Lucas Xavier ficou imóvel por um instante.
Por um breve momento, sentiu como se alguém tivesse apertado seu coração com força, tirando-lhe o ar.
Seu cenho se franziu ainda mais.
Sua primeira reação foi pensar que Helena Nogueira estava armando algum tipo de truque novamente.
Ele sempre detestou esse tipo de joguinho inútil.
Lucas simplesmente não acreditou no que ouviu.
Pegou o livrinho vermelho com impaciência, soltou um riso frio e, sem sequer abri-lo, jogou-o no chão.
— Não tenho tempo para descobrir que tipo de teatro vocês estão fazendo junto com Helena.
— Avise a ela que, já que conseguiu se casar comigo como queria, é melhor começar a se comportar.
Ele deu de ombros, indiferente.
— Em vez de ficar brincando comigo com essas táticas ridículas, seria melhor voltar logo para casa e preparar a sopa para Luna.
— Se ela me ajudar a cuidar dela, talvez eu até consiga tratá-la um pouco melhor.
Dizendo isso, ele caminhou em direção ao quarto.
Mas no meio do caminho, a casa silenciosa começou a deixá-lo inquieto.
Ele parou.
— Vocês têm dez minutos para sair daqui com essa mulher.
— Não gosto de ver estranhas dentro da minha casa.
Depois acrescentou, friamente:
— E se em quinze minutos Helena não voltar, então que nem volte esta noite.
— Não pense que só porque temos um certificado de casamento eu vou tratá-la de forma diferente.
Ele já estava acostumado a usar esse tom ameaçador para obrigar Helena a agir conforme sua vontade.
No fundo, Lucas sempre acreditou que Helena o amava de forma desesperada.
Ela havia tolerado a ruína da própria família por causa dele e ainda assim se recusava a desistir.
Por isso, quando ela tentou pela primeira vez conversar com Luna e oferecer dinheiro para que ela fosse embora, Lucas usou o casamento como ameaça.
O efeito foi imediato.
Helena pediu desculpas a Luna.
Desde então, Lucas criou um hábito.
Sempre que ameaçava…
Helena obedecia.
Por isso ele sequer pensou no significado da frieza dela nos últimos dias.
Ou na indiferença que ela demonstrava.
Ele apenas achava que, depois de conseguir o casamento, ela tinha se tornado preguiçosa e relaxada.
Pensando nisso, soltou uma risada sarcástica.
— Quem casa também pode se divorciar.
— Avise-a para pensar bem antes de tomar qualquer decisão.
Dona Teresa Xavier, que temia que a troca de noivas causasse problemas, relaxou um pouco ao ver o desprezo do filho por Helena.
Ao mesmo tempo, também se sentiu aliviada.
Ela consolou Sofia Faria, que havia ficado constrangida.
— Vocês ainda não têm sentimentos um pelo outro.
— Ele sempre foi assim. Com o tempo melhora.
Depois pegou o certificado rasgado do chão e colocou dentro dele o documento de identidade de Lucas.
Então caminhou até ele e entregou.
— Sofia não está mentindo.
— Isso não é um jogo entre nós e Helena.
— Ela realmente foi embora.
— E a pessoa que se casou com você não foi Helena Nogueira.
Ela fez uma pequena pausa.
— Foi Sofia Faria, da família Faria.
— Se não acredita, abra e veja.
— Seu assistente entregou pessoalmente seu documento.
— O certificado é verdadeiro.
Lucas pegou o livrinho vermelho com desconfiança.
Quando o abriu…
Seu rosto congelou.
Nos olhos apareceu um lampejo de pânico inexplicável.
Ele folheou o documento rapidamente, irritado.
— O que significa isso?
— Como assim não foi ela que se casou comigo?
— Como isso é possível?
Ele levantou a cabeça, indignado.
— E para onde Helena iria?
— Os pais dela estão no exterior tratando doenças, mal conseguem se sustentar.
— Ela sempre se agarrou à nossa família como um cachorro.
— Para onde ela poderia ir?!
Dona Teresa suspirou.
Por um instante raro, até parecia sentir um pouco de culpa.
— Na verdade… escondemos uma coisa de você durante todo este último ano.
— A família Nogueira caiu em desgraça.
— Eles já não eram dignos de uma aliança com nossa família.
— Eu sei que você também não gostava de Helena, então tomei a decisão de trocar a noiva.
Ela continuou:
— Ocultei isso porque queria que você pudesse descarregar toda a sua raiva.
— Depois disso, poderia simplesmente seguir com a vida.
Naquele momento, a expressão de Lucas se desfez completamente.
A incredulidade tomou conta de seu rosto.
Olhando para a foto da desconhecida no certificado, uma fúria avassaladora explodiu dentro dele.
Ele rasgou o documento em pedaços.
Seus olhos estavam vermelhos.
Nem ele mesmo entendia por quê.
— Quem te deu o direito de trocar?!
— Eu não concordo com isso!