《A Despedida de Solteiro em que Ele Chorou por Outra Mulher, e Eu Liguei para o Amor da Vida Dele》Capítulo 3

Naquela noite, não consegui dormir direito.

Nos meus sonhos, Lucas Xavier aparecia repetidamente — o Lucas de quando éramos jovens.

Naquela época, nós éramos tão próximos.

Naquela época, ele jamais teria coragem de dizer uma palavra dura para mim.

Um nó apertou minha garganta.

As lágrimas invadiram meu nariz, fazendo minha respiração falhar.

Era como se meu corpo inteiro tivesse sido jogado em água gelada, uma dor cortante que atravessava os ossos.

Acordei de repente, com os olhos vermelhos.

Assim que abri os olhos, vi o rosto de Lucas Xavier bem diante de mim.

Seus olhos estavam cheios de desprezo.

Uma sensação de frio percorreu meu corpo.

As pontas do meu cabelo estavam encharcadas, gotas de água escorrendo.

Só então percebi o balde vazio na mão dele.

Foi aí que entendi.

O frio não vinha apenas do sonho.

— Helena Nogueira! Como você pode ser tão baixa e desprezível assim?!

A voz dele estava cheia de raiva.

— Eu já disse que amanhã vou registrar o casamento com você! Hoje à noite era apenas uma despedida entre mim e ela! Tudo foi iniciativa minha! Eu a forcei!

— Então por que você divulgou aquele vídeo?!

Fiquei atônita.

— Que vídeo?

Ele franziu a testa e soltou uma risada fria.

— Ainda vai fingir?!

— Quem mais seria tão vil a ponto de instalar câmeras no quarto?

— Agora entendi por que você foi tão “gentil” chamando ela para cá ontem. Você estava planejando destruir a reputação dela!

— Que mulher desprezível!

Ele me olhou com desdém.

— Então era isso? Veio aprender como me seduzir?

— Deixa eu te dizer uma coisa: mesmo que você se despisse completamente e se deitasse na minha frente, eu não olharia para você!

— Você é simplesmente—

Antes que ele terminasse a frase cheia de sarcasmo e vulgaridade, o telefone dele tocou.

Era o assistente.

— Senhor Xavier, já conseguimos conter o vídeo. Mas descobrimos que o IP que o enviou veio da antiga residência da família… não foi a senhorita Helena…

A ligação foi encerrada.

Por um instante, uma expressão quase imperceptível de surpresa e culpa passou pelo rosto dele.

Ele abriu a boca, como se quisesse dizer algo.

Mas naquele momento Luna entrou correndo, chorando.

Ela levantou a mão e me deu um tapa.

— Você quer tanto assim me destruir?!

— Eu já devolvi para você o homem que mais amo! Sou apenas uma pessoa comum, pobre! O que mais você quer de mim?!

Ela estava histérica.

Os tapas caíam sobre mim como rajadas de vento.

Não havia como evitar.

Lucas franziu a testa e tentou segurá-la.

— Não foi…

Mas no segundo seguinte, Luna também deu um tapa nele.

— Está com pena dela agora?!

— E eu?! O que foram aqueles três anos em que você brincou comigo?!

Esses três anos eram um assunto proibido para Lucas.

Algo que ele nunca suportava ouvir.

Os olhos dele se encheram de culpa.

Ele segurou a mão dela com força.

— A culpa é toda minha.

— Deixe isso comigo. Eu vou resolver tudo.

Ele a abraçou.

Antes de sair, lançou um olhar para mim.

— Talvez seja bom assim.

— Para você aprender a lição.

— Se voltar a fazer algo assim, vai se humilhar cem, mil vezes mais.

Não houve pedido de desculpas.

Nenhuma explicação.

Nenhuma compensação pelo dano que tinha me causado.

Ele até permitiu que Luna continuasse me ferindo.

Tudo o que restou foi apenas um aviso frio.

Olhei para as costas dele, que se afastavam apressadas.

A dor ardente no meu rosto já tinha se tornado entorpecida.

O sono havia desaparecido completamente.

Troquei de roupa e comecei a arrumar minhas coisas.

Nesse momento, Lucas bateu na porta do meu quarto.

Seu rosto estava impassível.

— Vá preparar uma sopa calmante para ela.

— Ela levou um susto.

Fiquei em silêncio por um momento.

Eu sabia.

Na mente dele, aquilo era o gesto mais gentil que poderia oferecer.

Se fosse antes, eu teria aceitado imediatamente.

Como uma criança que finalmente ganha um doce.

Se ele pedisse uma coisa, eu faria dez.

Mas agora…

Apenas balancei a cabeça.

— Não posso.

— Amanhã tenho coisas para resolver. Preciso descansar.

E fechei a porta.

Depois de um longo silêncio—

BANG!

A porta foi chutada com força.

— Faça ou não faça! — gritou ele do lado de fora.

— Se não quer aceitar quando te dou uma chance, então nem venha implorar depois!

Os passos dele se afastaram pelo corredor.

Dei um sorriso amargo.

— Não haverá depois.

Depois de ser rejeitado por mim, ele saiu de casa levando Luna com ele.

Meia hora depois, a casa se encheu de gente.

Uma empregada de limpeza.

Uma cozinheira.

E até o mordomo.

Eu sabia exatamente o que aquilo significava.

Ele estava me dizendo, de forma indireta—

Que a partir de agora eu nunca mais teria a chance de me aproximar dele através das pequenas coisas que costumava fazer.

Cozinhar para ele.

Preparar sopa.

Lavar suas roupas.

Arrumar a casa.

Nunca mais.

Sorri com resignação.

Mas quando estava prestes a entrar no quarto, o mordomo me chamou.

— Senhorita Helena.

— Esta casa é propriedade do senhor Xavier antes do casamento.

— Vocês ainda não são oficialmente casados.

— Portanto, a senhorita não pode morar aqui por enquanto.

— Por favor, procure outro lugar para ficar.

Parei por um instante.

Senti uma dor surda no peito.

Assenti.

Puxei minha mala e saí.

Lucas sempre foi assim.

Quando algo não saía como ele queria…

Ele sempre encontrava uma forma de fazer você se arrepender.

Mas ainda bem.

A pessoa que iria se casar com ele…

Não era eu.

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