《Depois de Mandar uma Mensagem Errada para o Meu Chefão》Capítulo 2

Mandei a mensagem e capotei.

No dia seguinte, acordei morrendo. Passei a mão na testa: tava pegando fogo. Nariz entupido. Gripe, provavelmente.

Peguei o celular, por hábito.

Quando abri a tela, tomei um susto: dezenas de ligações perdidas do Leonardo Montenegro e um monte de mensagens no WhatsApp.

Entrei em pânico.

Nem li as mensagens, liguei de volta na hora.

Massageei as têmporas, tentando fazer minha voz rouca soar profissional:

— Chefe, ontem eu tava bêbada e não consegui atender.

Achei que ele fosse me zoar, como sempre: "Ainda tem tempo pra beber? Vem trabalhar logo!". Mas não.

Hoje ele tava estranho:

— Eu... eu sei que você tava bebendo.

— Só tava perguntando.

— Como você tá agora? Sua voz parece estranha. Gripe?

Fiquei surpresa. O herdeiro da família mais rica do Brasil, que mal fala comigo além do trabalho, hoje perguntando da minha saúde. ? algo errado? 

— Obrigada pela preocupação, chefe. Tô bem, sim. É que depois de tanto tempo trabalhando sem parar, quando relaxei... — espirrei alto — Parece que peguei uma gripe mesmo.

— Toma remédio direito. Vou mandar meu médico particular aí pra te atender. — ele disse — Se hoje à noite...

A voz dele tava super estranha, parecia até sem graça.

Ele hesitou e completou:

— Se eu conseguir voltar pra São Paulo hoje, vou te encontrar.

Eu:

— ?

— Me encontrar pra quê? Chefe, sem necessidade. É só uma gripe. Não precisa vir me visitar. Se puder me dar mais uns dias de folga, já tá ótimo...

Do outro lado da linha, o Leonardo Montenegro pareceu falar meio rangendo os dentes:

— Isabella Duarte... você não sabe por que eu quero te encontrar?

Calei a boca. Pensei rápido se tinha algum documento esquecido no carro ou em casa.

A voz dele ficou firme:

— Toma remédio direito. Não quero que me passe essa gripe.

Eu:

— ?

Já fiquei doente antes. Minha mesa fica do lado de fora da sala dele. Quando isso acontece, ele geralmente me dá folga. Às vezes, quando tenho que entregar algo urgente e vou trabalhar doente, vou de máscara. Ele também vai de máscara e fica a um quilômetro de distância.

Como eu ia passar pra ele?

Capitalista safado, sempre desprezando o trabalhador.

Pensei, com raiva, lá no fundo.

Depois disso, ele ficou um tempão enrolado, sem falar nada e sem desligar.

Eu, mera funcionária, não podia desligar na cara do chefe.

Fiquei esperando.

Depois de uns cinco minutos, com dó dos meus custos do telefone, arrisquei:

— Chefe, tem mais alguma coisa?

Finalmente ele falou, rápido e baixo:

— Se cuida bem, fofinha, tá bom? Espera eu voltar.

E desligou na hora.

Fiquei tonta, demorei a processar. Quando caiu a ficha, explodi.

— fofinha?!

Ele tava falando comigo ou com a cachorra dele, a Mel?

Tudo isso sem entender, achando que ele tinha pirado de vez, resolvi olhar as mensagens no WhatsApp.

Olhei.

Quase joguei o celular no chão...

Ontem, com a cara no copo, nem lembrava o que tinha mandado pra ele.

O que eu queria era: "Chefe, tô bêbada, com dor de cabeça. Amanhã, posso tirar folga?".

Na tela do celular, o que aparecia era:

Eu: 【Amor, tô bêbada, com dor de cabeça. Amanhã, posso te dar um beijo?】

O contato "Chefe Sem Coração" tinha apagado duas mensagens.

E respondido: 【Ok.】

Meu arrependimento é total e extremo.

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