《As coisas mudaram, as pessoas já não são as mesmas》Capítulo 8

Dois anos depois.

Xangai.

O vento frio do final do outono cortava o ar, enquanto uma garoa fina caía do céu.

O jantar empresarial mais prestigiado da indústria havia acabado de terminar.

Eu estava parada diante da luxuosa porta giratória de um hotel cinco estrelas.

Com um xale de veludo sobre os ombros, esperando o motorista trazer o carro.

Abaixo da escadaria, um motorista de aplicativo vestindo uma capa de chuva amarela estava parado com uma velha bicicleta elétrica dobrável.

Seu corpo estava curvado, tão magro que parecia que o vento poderia derrubá-lo.

Ele falava humildemente com o porteiro.

— Amigo, deixa eu passar… meu cliente está no saguão. Eu pego ele e vou embora na hora…

— Cai fora! Essa é a entrada VIP! Motoristas esperam nos fundos!

O porteiro o empurrou com desprezo.

Ele perdeu o equilíbrio e caiu na rua molhada.

A bicicleta caiu sobre sua perna.

Ele soltou um gemido abafado de dor.

O capuz da capa de chuva escorregou de sua cabeça.

Revelando um rosto coberto de rugas.

Sob a luz amarelada do poste, aquela face parecia envelhecida décadas.

Olhei de cima, meu olhar parou por um instante.

Em apenas dois anos…

Gustavo Almeida parecia um homem de cinquenta anos

.

O cabelo antes bem cuidado agora estava quase todo branco e desordenado.

Os olhos que antes escondiam cálculos e falsas ternuras agora estavam turvos, cheios de vasos sanguíneos.

Ele lutava para levantar a bicicleta da perna.

E naquele momento, levantou o rosto.

Seu olhar atravessou a cortina de chuva.

E encontrou o meu.

Eu estava nos degraus, vestindo um vestido de alta-costura verde-escuro.

Um colar de diamantes brilhava intensamente sob as luzes.

No instante em que nossos olhos se encontraram, o corpo dele começou a tremer violentamente.

Como se tivesse sido atingido por um raio.

Ele ficou ajoelhado na poça d’água.

Esqueceu até de tirar a bicicleta de cima da perna.

Seus lábios rachados tremiam desesperadamente.

Um som estranho saía de sua garganta.

Parecia que queria chamar meu nome.

Mas, tomado pela vergonha e pela humilhação,

nenhuma palavra saiu

.

O antigo e arrogante presidente Gustavo…

agora parecia ridiculamente pequeno até para me olhar.

A água da chuva escorria pelas marcas profundas de seu rosto.

Seus olhos se encheram de arrependimento e desespero.

As lágrimas misturadas à água suja caíam pesadamente no chão.

Ele estendeu uma mão suja de lama, como se tentasse agarrar a última ilusão que restava.

Eu apenas o observei em silêncio.

Sem arrogância.

Sem piedade.

— Senhora Alves, o carro chegou.

Um Rolls-Royce alongado parou suavemente diante dos degraus.

O segurança abriu um enorme guarda-chuva preto e abriu a porta do carro com respeito.

Retirei o olhar.

Segurei a barra do vestido e caminhei com tranquilidade até o carro, sobre meus saltos altos.

O som da porta se fechando ecoou na noite chuvosa.

— Vamos.

O motor rugiu.

As rodas passaram pela água acumulada na rua.

E o carro seguiu em direção às luzes brilhantes da cidade.

Pelo retrovisor, o homem de capa de chuva rasgada ainda estava ajoelhado na chuva, batendo no chão em desespero.

Mas eu não olhei para trás.

Porque à minha frente…

havia uma vida infinitamente vasta esperando por mim.

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