… isso não é prova de sinceridade?
— Não havia necessidade de humilhá-la assim.
Minha mãe riu de raiva.
— Inocente? Você abandonou minha filha no casamento por causa dessa mulher… e ainda tem coragem de trazê-la aqui?
— Depois de fazer algo tão vergonhoso… em que parte ela é inocente?!
O rosto de
Lucas
escureceu.
— Por favor, meça suas palavras.
— E se eu não medir, o que você vai fazer?
Minha mãe deu um passo à frente.
Camila, como um passarinho assustado, recuou rapidamente.
Lucas levantou a mão instintivamente para protegê-la…
Mas esse movimento—
empurrou minha mãe no ombro.
Ela perdeu o equilíbrio.
Seu corpo caiu para trás—
—
Mãe—!
Eu gritei, correndo.
Mas só pude assistir…
ela bater com força na quina da mesa.
E cair no chão, sem reação.
O sangue começou a escorrer por entre seus cabelos…
tingindo o piso claro de vermelho.
Lucas ficou paralisado.
Quis dizer algo…
mas ao ver meus olhos tomados de fúria e dor—
engoliu as palavras.
Levantei a cabeça e gritei, a voz tremendo:
—
Lucas Almeida, chama uma ambulância! Salva ela!
Ele pegou o celular…
Mas naquele instante,
Camila
começou a respirar com dificuldade, tremendo violentamente.
Seu corpo desabou nos braços dele:
— Dr. Lucas… eu… estou com medo… será que fui eu que machuquei a tia?
— É tudo culpa minha… quem devia morrer sou eu…
Os braços dele se apertaram ao redor dela.
— Não fale besteira, Camila.
— Não foi sua culpa. Ela mesma não se segurou… foi só um toque leve. Quem sabe se não está fingindo?
Eu o encarei, incrédula.
Como se estivesse olhando para um completo estranho.
Reprimi toda a raiva dentro do peito.
Sem dizer mais nada, peguei meu celular e liguei para o
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.
Depois me ajoelhei, pressionando a ferida da minha mãe com uma toalha.
Minhas mãos tremiam sem parar…
mas eu não ousava afrouxar nem um pouco a força.
Enquanto isso—
Lucas
permanecia ao lado, com os olhos e o coração voltados apenas para Camila.
Sem sequer perguntar como minha mãe estava.
A ambulância chegou rapidamente.
Os socorristas entraram correndo, prestes a colocar minha mãe na maca.
Mas foram bloqueados por
Lucas
.
Ele me lançou um olhar rápido, depois virou-se para Camila:
— A Camila foi estimulada… a crise de depressão dela voltou. Deixem ela ir primeiro.
Camila estava encolhida no canto, chorando:
— Dr. Lucas… não liga pra mim… me deixa morrer…
Os socorristas ficaram confusos.
Sem saber quem atender primeiro.
Eu encarei Lucas e gritei:
—
Você enlouqueceu?!
—
Minha mãe está ferida!!
O olhar dele permaneceu calmo.
— A Camila está instável. Pode acontecer algo.
— Você é médica… não consegue cuidar da sua própria mãe?
Eu não disse mais nada.
Usei toda a minha força para levantar minha mãe—
e o empurrei com violência.
Depois, coloquei minha mãe na maca.
Assim que a ambulância partiu—
olhei para Lucas, que ainda estava cheio de ressentimento.
Levantei a mão—
—
Pá!
Um tapa forte.
Seu rosto virou para o lado, atordoado.
— Esse tapa… é por você ignorar a vida humana!
—
Pá!
Outro tapa.
— Esse é por você ser desleal e sem coração!
Ele segurou o rosto, olhando para mim em choque.
Sem hesitar—
peguei o celular e liguei para meu pai:
— Avise a todos.
— Corte todos os investimentos na família Almeida.
— Banam o Lucas Almeida de todo o setor.
— Eu quero que ele…
—
não tenha mais para onde voltar.