《Oito Anos de Mentiras: A Vingança do Amor Traído》Capítulo 2

Capítulo 2

O soldado que o acompanhava soltou uma risada fria, cheia de desprezo:

Que absurdo ridículo.

Em toda a tropa de Nanshan, quem é que não sabe? A irmã Bianca é a esposa que o comandante Rafael mais ama.

Para agradá-la, ele, um homem feito, até aprendeu a dançar e subiu ao palco com ela, fazendo um número romântico juntos.

Em quatro anos de serviço, nunca o vi se atrasar para o treino matinal. Depois que Bianca apareceu? Chegou atrasado vinte e oito vezes em um único mês… quase não desgruda dela.

Cada palavra… caía como um martelo no meu peito.

Mais de dois mil dias e noites.

Sozinha, fazendo três trabalhos pesados, criando meu filho, ainda tendo que me proteger de olhares mal-intencionados nas noites silenciosas.

Quando não aguentava mais e desabafava por telefone… a voz de Rafael do outro lado era fria como gelo:

O marido da Bianca morreu num acidente justamente no caminho para me levar até você.

Cuidar dela é pagar essa dívida por você. Você deveria ser grata… não agir como uma ingrata sem coração.

Todos esses anos…foi essa frase que me manteve de pé.

Sem esperar nada.

Sem incomodar.

Sem reclamar.

Hoje mesmo, eu ainda pensava em comprar mais carne e preparar um jantar caprichado para receber Bianca e o filho.

Tratá-los como família.

Mas agora eu entendia— Rafael me prendeu em correntes morais, enquanto ele próprio se afundava em um romance proibido com a esposa do melhor amigo.

Então… todo o sofrimento que eu suportei… valeu o quê?

A multidão explodiu em alvoroço.

Eles avançaram em massa, apontando para mim:

Camila, como você teve coragem de mandar esse bastardo chamar o comandante de pai?!

Quer jogar essa sujeira nos outros à força?

Quantos homens na cidade já ajudaram você e seu filho nesses anos? E você sempre dizendo que era casada, ainda saía batendo nos outros!

Ah, então você só despreza a gente por sermos do interior? Então vai embora!

Alguém puxou meu cabelo com força para trás.

Lucas tentou desesperadamente empurrar aquelas pessoas— mas foi chutado ao chão.

Outras crianças, maldosas, pisaram no rosto dele, esmagando-o contra o chão.

Chega!

Rafael gritou.

Bianca mudou levemente de expressão e puxou sua manga, mas ele suspirou, afastou-a e veio até nós.

Ajudou-me a levantar, junto com Lucas.

Pessoal… a verdade é que Camila é… é minha cunhada.

Depois da morte do meu irmão mais velho, a família quis que eu assumisse as duas casas.

Mas eu, como um militar educado, jamais poderia aceitar algo assim.

Só que… minha cunhada sempre quis ficar comigo… então acabou criando esse mal-entendido.

Um mal-entendido.

Que piada.

Aquele pedaço já dilacerado do meu coração foi perfurado mais uma vez.

Rafael abaixou a voz, tentando me acalmar:

Camila… não deixe a Bianca passar vergonha.

Naquele ano, quando você estava em trabalho de parto, se não fosse a pressa de me levar até você, o marido dela não teria dirigido tão rápido.

Isso é uma dívida sua com ela.

De novo essa frase.

Ela me impedia de odiar Rafael… e também de odiar Bianca.

Todos esses anos de solidão e sofrimento… eu só podia engolir tudo em silêncio.

Mas meu filho não foi feito só por mim.

Por que toda essa culpa tinha que cair apenas sobre mim?

Meu coração finalmente se apagou.

Eu não queria mais discutir.

Se Bianca queria tanto ficar com Rafael— então eu entregaria.

A partir de hoje… não haveria mais nada entre nós.

Afastei a mão dele e falei com frieza:

Sim. Eu sou mesmo a cunhada do comandante Rafael.

Lucas, chame ele de tio.

Eu não quero.

Chame!

Ti… tio…

O rosto de Rafael enrijeceu.

Ele demorou a responder, seus olhos cheios de emoções confusas.

Não era isso que ele queria?

Então por que hesitar agora?

Ele se agachou, tirou um pacote de balas de leite do bolso e tentou entregar a Lucas.

Eu afastei a mão dele e saí dali, segurando meu filho.

Sem olhar para trás nem uma única vez.

Assim que cheguei em casa, comecei a arrumar as malas.

Mas antes mesmo de terminar— o portão do quintal foi empurrado.

Rafael entrou, trazendo Bianca e o filho com ele.

Olhei para ele, fria:

Por que você voltou?

Ele passou por mim, carregando as malas:

Chega de fazer drama.

Não era isso que você sempre quis? Que eu voltasse?

Eu poderia ter sido transferido para a capital… mas pensei que você não gosta do clima seco do norte, então voltei para Águas Claras.

A partir de agora, nós cinco vamos viver como uma família de verdade.

Por um instante, achei que tinha ouvido errado.

Família de cinco? Rafael, o que exatamente eu sou para você?

Ele parou, virou-se e sorriu:

Claro que é minha esposa.

E acrescentou, como se fosse algo natural:

Mas para os outros, você continua sendo minha cunhada. Não vá falar besteira e constranger a Bianca.

Ele entrou no quarto principal, jogando para fora todas as nossas coisas— meus cobertores, roupas, livros… tudo.

Depois, abriu um conjunto de lençóis novos e começou a arrumar a cama com cuidado.

Aquelas mãos… as mesmas mãos que um dia me puxaram das águas furiosas,

que ficaram dias sem dormir cuidando de mim no hospital… foram as mãos que me fizeram me apaixonar à primeira vista.

Eu desafiei meu pai, rompi laços com a família… só para me casar com ele.

E agora— essas mesmas mãos arrumavam a cama para outra mulher.

Tudo… finalmente estava voltando ao seu lugar.

Abaixei-me e abracei Lucas, que ainda chorava sem parar.

A mamãe já ligou para o seu avô.

Ele vai vir nos buscar.

Seu avô é muito incrível… ele tem até um helicóptero.

Você não sempre quis voar como os pássaros?

Os olhos vermelhos e inchados de Lucas brilharam de repente.

Ele assentiu com força.

Mamãe… eu tô com fome.

Afaguei seu rosto e fui para a cozinha.

Bianca encostou no batente da porta, com um sorriso falso:

Você aguenta bem, hein.

Eu já me mudei pra cá e você ainda tá aí, cozinhando pro Rafael?

Ou tá pensando em cuidar de mim quando eu tiver outro filho?

Nem levantei os olhos.

Ela ficou irritada por não obter reação, me encarando com rancor.

Depois de hesitar por um momento, como se tivesse tomado uma decisão, falou em voz baixa:

Na verdade… a morte do meu marido, Diego… não teve nada a ver com você.

Meu corpo congelou.

Naquele dia, enquanto você estava em trabalho de parto, Rafael insistiu que Diego desviasse até uma confeitaria no lado oeste da cidade antes de ir para o hospital.

Todo mundo achou que era pra comprar algo pra você… mas foi só porque eu mencionei, de brincadeira, que queria comer bolo de castanha.

Ela cobriu a boca e soltou uma risadinha.

E foi justamente naquela estrada que aconteceu o acidente.

Seus olhos se encheram de satisfação.

Eu e Rafael fomos nosso primeiro amor.

Depois nos perdemos quando fomos enviados para o interior…

E agora, depois de tudo, voltamos a ficar juntos.

É isso que chamam de destino…

amantes destinados acabam juntos.

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