Capítulo 4
— Eu… pedir desculpas?
Franzi levemente o cenho.
— Ela está emocionalmente instável. Você precisava mesmo discutir com ela?
Ele suspirou, impaciente:
— Você é médica, deveria saber que pacientes com depressão não suportam estímulos fortes.
Olhei diretamente para ele:
— E quem é que suporta?
Apontei para minha barriga.
— Ele, talvez?
Ele ficou em silêncio.
Passei por ele sem dizer mais nada, seguindo direto para o auditório.
Assim que cheguei à porta, o diretor do hospital veio ao meu encontro.
Ele segurou minha mão com entusiasmo:
— Dra. Sofia! Sobre a missão médica na África… o conselho aprovou por unanimidade!
— Mesmo grávida, você se voluntariar para ajudar no exterior… esse espírito de dedicação é um exemplo para todo o hospital!
Sorri levemente e troquei algumas palavras com ele.
Só depois que ele foi embora…
Lucas apareceu de repente.
Ele me puxou para um canto, o rosto extremamente fechado.
— Quando você se inscreveu nisso? Por que não falou comigo antes?
Afastei sua mão, o olhar frio:
— E você? Alguma vez falou comigo antes de tomar suas decisões?
Ele ficou imóvel por um segundo, então abaixou a voz, irritado:
— Sofia Mendes, você pode parar com isso?
— Eu não sou você! Você está grávida! Que história é essa de ir pra missão médica? Como eu vou explicar isso pros nossos pais?
Olhei para ele, firme:
— Não há nada para explicar.
— Eu sou adulta. Posso assumir a responsabilidade pelas minhas escolhas.
Os lábios dele se moveram, mas nenhuma palavra saiu.
Virei-me para ir embora.
Mas ele me segurou com força.
— Eu não concordo!
Ele deu a volta e ficou na minha frente, a voz tremendo de raiva:
— Eu sei que você está fazendo isso por causa do que aconteceu antes… você está com raiva de mim!
— Mas entre mim e a Camila, não existe nada! Eu só tenho responsabilidade médica com ela!
Olhei diretamente em seus olhos.
— Você realmente não sabe diferenciar responsabilidade de sentimento… ou simplesmente não quer?
Sem esperar resposta, soltei meu braço.
— Sai da frente. Eu terminei meu expediente.
Durante o caminho de volta, meu celular vibrou inúmeras vezes.
Mensagens de Lucas, uma após a outra:
【Sofia, se você cancelar a inscrição, podemos refazer o casamento.】
【Se você está indo pra África por causa de um mal-entendido com a Camila… ela vai se sentir culpada até morrer. Mesmo que não pense em mim, pense na paciente.】
Até agora…
a pessoa com quem ele mais se importava ainda era Camila Rocha.
Não respondi.
Bloqueei o número dele.
Mas eu não esperava…
que ele fosse trazer alguém para dentro da minha casa.
Quando abri a porta, vi Camila Rocha segurando a barra da camisa de Lucas, parada na entrada.
A voz dela tremia:
— Sofia… me desculpa… tudo isso foi culpa minha.
— Eu não deveria ter perdido o controle… nem ligado pra ele.
— Por favor, não brigue com o Dr. Lucas por minha causa. Mesmo que eu morra de verdade no futuro… eu não vou mais procurar por ele.
Quanto mais ela falava…
mais injustiçada parecia.
As lágrimas caíam no momento certo.
Lucas a segurou, tentando confortá-la:
— Não diga essas coisas.
— Você é minha paciente. Cuidar de você é o mínimo que devo fazer.
Ela dizia que veio pedir desculpas…
mas seus olhos nunca se afastaram dele.
Como se todo aquele sacrifício fosse por ele.
Como se estivesse suportando humilhação… por amor.
Minha mãe não aguentou.
Saiu do quarto e ficou na minha frente, furiosa:
— Que tipo de atitude é essa? Trazer outra mulher pra dentro de casa a essa hora?
— Ela veio se desculpar.
O tom dele era calmo.
— A Sofia causou um escândalo no hospital. A Camila quer esclarecer as coisas.
— Esclarecer?
Minha mãe riu, sem humor.
— Isso parece pedido de desculpas pra você? Pra mim parece provocação!
Camila deu um passo à frente, apressada:
— Tia, eu realmente só quero que eles façam as pazes…
— Se a Sofia está indo pra África por causa de um mal-entendido comigo… e algo acontecer com ela… eu nunca vou me perdoar…