《As coisas mudaram, as pessoas já não são as mesmas》Capítulo 7

No quinto dia, ao entardecer,

a chuva caía torrencialmente

.

O segurança me ligou, com a voz um pouco hesitante:

— Senhorita Alves… aquele senhor Almeida está ajoelhado na estrada em frente ao portão da sua casa.

— Ele disse que, se a senhora não o encontrar, vai ficar ajoelhado ali até morrer.

Meu irmão franziu a testa, cheio de desprezo.

— Vou mandar alguém jogá-lo para bem longe.

— Não precisa.

Eu o interrompi e fechei o livro que estava lendo.

— Eu mesma vou.

Algumas contas precisam ser acertadas

cara a cara

.

Peguei um guarda-chuva preto e saí sozinha.

A chuva caía pesada, transformando o mundo em um cenário cinza e turvo.

Gustavo Almeida estava ajoelhado na lama.

O terno caro estava coberto de sujeira e completamente encharcado, colado ao corpo.

Os óculos de aro dourado tinham uma lente quebrada.

O cabelo, antes sempre impecável, agora estava grudado à cabeça de forma desordenada.

Quando me viu sair, os olhos apagados dele

brilharam de repente

.

Ignorando a dor nos joelhos, ele avançou de joelhos pela água em minha direção.

— Isadora! Isadora, você finalmente quis me ver!

Ele estendeu a mão para agarrar a barra do meu vestido.

Mas ao perceber que suas mãos estavam cobertas de lama, encolheu-as de volta, envergonhado.

— Eu mandei Bianca embora! É verdade! Cortei todos os laços com ela!

Ele ergueu o rosto, com lágrimas misturadas à chuva escorrendo pelo rosto.

— Eu não quero mais nada… empresa, dinheiro, reputação… não quero nada disso.

— Eu só quero você… Isadora, vamos começar de novo, por favor?

Eu segurava o guarda-chuva e permanecia nos degraus da entrada, olhando para ele de cima.

Dei um passo para trás, evitando o cheiro azedo que vinha dele.

Então joguei

o acordo de divórcio

na lama diante dele.

— Assine.

— As dívidas do Grupo Almeida são sua responsabilidade. Quanto aos bens do casamento, eu fico apenas com a parte que me pertence. Essa é a última gentileza que você receberá de mim.

Gustavo olhou para o documento no chão, tremendo violentamente.

Ele gritou desesperado:

— Isadora, seis anos de relacionamento… você consegue mesmo acabar com tudo assim?

— Você também me amou! Eu realmente não posso viver sem você!

— Amor?

Soltei uma risada fria.

— Gustavo Almeida, não insulte essa palavra.

— Você nunca amou ninguém além de si mesmo. Você está ajoelhado aqui não porque me ama, mas porque está falido e precisa do dinheiro da família Alves para se salvar.

— Se hoje quem estivesse falida fosse eu… você sequer olharia para mim?

— Provavelmente já teria fugido para bem longe com sua Bianca, não é?

Gustavo abriu a boca.

Mas não conseguiu responder.

Olhei para o relógio e disse friamente:

— Você tem mais

um minuto

.

— Se não assinar, o time jurídico da família Alves vai processá-lo por fraude e bigamia.

— Você terá ainda mais dívidas… e vai acabar na prisão.

— Escolha.

O corpo de Gustavo tremeu.

Ao olhar para meus olhos frios e decididos, ele finalmente entendeu.

A Isadora que antes o olhava com amor

já não existia mais

.

Com mãos trêmulas, ele tirou uma caneta do bolso.

Era o presente que eu havia dado a ele no primeiro ano de casamento.

Ele pegou o acordo na lama.

As mãos tremiam tanto que quase não conseguia segurar a caneta.

No final, assinou seu nome torto no documento.

Cada traço parecia consumir todas as forças de seu corpo.

No momento em que terminou de assinar,

ele desabou na lama, soltando um choro dilacerante.

Peguei o documento, olhei para aquele nome.

Sem qualquer nostalgia.

Fechei o guarda-chuva e me virei em direção ao portão da mansão.

Atrás de mim ecoava o grito desesperado dele:

— Isadora! Eu me arrependo! Eu realmente me arrependo!

O portão se fechou lentamente.

Separando para sempre sua voz… e aqueles seis anos absurdos.

No dia em que recebi o certificado de divórcio,

o céu finalmente estava limpo

.

Ao sair do cartório, não olhei para o homem ao meu lado, completamente perdido.

Caminhei direto até um salão de cabeleireiro na esquina.

O cabelo longo que chegava até a cintura foi cortado com um

clique seco da tesoura

, caindo no chão em mechas espalhadas.

Ao olhar para o espelho, vi uma mulher de cabelo curto até as orelhas, elegante e decidida.

Sorri calmamente.

A Isadora que um dia girava em torno da cozinha e de um homem…

estava morta

.

No dia seguinte, embarquei em um voo para Nova York, assumindo oficialmente a filial internacional da família Alves.

A vida no exterior tinha um ritmo frenético.

Todos os dias eram preenchidos por intermináveis reuniões internacionais e negociações de alto nível.

Minha agenda estava lotada de relatórios e compromissos.

Minha vida se tornou

ocupada, intensa e brilhante

.

De vez em quando, Daniel me ligava do outro lado do oceano e contava as notícias do país como se fossem pequenas fofocas para passar o tempo.

— Gustavo foi expulso completamente pelo conselho. O Grupo Almeida declarou falência.

Do outro lado da linha, meu irmão tomou um gole de café e disse com um tom sarcástico:

— Agora ele tem mais de dez bilhões em dívidas. A mansão, os carros de luxo… tudo foi confiscado pelo tribunal. Nem a casa antiga dos pais dele escapou.

Eu continuava folheando um contrato de aquisição em minhas mãos.

A caneta riscava o papel com um som suave.

— Tem algo ainda mais ridículo.

Daniel soltou uma risada leve.

— Aquela Bianca, vendo que não podia mais tirar dinheiro dele, abandonou o próprio filho de seis anos na porta da casa alugada onde Gustavo estava morando.

— Depois pegou as últimas joias que restavam e desapareceu durante a noite.

— Agora Gustavo não apenas vive escondido dos credores como um rato de esgoto…

— ainda precisa arrastar aquele peso morto com ele.

— O antigo prodígio do mundo dos negócios agora apodrece na lama da sociedade.

Ao ouvir tudo isso, minha mão que assinava o contrato

nem sequer hesitou

.

Assinei o nome

“Isadora Alves”

de forma fluida e fechei o documento.

— Daniel.

Peguei a xícara de café preto sobre a mesa e dei um gole.

Minha voz estava completamente tranquila.

— Não precisa mais me contar coisas sobre esse lixo.

— Certo, não vale a pena estragar o humor.

Meu irmão riu.

— No mês que vem vai ter um grande jantar empresarial no país. Quer voltar representando a filial?

— Sem problemas. Envie a agenda para minha assistente.

Depois de desligar o telefone, caminhei até a janela panorâmica.

Lá embaixo, o Central Park estava coberto de verde.

Ao longe, o trânsito corria incessantemente.

Respirei fundo.

A luz do sol atravessava as nuvens e caía suavemente sobre meu rosto.

Era uma sensação quente e reconfortante.

Que bom.

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