《Oito Anos de Mentiras: A Vingança do Amor Traído》Capítulo 4

Capítulo 4

Rafael…

a única coisa que você realmente domina nesta vida é inverter a culpa, não é?

Minha voz estava fria como gelo.

Oito anos atrás, você viu com seus próprios olhos eu dar à luz ao nosso filho.

Passei três dias e três noites em trabalho de parto, à beira da morte. Só sobrevivi porque nem a morte me quis.

E, ainda assim, você não teve um pingo de gratidão por eu ter dado um herdeiro à família Duarte…

em vez disso, jogou lama na minha reputação.

Chego até a duvidar… se aquele homem justo e corajoso que me salvou das enchentes… era realmente você.

Rafael rangeu os dentes:

Quem sabe o que você fez nesses oito anos em que eu não estava… você…

Aaah—!

Antes que terminasse a frase, eu enfiei uma tenaz de ferro diretamente na boca dele.

Usei tanta força que seus lábios incharam imediatamente, o sangue escorrendo sem parar.

Ele ficou com a boca aberta, sem conseguir emitir um único som.

Apertei minhas mãos com força.

Sobre o nosso filho, você pode fingir que não é seu… eu não vou mais discutir isso com você.

De qualquer forma, a partir de hoje, Lucas não tem mais nenhuma relação com você.

Ele leva o meu sobrenome. Andrade.

Mas sobre o acidente de oito anos atrás…

isso, sim, a gente vai esclarecer muito bem.

Meus olhos ardiam de ódio.

Você é realmente cruel, Rafael.

Naquele tempo, você já estava envolvido com a Bianca em segredo.

Enquanto eu estava em trabalho de parto, entre a vida e a morte… você não pensava em vir me ver.

Preferiu ir até uma confeitaria no leste da cidade… só para comprar bolo de castanha pra ela.

Foi por causa desse desvio que o Diego sofreu o acidente.

A morte dele… não teve absolutamente nada a ver comigo!

Minha respiração ficou pesada.

Levantei a tenaz e a cruzei com força na coxa dele.

E você, Rafael…

O metal perfurou sua carne, abrindo um buraco ensanguentado.

Ele se contorceu de dor, as veias saltando no pescoço, gritando desesperadamente.

Como eu pude me apaixonar por alguém tão covarde?

Só para continuar vivendo feliz com a Bianca,

você colocou toda essa culpa em mim!

Me fez ficar na cidade, criando nosso filho sozinha…

me impedindo de ir até o quartel fazer escândalo.

Depois de mentir por tanto tempo…

acho que até você mesmo começou a acreditar nisso, não é?

Minha voz tremia de raiva.

Rafael Duarte, foi você.

Foi você quem matou o próprio melhor amigo.

E depois ainda dormiu com a esposa dele—

fazendo o filho dele te chamar de pai!

Um monstro como você… merece queimar no inferno!

O rosto dele ficou pálido.

Não se sabia se era pela dor… ou pela culpa.

Ele não ousou mais me xingar.

Nem sequer teve coragem de gritar.

Apenas cerrava os dentes, em silêncio.

Soltei uma risada fria.

Quem foi que disse que o Diego era seu irmão de sangue?

Que ele salvou sua vida…

e que, quando vocês estavam no interior, ele ainda salvou seus pais de morrerem numa queda?

Foi assim que você retribuiu quem salvou sua família?

Foi assim que tratou a mulher que esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis?

Você não tem consciência nenhuma?

Inclinei-me um pouco, aproximando o rosto.

Eu fico imaginando…

quando você dorme à noite… não sonha com o Diego vindo cobrar essa dívida?

Chega… por favor… para…

Rafael tapou os ouvidos, desesperado, balançando a cabeça como um louco.

Como se assim pudesse apagar tudo.

Rafael,

hoje eu vou abrir seu peito e ver se o seu coração é mesmo negro por dentro.

Peguei uma faca… e ainda tive o cuidado de aquecê-la no fogo.

Para desinfetar.

Afinal, não queria que ele morresse na minha mão— seria azar demais.

Mas ele não pareceu grato.

Seus olhos se arregalaram, como se tivesse visto um fantasma.

Tentou recuar… mas os seguranças o seguravam com força.

Quando a lâmina em brasa brilhou diante dele, ele começou a implorar, a voz falhando:

Camila… não tem nada a ver comigo…

Foi a Bianca… foi ela que me seduziu!

