Capítulo 15
Depois de vários estalos secos de tapas,
Bianca Rocha
jazia no chão, quase sem vida.
Seu rosto estava tão inchado que já era impossível reconhecer sua aparência original.
Mas, naquele momento, ela já não se importava com isso.
Em seus olhos, restava apenas um pensamento:
ir embora.
Ricardo Faria era um louco.
Ela não conseguia entender.
Como o homem que até ontem a tratava com tanto mimo e ternura podia ter mudado completamente da noite para o dia?
Ela havia escondido tudo tão bem.
De repente, uma dor aguda atravessou seu ventre.
— Parem… minha barriga dói muito…
Ao ver o sangue escorrendo entre as pernas dela, o assistente interrompeu imediatamente.
— Senhor Ricardo… isso…
Ricardo sequer olhou.
— Levem-na embora. Coloquem alguém para vigiá-la.
— E não deixem que ela morra.
Lucas respondeu de imediato e arrastou Bianca para fora.
Ela olhava para Ricardo com desespero absoluto, incapaz de entender como tudo havia chegado àquele ponto.
Mesmo à beira do colapso, Bianca ainda lutou para se arrastar até ele.
— Ricardo Faria, você disse que ia me mimar, me proteger, que eu poderia fazer o que quisesse!
— Então por que agora está sendo tão cruel?
— Eu ainda estou grávida do seu filho!
— Por que está me tratando assim?
— Você… já não me ama mais?
As lágrimas escorriam sem parar.
Ela insistia em obter uma resposta, incapaz de desistir.
O olhar de Ricardo era profundo e perigoso.
Sua voz saiu carregada de impaciência.
— Não amo mais.
— Eu me cansei.
— Depois que Helena foi embora, você também deixou de ter graça.
Ele olhou friamente para Bianca.
— Além disso, quando entrou na família Faria, foi Helena quem te acolheu e te tratou bem.
— E, no entanto, você se virou e veio me seduzir.
— No dia em que fez isso, já devia ter imaginado que chegaria a este fim.
— Quando eu te mimava, era uma graça que eu te concedia.
— Se eu não quiser mais te mimar, você não tem nem o direito de opinar sobre a minha vida.
Seus olhos escureceram ainda mais.
— A partir de hoje, comporte-se.
— Enquanto Helena não voltar, você não vai ter um único dia de paz.
Ricardo não quis perder mais tempo com palavras.
— Chamem os seguranças.
— Façam com que ela experimente tudo o que Helena sofreu.
Lucas esfregou o pulso dolorido e respondeu:
— Sim, senhor.
Os seguranças do lado de fora entraram imediatamente.
— Não me toquem! Não me toquem!
Bianca perdeu completamente o controle e começou a gritar.
Mas os seguranças ignoraram seus pedidos.
Arrastaram-na até a escada e a empurraram com violência.
Bianca rolou degraus abaixo.
A cabeça bateu, o sangue escorreu, e uma poça vermelha se formou sob seu corpo.
Mesmo assim, eles não pararam.
Trouxeram enormes blocos de gelo de uma câmara frigorífica e a obrigaram a ajoelhar-se sobre eles, completamente nua.
Bianca tremia de frio e medo.
Não resistiu nem dois minutos antes de desmaiar.
Quando voltou a acordar, já estava à beira da morte.
Um médico fez um tratamento de emergência e estabilizou minimamente seu estado.
Ricardo nem sequer se deu ao trabalho de olhar para ela.
Apenas ordenou friamente:
— Levem-na ao cais.
— Batam até que ela perca o bebê.
Assim que ouviu aquilo, Bianca mergulhou em desespero total.
Sem nenhuma luz nos olhos, foi arrastada para fora como um corpo vazio.
A partir daquele dia, Bianca passou a sofrer aquele mesmo tormento
todos os dias
.
Ricardo apertou a ponte do nariz, tentando aliviar a dor de cabeça.
Mas a irritação dentro dele se tornava cada vez mais evidente.
Desde que
Helena Xavier
partira, tudo tinha se tornado sem graça.
Até o trabalho parecia irritante e insuportável.
Na realidade, durante todo esse tempo…
Quem não conseguia viver sem o outro era ele.
Não Helena.
