Gustavo começou a balançar a cabeça como um louco.
Segurava a barra do meu vestido com força, os dedos quase brancos.
— Não! Não pode retirar o investimento!
— Isadora, você não pode ser tão cruel!
De repente ele começou a se estapear.
Exatamente como havia feito seis anos atrás, na porta do cartório.
PÁ! PÁ! PÁ!
Cada tapa era dado com toda a força.
Logo sangue apareceu no canto de sua boca.
— Isadora, por favor não vá embora! Sem você eu vou morrer! Eu realmente vou morrer!
— Eu mando aquela mulher e aquele menino para o exterior agora mesmo! Nunca mais vou vê-los!
— Eu posso mandar o menino para um orfanato! Só me perdoa!
Para me reconquistar, ele chegou ao ponto de abandonar o próprio filho que havia criado por seis anos.
Eu olhei para aquela cena com puro desprezo.
Seis anos atrás, ele me enganou com esse mesmo truque.
Agora queria repetir a mesma farsa?
Abaixei-me e sussurrei no ouvido dele:
— Gustavo Almeida, seis anos atrás você me ameaçou com a própria morte… e eu acreditei.
— Agora, se quiser morrer, morra bem longe. Não suje meus olhos.
Levantei-me e puxei com força meu vestido.
Rasgo!
A barra cara do vestido se rasgou.
Mas eu nem sequer olhei para trás.
Meu sogro, vendo aquilo, pegou sua bengala e começou a bater em Gustavo.
— Filho inútil! Vou te matar, seu desgraçado!
Enquanto batia nele, lançava olhares furtivos para mim.
Tentava encenar um drama para salvar a situação.
— Isadora, eu estou dando uma lição nele! Não tome uma decisão tão impulsiva!
Minha mãe soltou uma risada fria.
Segurou minha mão e disse:
— Chega de teatro. A família Almeida inteira é formada por atores. Nossa família não precisa se rebaixar a isso.
— Vamos!
Meu irmão chamou os seguranças.
Eles afastaram Gustavo à força.
Ele foi pressionado contra o chão, gritando desesperado:
— Isadora! Não vá! Isadora!
Protegida por minha mãe e meu irmão, saí da mansão da família Almeida.
Quando a porta do carro de Daniel se fechou…
Todo o barulho ficou do lado de fora.
Olhei pela janela.
A mansão da família Almeida se afastava lentamente.
O lugar que carregou seis anos da minha felicidade desaparecia na escuridão da noite.
Os nervos que eu havia mantido tensos a noite inteira finalmente se romperam.
Cobri o rosto.
As lágrimas escaparam pelos meus dedos.
Não era por Gustavo.
Era pelos seis anos da minha juventude jogados no lixo.
Pelo filho que nunca teve a chance de ver o mundo.
E pela mulher ingênua que um dia acreditou no amor.
Adeus, Gustavo Almeida.
Adeus, passado de Isadora Alves.