Lucas Xavier não hesitou por um segundo.
Depois de recolher e colar os pedaços rasgados do certificado de casamento, começou imediatamente a preparar o processo de divórcio.
Mesmo quando sua mãe disse que isso poderia fazê-lo perder tudo…
Ele não demonstrou a menor hesitação.
Dentro dele havia uma certeza clara:
Se a pessoa com quem ele estava casado não fosse Helena…
Então aquele casamento não tinha sentido algum.
Pela primeira vez, ele sentiu como se a névoa que cobria seu coração finalmente tivesse se dissipado.
No caminho de volta para casa, recebeu outra ligação de Luna.
Do outro lado da linha, havia reclamações teimosas misturadas com um tom suave de carinho.
Antes, isso sempre despertava nele um instinto de proteção.
Mas agora…
Ele não sentia nada.
Apenas falou calmamente:
— Não se preocupe.
— Eu não vou mais incomodá-la.
— Vou transferir um milhão para você, como compensação.
Do outro lado da linha houve um longo silêncio.
Luna parecia incrédula.
— O que você quer dizer com isso?
— Agora você também quer me humilhar com dinheiro?
— Eu já disse que não sou…
Lucas suspirou, cansado.
— Não é humilhação.
— Se não quiser, tudo bem.
E desligou.
Depois ligou para seu assistente e pediu que investigasse o paradeiro de Helena.
Naquela noite, o assistente ligou de volta.
Lucas pensou que finalmente havia notícias.
Mas era apenas Luna novamente.
Ela havia dito que estava endividada e precisava de dinheiro.
Lucas riu de repente.
Antes, Luna sempre dizia que não queria dinheiro.
Mas ele sempre encontrava uma forma de ajudá-la.
Isso fazia com que ele acreditasse que ela era orgulhosa e independente.
Agora, ouvindo-a pedir dinheiro diretamente…
Essa imagem se despedaçou completamente.
Ele transferiu um milhão para a conta dela.
Depois a bloqueou em todas as redes.
E embarcou em um avião para encontrar Helena.
Mas o caminho não foi fácil.
Sua mãe mandou pessoas interceptá-lo.
Ele foi praticamente mantido em prisão domiciliar na mansão da família.
Ela queria que ele permanecesse ali até a cerimônia de casamento.
Mas Lucas pulou da varanda do terceiro andar.
Arriscou quebrar a perna.
Mesmo mancando e com a perna fraturada, atravessou montanhas, pegou um barco e finalmente chegou ao país onde Helena estava.
…
No momento em que recebi o dinheiro, transferi imediatamente uma quantia para o sanatório onde meu pai estava internado.
Pedi que cuidassem bem dele.
Depois de chegar ao exterior, reencontrei minha mãe.
Fazia um ano que não nos víamos.
Ela já tinha se adaptado à vida simples.
Morávamos em um pequeno apartamento de dois quartos alugado.
Depois de ajustar o fuso horário, nos revezávamos para cuidar do meu pai.
Os médicos disseram que, com reabilitação adequada, havia uma grande chance de ele voltar a andar.
Pela primeira vez em muito tempo, vi um sorriso no rosto da minha mãe.
Ela perguntou como estavam as coisas na China.
Eu respondi de forma vaga.
Ela não insistiu.
No dia seguinte, quando fui ao supermercado comprar comida…
Vi Lucas Xavier.
Nunca imaginei encontrá-lo ali.
Muito menos naquele estado.
Suas roupas estavam gastas.
Ele mancava.
Parecia exausto e abatido.
Meu coração apenas se contraiu levemente.
Logo voltou à calma.
Passei por ele como se fosse um completo estranho.
Mas ele agarrou meu braço.
— Helena Nogueira.
— Você não vai me explicar nada?
— Enganar comigo e com a minha mãe foi divertido?
Franzi a testa.
Senti um leve cheiro de sangue vindo dele.
Antes dos meus vinte e dois anos, eu teria me preocupado.
Teria brigado com ele enquanto chorava e tratava seus ferimentos.
Mas agora…
Sem dinheiro como incentivo.
Sem amor como motivação.
Tudo o que senti foi incômodo.
— Senhor Xavier.
— Não sei do que você está falando.
— Estou ocupada.
— Não tenho tempo para seus jogos.
Soltei o braço.
Ele perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
Lucas riu amargamente.
Seus olhos estavam vermelhos.
— Senhor Xavier?
— Helena, você está tão ansiosa assim para cortar todos os laços comigo?
— Cinquenta milhões compraram seu amor e sua dignidade?
Ele respirou fundo e disse:
— Se é assim…
— Eu te dou cem milhões.
— Volte comigo.
— A pessoa com quem quero me casar é você.
— Eu ainda não terminei de falar.
— Como você pode simplesmente ir embora assim?