Antes, quando se cansou dela, parou de lhe dar valor.
Sempre acreditou que Helena o amava, que não tinha nada além dele, que não importava o que acontecesse, ela passaria a vida inteira presa ao seu lado.
Mas a realidade lhe deu um tapa violento no rosto.
Se o Ricardo de antigamente soubesse de tudo o que havia acontecido…
Provavelmente odiaria o homem que ele havia se tornado para o resto da vida.
Porque, no passado…
Ele realmente a amou com sinceridade.
Só que esse amor…
Não resistiu à passagem do tempo.
Ricardo olhou para o trânsito movimentado do lado de fora da janela.
De repente…
Teve vontade de chorar.
Capítulo 16
Mais um amanhecer.
Ricardo Faria estava sentado em um sofá coberto de poeira.
O celular em sua mão não parava de acender.
Na tela, havia apenas mensagens enviadas pelo assistente.
Todas diziam a mesma coisa:
【Ainda não encontramos o paradeiro da senhora.】
Já fazia
uma semana
.
E, mesmo assim, as pessoas enviadas por Ricardo continuavam sem encontrar Helena.
O mundo não era tão grande assim.
Dentro e fora do país, ele havia procurado em todos os lugares possíveis.
Ainda assim…
Não conseguia encontrá-la.
— Intensifiquem a busca.
— E se ainda não a encontrarem, publiquem anúncios de pessoa desaparecida!
Em uma única noite, a notícia do desaparecimento de
Helena Xavier
se espalhou por toda parte.
Mas, ainda assim, ninguém conseguiu encontrá-la.
Porque, naquele exato momento, Helena estava no
Instituto Fumans
.
Ela vinha passando seus dias ali em paz.
Chegou até a comprar uma pequena casa, decorando o jardim com flores e plantas de acordo com seu gosto.
A mãe de Helena, depois de todo aquele período de tratamento, também vinha melhorando gradualmente de seu problema cardíaco.
Helena saiu para comprar itens domésticos, encheu a geladeira de comida e, ao olhar para a nova casa, sentiu o coração transbordar de felicidade.
A partir dali…
Ela poderia finalmente começar uma nova vida.
Os dias no instituto passavam um após o outro.
Nascer do sol.
Pôr do sol.
Gaivotas sobre o gramado.
O vento soprando junto à igreja.
Nos fins de semana, ela levava alguns pacientes para rezar na igreja.
Diante do Deus misericordioso, das pinturas grandiosas e solenes, ouvindo as orações ecoando pelo templo…
Seu coração encontrava paz.
— Doutora Helena, será que a senhora poderia tocar para nós? O pianista faltou hoje.
Um senhor idoso e gentil a olhava com expressão suplicante.
Helena queria recusar.
Mas, no fim, assentiu.
Quando seus dedos tocaram o piano, a melodia se espalhou como um rio invisível, fluindo silenciosamente pelo coração de cada fiel.
Suave.
Luminosa.
Cheia de esperança.
Quando a música terminou, a igreja inteira explodiu em aplausos.
Clap, clap, clap.
Helena curvou-se educadamente em agradecimento.
Mas, quando saiu da igreja…
Uma voz a chamou por trás.
Helena se virou ao ouvir.
Na entrada do templo, um homem de olhos verdes, vestindo um sobretudo preto, sorria para ela.
Ele parecia um enorme cão elegante.
Seus traços eram belíssimos, misturando a profundidade ocidental com a delicadeza oriental.
Um mestiço impressionantemente bonito.
— Foi lindo.
— Você poderia me dizer como se chama?
Ele a encarava diretamente, sem o menor traço da reserva típica do Oriente.
Helena hesitou por um segundo.
Mas o homem já havia dado um passo à frente.
Seu corpo alto a envolveu completamente com uma presença opressiva.
Dessa vez, Helena nem tentou manter uma falsa cordialidade.
— Desculpe. Eu não entendo inglês.
Depois disso, entrou diretamente no carro e foi embora.
O homem ficou parado no mesmo lugar.
Observando as lanternas do carro se afastarem,
Edward
curvou os lábios em um sorriso.
— Jovem mestre, o que o senhor está olhando?
O motorista perguntou, confuso.
