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《Memória Seletiva: A Farsa do Marido》Capítulo 3

Capítulo 3

Logo chegou o dia da alta de Rafael.

Quando Sofia entrou empurrando a cadeira de rodas, rindo e conversando com ele, eu estava escovando o pelo de Nino.

O grito dela fez com que eu e o gato nos assustássemos ao mesmo tempo.

— Lívia, coloca esse gato em outro quarto. Sofia é alérgica.

Rafael ainda manuseava a cadeira com certa dificuldade, mas mesmo assim colocou Sofia atrás de si, protegendo-a.

Nem levantei a cabeça:

— Se é alérgica, então vá embora. Ninguém pediu para ela ficar.

No instante seguinte, ouvi a voz chorosa de Sofia:

— Senhora… me desculpa… eu só achei que a senhora não viria buscar o senhor, então tomei a liberdade…

— Eu ultrapassei meus limites… vou embora agora…

Rafael segurou o pulso dela, o rosto sombrio:

— Você não cumpre nem o papel de esposa, e quando Sofia tenta ajudar, você ainda a culpa?!

— E mais: a partir de hoje, Sofia vai morar aqui. Controle esse seu gato. Caso contrário, não me culpe pelo que eu fizer.

Minha mão parou no ar, ainda segurando a escova.

Ergui os olhos lentamente:

— Não me culpe? O que exatamente você pretende fazer?

Nino…

Foi o presente que ele me deu quando completei dezoito anos.

Naquela época, eu era apenas a “filha legítima” no nome — na prática, vivia pior do que um filho ilegítimo dentro da família Carvalho.

Ninguém lembrava do meu aniversário.

Até os empregados podiam me humilhar.

Foi Rafael quem me deu Nino, dizendo:

“Que todos os anos sejam como este — longos, tranquilos. A partir de agora, eu e ele somos sua família.”

Naquele tempo, eu não podia cuidar do gato.

Foi Rafael quem o criou até nos casarmos.

Era ele quem deveria ter o vínculo mais profundo com Nino…

Mas agora, ao olhar para o gato, seus olhos estavam frios.

Como se estivesse olhando para algo incômodo… descartável.

Ele não respondeu.

Achei que fosse apenas uma ameaça vazia.

Até que, uma semana depois, voltei de viagem de trabalho…

E Nino havia desaparecido.

Ao ouvir meus passos, Sofia saiu da cozinha.

Aproximou-se de mim, inclinando-se levemente, sussurrando perto do meu ouvido:

— Está procurando aquele gato?

O sorriso em seu rosto cresceu, distorcido:

— Que pena… morreu~

Em seguida, ela deu play em uma gravação.

O som de um gato agonizando ecoou pela sala.

Miados agudos, desesperados… atravessaram meu corpo como lâminas.

O frio percorreu minha espinha.

— O que você fez com ele?

— O que você fez?!

Agarrei o pescoço dela, minha voz tremendo, repetindo a pergunta como uma louca.

Então, do segundo andar, veio a voz fria de Rafael:

— Lívia, solte.

— Onde está o Nino?!

Ele me olhava de cima, com desprezo:

— Era só um animal. Morreu, morreu. Não dificulte a vida da Sofia.

— Ele fez ela ter uma crise alérgica e ir parar no hospital. Já foi até pouco pra ele.

Disse aquilo… como se comentasse sobre o tempo.

Sem emoção alguma.

— Hoje é aniversário da Sofia. Não estrague o humor dela por causa de um bicho.

Ao mencionar o aniversário dela, o rosto dele finalmente demonstrou algo além de indiferença.

Um sorriso.

— Pretendo transferir esta casa para o nome dela. Suba para assinar os papéis.

Ele virou a cadeira de rodas e se afastou, sem sequer olhar para mim.

Eu estava prestes a subir para discutir com ele…

Mas um grito repentino, seguido de um estalo seco, me paralisou.

Quando Rafael se virou, viu Sofia com o rosto inchado, segurando a bochecha, chorando desesperadamente.