Você sabe como é… só homens no quartel… treinos pesados…

eu só… perdi o controle por um momento…

Foi ela quem ficou me influenciando todos esses anos… dizendo que você, sozinha na cidade, acabaria se envolvendo em problemas…

E também foi ela quem não deixou eu contar a verdade sobre o acidente… tinha medo da família do Diego!

Cada um paga pelos próprios pecados, Camila…

Eu ri levemente, girando a faca entre os dedos, e apontei para Bianca, que estava paralisada.

Olha só… ele disse que a culpa é toda sua.

Que eu devo acertar as contas com você.

A luz da lâmina fez seus olhos tremerem.

Bianca finalmente voltou a si.

Caiu de joelhos com um baque.

Abriu a boca, pronta para gritar—

Ahhh— Deus—!

Fala baixo.

Se gritar de novo, corto sua língua.

Ela imediatamente se calou, assentindo freneticamente.

Depois de hesitar por um momento, olhou para Rafael com ódio e ressentimento, e começou a falar, com a voz embargada:

Essas coisas… nunca são culpa de uma pessoa só.

Se ele não quisesse, você acha que eu conseguiria obrigá-lo?

E sobre o acidente… quem se beneficiou mais? Eu… ou ele?

Ela respirou fundo.

Foi ele quem disse pra colocar a culpa em você.

Assim, quando voltássemos pra cidade… você ficaria aqui, criando os filhos e servindo a gente.

E quando você envelhecesse… quando estivesse prestes a morrer… aí sim contaríamos a verdade.

Se eu estiver mentindo… que eu seja punida pelos céus!

Os olhos de Rafael ficaram vermelhos como sangue.

Ele parecia pronto para despedaçá-la.

Sua desgraçada! Eu vou te matar!

Eu soltei uma risada carregada de sarcasmo.

Não eram “amores destinados”?

Não eram apaixonados separados pelo destino, que finalmente se reencontraram?

Não era o homem que a amava acima de tudo?

Então por que agora… não havia mais amor?

Homens…

Na verdade, homens ou mulheres— quando amam, é tudo intensidade.

Mas quando deixam de amar… querem ver o outro destruído.

Que ironia.

Clang—

Soltei a faca no chão.

Rafael, você não merece sujar minhas mãos.

A partir de agora, minha vida com o Lucas só vai melhorar.

E você… vai apodrecer na lama pelo resto da sua existência.

Virei-me.

Encontrei o olhar do meu pai— cheio de aprovação.

Sem agir por impulso… você continua sendo minha filha.

Lá fora, o helicóptero já estava pousado.

Os moradores da cidade tinham se reunido ao redor, olhando fascinados para aquela máquina enorme.

Queriam tocar… mas tinham medo dos seguranças.

Alguns, ao me verem, mudaram completamente de atitude— sorrindo de forma bajuladora:

Camila! Esse helicóptero veio buscar o comandante Rafael?

Você, como cunhada, também vai aproveitar, né?

Consegue pedir pra ele deixar meu filho dar uma voltinha?

Ah, e no mês que vem tem casamento na minha família… será que dá pra usar esse helicóptero?

Meu pai me lançou um olhar profundo.

Como se dissesse:

“Foi esse lugar que você escolheu?”

Revirei os olhos.

E, diante do espanto de todos, subi no helicóptero.

As hélices começaram a girar violentamente, levantando poeira e vento por todos os lados.

A multidão gritava alguma coisa— mas eu já não me importava.

Um homem coberto de sangue rastejava para fora da casa, acenando desesperadamente na minha direção.

Eu apenas ergui o olhar.

E deixei tudo aquilo para trás.

O céu estava tingido de vermelho pelo pôr do sol.

E, pouco a pouco… a escuridão dentro de mim começou a se dissipar.

Meu pai segurou minhas mãos calejadas, as lágrimas escorrendo pelo rosto:

Você cresceu como uma princesa… nunca lavou um prato sequer.

Como pode… em poucos anos… suas mãos estarem mais ásperas que as de uma empregada?

Você tem só 27 anos…

Fiquei em silêncio.

No fim… só podia culpar a mim mesma.

Fui ingênua demais.

Caí facilmente nas palavras doces de Rafael… e depois fiquei presa naquela mentira absurda.

Trabalhei em três empregos.

De manhã, vendia café da manhã.

À tarde, ajudava na lavoura.

À noite, fazia serviços de lavagem.

Com uma criança… nenhuma empresa formal me aceitaria.

Só me restavam trabalhos temporários.

Mal dava para sobreviver.

Mas…

felizmente—

tudo aquilo já tinha passado.

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