Edward respondeu, ainda sorrindo:
— Uma gatinha… tímida.
Ele entrou no carro com o coração leve.
Pela primeira vez, a ideia de voltar para o castelo não lhe pareceu tão insuportável.
O carro seguiu lentamente por uma estrada cercada por árvores, em direção a uma antiga fortaleza.
Ao entardecer, no Instituto Fumans…
Helena estava organizando os prontuários dos pacientes quando o diretor apareceu às pressas.
— Helena, preciso muito da sua ajuda.
Capítulo 17
O castelo.
Helena Xavier olhava para a construção majestosa diante de si, enquanto lembrava as palavras do diretor.
— Você vai ajudar no tratamento psicológico de uma pessoa. O pagamento é altíssimo. Na verdade, não precisa fazer quase nada… basta ficar lá por um mês. A recompensa será de cinco milhões.
Segurando os documentos nas mãos, Helena finalmente entrou no castelo.
O portão se abriu automaticamente.
Diante dela havia um pátio vazio.
O chão inteiro era revestido por mármore, transmitindo uma sensação fria.
As pinturas em estilo bizantino davam ao lugar uma imponência estrangeira e luxuosa.
Era como um túmulo magnífico e vazio.
Reprimindo o desconforto que sentia, Helena chamou suavemente:
— Senhor Fusi? Sou a nova psicóloga.
— Nos encontramos de novo.
A voz masculina surgiu de repente, quebrando o silêncio.
Helena se virou.
Era
Edward
.
— Você?
Um brilho de surpresa passou pelos olhos dele.
— Então você é minha psicóloga.
Helena franziu ligeiramente a testa.
Edward fingiu não perceber a cautela em seus olhos.
Aproximou-se com tranquilidade, sorriu e estendeu a mão de dedos longos e elegantes.
— Agora você pode me dizer o seu nome?
Após hesitar por alguns segundos, Helena também estendeu a mão.
— Helena Xavier.
O sorriso de Edward se alargou.
— Prazer, Helena Xavier. Eu sou Edward.
E assim, Helena passou a morar ali, começando um trabalho que duraria
um mês
.
Enquanto isso, na China…
Ricardo Faria ainda continuava procurando desesperadamente por Helena.
Depois de desmaiar mais uma vez por causa da alimentação irregular, ele despertou lentamente.
E a primeira frase que disse foi:
— Helena… quero beber a sopa que você faz.
O assistente ficou atordoado.
Depois soltou um suspiro.
— Senhor Ricardo… a senhora já foi embora.
Os olhos de Ricardo se tornaram lúcidos num instante.
Tudo o que havia acontecido nos últimos dias invadiu sua mente e o deixou novamente tomado por irritação.
O avô da família Faria estava de pé diante da cama, apoiado em uma bengala, com expressão de quem não suportava mais vê-lo daquele jeito.
— Olhe para você. Onde está a postura de um herdeiro da família Faria?
— Você se destruiu desse jeito por causa de uma mulher.
Ricardo respondeu com a voz serena:
— Ela é a minha esposa.
Sua expressão era calma.
Mas bastava ouvi-lo para sentir um frio subir pela espinha.
O velho senhor, lembrando-se de tudo o que aquele neto era capaz de fazer, suavizou um pouco o tom.
— Vocês já se divorciaram. Pelo jeito da Helena, desta vez você realmente a machucou profundamente.
— Por que não aproveita e faz um casamento de conveniência com alguém da sua posição? Isso também beneficiaria a família.
Cada palavra era um conselho.
Mas, aos ouvidos de Ricardo, soava extremamente irritante.
— Avô, o senhor já está velho.
— É melhor não se meter na minha vida.
Ele pegou uma maçã e a atirou violentamente contra a parede.
— Caso contrário… não me culpe por perder a paciência.
A maçã passou raspando pela orelha do avô, assustando-o tanto que ele quase teve um ataque cardíaco.
Quando recuperou o fôlego, gritou:
— Filho ingrato!
Mas, ao ver o estado quase enlouquecido de Ricardo, não ousou dizer mais nada.
Virou-se e foi embora.
O quarto do hospital voltou a ficar em silêncio.
Pouco tempo depois, o assistente entrou.
— Senhor Ricardo… encontramos notícias da senhora.