《Oito Anos de Mentiras: A Vingança do Amor Traído》Capítulo 3

Capítulo 3

Meu coração foi esmagado em um instante— a dor era tão intensa que eu mal conseguia respirar.

Durante oito anos… acreditei cegamente nas mentiras de Rafael, sem jamais duvidar nem por um segundo.

Engoli humilhações repetidas vezes, apenas para pagar uma culpa que nem era minha.

Achei que, sendo suficientemente submissa, talvez, quando ele usasse a “dívida” como desculpa para ficar ao lado de Bianca, ele ainda lembraria de mim… e de Lucas.

Mas eu estava completamente enganada.

Ele apenas pisaria, sem remorso, sobre a minha dor, saboreando a excitação daquele amor proibido.

Um sorriso satisfeito surgiu no rosto de Bianca.

Hoje eu vou fazer você desistir de vez… e sair da família Duarte.

De repente, ela puxou uma faca e cortou o próprio braço profundamente.

Ahhh!

Ela gritou, fingindo desespero:

Camila… se você está com raiva por eu ter ficado com Rafael, é só dizer… eu posso ir embora…

Por que você faria isso comigo…

Rafael entrou correndo.

Desesperado, procurou gaze para estancar o sangue dela, e então gritou comigo:

Não bastou você causar a morte do marido da Bianca… agora ainda quer machucá-la?!

Você é mesmo uma ingrata desprezível!

Meu coração já estava tão morto que aquilo me pareceu quase… ridículo.

Eu ri, com um tom frio:

Ingrata?

E você? Dormir com a esposa do seu melhor amigo morto… isso é ter consciência?

A expressão dele empalideceu instantaneamente.

Você… você ainda tem coragem de me questionar?

Como você acha que conseguiu criar esse menino todos esses anos? Eu nem sei com quantos homens você se deitou!

…Que nojo.

Uma náusea subiu pela minha garganta.

Segurei o estômago, tentando não vomitar.

Rafael agarrou meu pulso com força.

E você ainda está aí fingindo ser vítima?

Já no primeiro dia você faz escândalo por ciúmes. Como vamos viver juntos daqui pra frente?!

Foi assim que você machucou a Bianca, não foi?

Ele pegou a faca… e levantou a mão para cortar meu braço.

Não machuca a minha mãe!

Lucas correu de repente e se colocou na minha frente, abrindo os braços para me proteger.

Rafael se assustou— e a faca caiu com força.

Aaahhh—!

Lucas desabou no chão, o corpo se encolhendo de dor.

Seu braço… quase foi decepado.

O osso estava quebrado, pendendo apenas pela carne e pelos tendões.

O sangue se espalhou pelo chão.

Meus dedos ficaram dormentes.

Virei-me e gritei:

Rápido! Leva o Lucas pro hospital!

Rafael congelou por um segundo.

Pegou a chave do carro e estava prestes a sair correndo—

quando Bianca segurou o pulso, chorando:

Minha mão dói tanto… Rafael… será que eu nunca mais vou conseguir dançar?

Ele olhou para ela.

E aquela culpa que tinha surgido em seu rosto… desapareceu completamente.

Apertou os punhos, virou-se para mim e disse friamente:

Você precisa aprender uma lição hoje.

Peça desculpas à Bianca imediatamente.

Senão, eu não vou levar esse menino ao hospital.

Meu mundo desabou.

Você enlouqueceu?! Ele é seu filho! Se demorarmos mais, ele pode morrer!

Rafael bloqueou a porta.

Seus olhos escuros… não demonstravam nenhuma emoção.

Ele também é seu filho.

Grave bem esse sentimento—

o medo e a dor de perder alguém.

Aprenda a entender o sofrimento da Bianca.

E viva em paz comigo, cuidando dela pelo resto da vida.

Bianca me lançou um olhar provocador, e articulou silenciosamente uma palavra:

“Inútil.”

Meu corpo inteiro endureceu.

Meu coração parecia ter sido rasgado ao meio—

uma metade carregava oito anos de humilhação e engano, a outra… o desespero por Lucas.

Ele estava coberto de sangue.

Sua respiração… cada vez mais fraca.

Eu mordi com força o interior da boca, até sentir o gosto de sangue.

E então—

me ajoelhei.

Diante de Bianca.

Curvei a cabeça.

E dei um tapa em mim mesma.

Desculpa… foi culpa minha… eu fui baixa… eu nunca mais vou te machucar…

Por favor… deixa o Rafael levar o Lucas pro hospital…

No segundo seguinte— um estrondo ensurdecedor ecoou do lado de fora.

O som de um helicóptero pousando.

Um homem de meia-idade, vestindo um elegante terno tradicional, entrou a passos largos.

Sua voz era firme como um trovão:

Quem ousou encostar na minha filha?!

Virei-me lentamente.

Quando vi aquele rosto familiar— meus olhos se encheram de lágrimas.

Fazia dez anos.

O homem que antes era cheio de vigor e autoridade… agora tinha vários fios de cabelo branco.

Corri até ele, desabei de joelhos, chorando sem conseguir parar:

Pai… eu sei que errei…

Por favor… salva o Lucas… leva ele pro hospital… se demorar mais, não vai dar tempo…

Meu pai congelou por um instante.

Só então desviou o olhar de mim— e viu Lucas, encolhido no canto, coberto de sangue.

Seus olhos se arregalaram de fúria.

Rápido! Levem meu neto pro helicóptero! Mandem ele para o melhor hospital da capital!

Quem fez isso com meu neto… vai pagar cem vezes mais caro!

O pequeno quintal ficou lotado de homens de preto.

Seus rostos eram frios e imponentes.

Bastava uma ordem… e eles avançariam sem hesitar.

Bianca ficou pálida de medo, tapando a boca do filho e evitando qualquer contato visual comigo.

Já Rafael—

seu rosto ficou vermelho, as veias saltando na testa.

Parecia furioso.

Seus olhos estavam injetados de sangue quando me encarou:

Camila, explica isso direito pra mim!

Esse homem… é seu pai?!

Na época do casamento, você disse que era órfã!

Disse até que não tínhamos dinheiro e que não precisava fazer cerimônia!

E agora de repente aparece um pai?!

Não é à toa que todo mundo na cidade dizia que você, criando um filho sozinha, vivia envolvida com outros homens…

Eu confiei tanto em você… e você… você se envolveu com um homem tão velho assim?!

Diz logo!

Lucas é mesmo meu filho ou não?!

P

á

Usei toda a minha força—

e dei um tapa violento no rosto dele.

Minha mão chegou a ficar dormente com o impacto.

Antes que pudesse reagir, os seguranças avançaram e o imobilizaram no chão.

Ele lutava desesperadamente, o rosto raspando no chão áspero, arrancando sangue da pele.

Eu o encarei de cima— minha voz gelada ao extremo.

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