《Oito Anos de Mentiras: A Vingança do Amor Traído》Capítulo 1

Capítulo 1

Eu tive um parto difícil.

Os médicos chegaram a emitir seis avisos de risco de morte.

Meu marido voltou às pressas do quartel, viajando a noite inteira.

Quando chegou, estava coberto de sangue… e seus olhos carregavam um ódio sufocante.

Só para vir te ver, meu melhor amigo bateu o carro contra a montanha e morreu. Deixou uma esposa e um filho para trás.

Como é que você quer que eu pague essa dívida de sangue?!

Naquela mesma noite, Bianca perdeu o marido.

E, desde então… o meu também nunca mais voltou para casa.

Fiquei sozinha.

Trabalhando sem parar para sustentar nosso filho, aguentando olhares tortos e fofocas cruéis dos vizinhos.

Na escola, meu filho era chamado de bastardo… de criança sem pai.

Eu não aguentei.

Fui tirar satisfação.

Mas acabei sendo espancada por toda a família deles, até ficar com a cabeça aberta, ensanguentada… deitada sozinha numa mesa cirúrgica fria.

Tremendo, liguei para a linha direta do meu marido.

Quem atendeu foi um soldado.

O comandante está assistindo à apresentação artística da companheira Bianca.

Não é permitido que estranhos o incomodem.

Naquele instante… meu coração morreu.

Pedi o divórcio.

Ele insistiu, prometendo mil vezes que voltaria para casa em um mês.

Quando esse dia chegar, vou levar nosso filho para dar uma volta no jipe militar.

Quero que todos vejam que ele tem um pai respeitável.

Eu e Lucas começamos a marcar os dias no calendário…

um por um.

Esperando.

Contando.

Até que finalmente… o dia chegou.

Mas o que vimos foi o jipe cercado por uma multidão—

e, dentro dele, Bianca, sorrindo radiante,

com uma criança nos braços.

Segurei com força meu filho, que chorava sem parar.

Fica quietinho…

A gente não precisa mais de pai.

O helicóptero verde do seu avô é muito mais incrível que esse jipe.

A cidade de Águas Claras era pequena.

Normalmente, até alguém comprar uma simples bicicleta já virava assunto.

Imagina um jipe militar.

A estrada estreita ficou completamente lotada.

Sem saída, Rafael desceu do carro.

Um menino agarrou sua perna e resmungou, fazendo careta:

Que estrada cheia de lama… que nojo.

Não quero sujar meu sapato novo. Papai, me carrega.

Lucas ficou furioso.

Pisou forte no chão, se soltou de mim e correu até eles, empurrando o menino com força.

Sai daqui!

Ele não é seu pai!

O garoto, pego de surpresa, cambaleou.

Bianca o abraçou imediatamente e lançou um olhar venenoso para Lucas.

De onde surgiu esse moleque mal-educado?

Rafael levantou a mão, pronto para bater em Lucas.

Meu filho ficou imóvel, com os punhos cerrados.

Porque, nas histórias que eu contava…

O dia em que o pai voltasse

seria o dia em que ele ganharia doces, brinquedos…

e andaria em carros grandes.

Seria o dia em que todos aqueles que o humilhavam

veriam—

que ele não era um bastardo.

Que ele tinha o melhor pai do mundo.

Mas depois de tanta espera…

O que ele ganhou foi ver o próprio pai, defendendo outra criança… e pronto para bater nele em público.

A voz de Lucas falhou, embargada:

Mamãe mentiu… você não é meu pai.

A mão de Rafael ficou suspensa no ar, tremendo levemente.

Seu olhar caiu sobre a marca de nascença na testa de Lucas— uma pequena mancha escura, em forma de estrela.

Seus olhos se encheram de surpresa, culpa… e um carinho quase imperceptível.

Essa marca parece uma estrela… 

Vamos chamar nosso filho de Lucas.

Depois disso… ele nunca mais voltou para casa.

Hoje era a primeira vez, em oito anos, que ele via o próprio filho.

Mas aquele pequeno traço de ternura… foi completamente esmagado quando Bianca reclamou:

Rafael, você vai mesmo ficar aí vendo o Pedro ser intimidado?

No instante seguinte—

um tapa pesado caiu no rosto de Lucas.

Meu corpo inteiro gelou.

Corri e abracei meu filho, que mordeu os lábios até sangrar, mas se recusava a chorar.

Reuni todas as forças que tinha e devolvi o tapa em Rafael.

Você tem coragem mesmo, hein?

Bastou uma palavra da Bianca pra você bater no meu filho?!

Um tapa. Um grito.

A multidão que assistia ao espetáculo se aproximou, olhando para mim com puro deboche.

Eles estavam loucos por uma chance de agradar Rafael.

E agora, finalmente tinham uma.

Camila, você perdeu a cabeça? Como ousa bater no comandante Rafael?!

Ele é o marido da Bianca! Se não defender o próprio filho, vai defender quem? Você?

Foi seu filho que começou! Mulher sem noção!

Sem noção? Ela é é imunda mesmo.

Alguém já viu o marido dela todos esses anos? Esse bastardo aí deve ser filho de qualquer um.

As palavras eram como agulhas, perfurando minha cabeça.

Rafael demonstrou um traço de hesitação… mas ainda assim protegeu Bianca e o menino atrás de si.

Não disse uma única palavra por mim.

Apertei os dentes, segurando Lucas nos braços enquanto ele tremia de chorar.

Bianca pareceu entender algo naquele momento— e seu sorriso ficou ainda mais arrogante.

Fingindo generosidade, disse:

Ah… então é você…

Deixa pra lá. Uma viúva com filho já sofre o bastante. Não vou me importar.

Mas os outros não recuaram.

De jeito nenhum! Agredir um comandante é coisa séria. Tem que ficar presa por quinze dias!

E esse bastardo ainda gritou com o comandante, perguntando se ele era o pai dele!

Se isso se espalha, vão achar que o comandante tem má conduta!

Eu podia suportar humilhação.

Mas não permitiria que insultassem meu filho.

Engolindo a dor que queimava no peito, olhei diretamente para Rafael.

Então diz você mesmo…

De quem, afinal, você é marido?

Minha teimosia, segurando as lágrimas, cravou como uma faca no coração dele.

Rafael engoliu em seco… o pomo de Adão subindo levemente, como se quisesse dizer algo…

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