— Senhora… eu não queria que o Nino morresse… a senhora tem razão em me bater!

Ela levantou o rosto, fechando os olhos:

— Pode bater o quanto quiser… eu aceito…

Soltei uma risada curta.

Que bela encenação.

— Lívia, já chega! Você acha mesmo que manda nesta casa?!

O homem que antes me olhava com ternura infinita… não existia mais.

Agora, seus olhos eram sombrios.

Como se quisesse me destruir.

Cruzei seu olhar… e sorri friamente.

Então, virei-me—

E dei um tapa em Sofia.

Eu nunca fui alguém fácil de intimidar.

Sobrevivi àquele inferno chamado família Carvalho.

Não seria agora que me tornaria fraca.

— Aquele tapa anterior não conta.

Pá!

— Mas este…

Pá!

— Foi eu, Lívia, quem te deu.

Pá!

— Este lugar é meu. Ninguém pode te proteger aqui. Nem mesmo Rafael.

 

Capítulo 4

Quando ergui a mão para dar o terceiro tapa, Rafael segurou meu pulso.

Ele me empurrou com força.

Apontando para mim, avisou:

— Lívia, peça desculpas à Sofia. Caso contrário… não me culpe por esquecer nosso passado.

Eu ri.

Ri alto, olhando para o teto.

— Esquecer nosso passado?

— E o que você pretende fazer comigo? Como fez com o Nino?!

Rafael apenas franziu a testa, como se eu fosse irracional.

Depois, virou-se para Sofia, cheio de cuidado.

Verificou o rosto dela com delicadeza.

Soprou levemente, como se estivesse acalmando uma criança:

— Pronto… já passou…

Aquela ternura…

Era a mesma de anos atrás.

Eles saíram de mãos dadas.

Ele sequer olhou para mim.

Apenas deixou uma frase:

— Ainda restam vinte dias do período de reflexão do divórcio. Durante esse tempo… não quero mais te ver.

Minhas pernas cederam.

Agachei lentamente no chão.

Minha assistente correu para me ajudar—

Mas sua mão tocou algo viscoso.

— Senhora Lívia! Você está ferida!

Sobre a ilha da cozinha… havia uma tesoura.

Agora, cravada profundamente na minha lombar.

Meu celular começou a vibrar.

【Dói? Foi com essa mesma tesoura que eu cortei o rabo daquele animalzinho~】

Depois disso, eu deixei a casa.

Levei a tesoura comigo.

Para nunca esquecer esse ódio.

No dia anterior ao fim do prazo de reflexão, fui ao hospital trocar o curativo.

Ao sair do consultório, vi Rafael com seu amigo.

— Você nem se divorciou ainda, e a Sofia já está grávida de dois meses. Isso é traição no casamento!

O amigo o xingava.

Rafael, no entanto, apenas sorriu com suavidade:

— Você não entende… eu e a Lívia já chegamos ao fim.

— Eu amo a Sofia.

Ele fez uma pausa.

O sorriso desapareceu.

— Só depois de conhecê-la… percebi o quão assustadora a Lívia é.

— O pai dela trouxe o filho ilegítimo de volta e preparou tudo para ele assumir a empresa.

— Mas a Lívia… conseguiu arruinar aquele homem, deixá-lo incapacitado, fazer o próprio pai perder o controle da empresa e, no fim, trancá-lo em um hospital psiquiátrico!

— Uma mulher assim… não é assustadora?

Minhas estratégias nunca foram segredo.

Na época, ele sabia de tudo.

E até me elogiava.

Agora… me chamava de cruel.

Ao sair do hospital, recebi uma mensagem de Sofia.

Era o exame de gravidez.

【O Rafael disse que você é uma galinha que não bota ovos~】

No dia seguinte, finalizei o divórcio com Rafael.

Ele disse:

— Lívia… recuperei a memória. Mas tenho certeza… não te amo mais.

Assenti:

— Eu sei.

Ele franziu a testa:

— Você sabe?

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