Depois de enviar aquela mensagem, virei-me e caminhei em direção ao elevador.
As lágrimas giravam nos meus olhos, mas eu as forcei de volta.
Sentei-me no sofá do saguão do hotel e fiquei esperando em silêncio.
Dez minutos depois, as portas do elevador se abriram.
Gustavo Almeida saiu usando uma camisa azul-escura recém-trocada. Os óculos de aro dourado repousavam sobre o nariz alto, dando-lhe aquele ar elegante e refinado de sempre.
Quem olhasse para ele jamais imaginaria o que havia acabado de acontecer naquele quarto.
Quando me viu, suas pupilas se contraíram por um instante, e seus passos hesitaram por meio segundo.
Mas ele rapidamente recuperou a expressão habitual e caminhou apressado até mim.
— Amor!
Ele se agachou diante de mim com uma expressão cheia de preocupação, segurando minhas mãos frias.
— Por que você veio até aqui? Eu não disse para você descansar em casa?
— Viagem de trabalho já é cansativa… fiquei com medo de você se desgastar demais.
Discretamente, puxei minhas mãos de volta e apontei para o bolo sobre a mesa.
— Hoje é o nosso sexto aniversário de casamento. Queria te fazer uma surpresa.
Gustavo olhou para o bolo, e um lampejo de culpa passou por seus olhos.
— Me desculpa, amor. A culpa é minha por ter que viajar justamente numa data dessas.
— Esse bolo é daquela confeitaria que você mais gosta, não é? Obrigado por se dar ao trabalho.
Nesse momento, o celular dentro do bolso do terno dele começou a vibrar.
Ele o tirou, deu uma rápida olhada na tela e sua expressão mudou levemente.
Logo em seguida, desligou a chamada na minha frente.
— Só um telefonema de spam.
Ele explicou.
Mas seus olhos evitavam encontrar os meus.
Observei aquela culpa estampada em seu rosto e senti apenas um riso frio crescer dentro de mim.
Meu olhar deslizou até a gola da camisa.
Mesmo que ele tivesse abotoado o colarinho até o último botão, quando abaixou a cabeça eu ainda vi claramente uma marca vermelha no pescoço.
Um chupão.
Gustavo percebeu meu olhar.
Instintivamente puxou o colarinho da camisa e se levantou.
— Amor, eu ainda tenho uma reunião internacional muito importante esta tarde.
— Que tal você ir até o café, pedir um leite quente e descansar um pouco? Assim que a reunião terminar, eu desço e te levo para jantar algo especial, tudo bem?
Levantei-me abruptamente e peguei o bolo da mesa.
— Não precisa. Já que você está ocupado, não vou te atrapalhar.
Assim que terminei de falar, virei-me e caminhei em direção à saída do hotel.
Gustavo claramente não esperava aquela reação.
Ele correu atrás de mim e segurou meu braço.
— Isadora, você está chateada porque eu não tenho tempo para ficar com você?
— Não fica assim… esse projeto é realmente muito importante para a empresa…
Enquanto falava, ele inclinou o rosto para tentar beijar minha bochecha e me acalmar.
Quando ele se aproximou, um cheiro suave de creme infantil invadiu meu nariz.
— Não encoste em mim!
Afastei sua mão com força e recuei dois passos.
Gustavo ficou atônito, a mão suspensa no ar.
— Isadora?
Olhei fixamente para ele, segurando o amargor dentro do peito.
— Estou cansada. Quero voltar para casa. Vá cuidar do seu trabalho.
Gustavo olhou para o relógio.
Hesitou por um momento.
Mas no final, escolheu aquela mãe e aquele filho.
— Amor, não fica brava. Quando eu voltar, prometo te compensar direitinho. Aquela pulseira que você gostou… eu já pedi para comprarem.
Depois disso, ele se virou apressadamente e voltou para dentro do hotel.
Observando suas costas cheias de pressa, fiquei parada na calçada, tremendo por inteiro.
Ao lado, duas funcionárias da limpeza conversavam enquanto passavam.
— Ai, o hóspede da suíte presidencial realmente ama a esposa e o filho.
— Pois é. Toda vez que vem, ele pede um berço sem quinas para o bebê, dizendo que tem medo do menino se machucar.
— Eu vi agora há pouco ele descascando camarão para aquela mulher… que homem atencioso, dá até inveja.
Eu finalmente não aguentei mais.
Levantei a mão e joguei o bolo inteiro dentro da lixeira.
Peguei um táxi e fui direto para a estação de trem de alta velocidade.
Durante todo o trajeto, minhas mãos e pés estavam gelados.
Mas minha mente estava estranhamente clara.
Abri uma rede social, ativei a localização da cidade e digitei o nome do hotel.
Depois acrescentei as palavras-chave: “bebê” e “aniversário”.
Logo apareceu um perfil de uma blogueira materna chamado
“Encanto de Mãe”
.
A postagem mais recente havia sido publicada meia hora antes.
Na foto, um homem segurava um menino diante de uma janela panorâmica, olhando a paisagem.
A legenda dizia:
“
O papai finalmente terminou o trabalho e veio comemorar o sexto aniversário do nosso bebê com a gente!
O desejo do nosso pequeno foi que papai e mamãe fiquem juntos para sempre. Te amo, marido~
”
Ao fundo, aparecia claramente aquela mesma suíte presidencial.
Continuei rolando o perfil.
Quanto mais eu descia, mais rápido meus dedos se moviam.
E mais frio meu coração se tornava.
Aquela conta registrava
seis anos inteiros de vida
.
Desde exames de gravidez, o parto, o período de resguardo…
Até os primeiros passos do menino e seu primeiro dia no jardim de infância.
Em cada momento importante, aquele homem — sempre mostrado apenas de costas ou de perfil — estava presente.
Por fim, cheguei à postagem fixada no topo.
Era uma pulseira de diamantes rosas.
A legenda dizia:
“
Alguém insistiu em me dar uma coisa tão extravagante, dizendo que é edição limitada.
Mas como vou segurar o bebê usando isso? Machuca demais a mão. Acabei deixando encostada.
”
Olhei fixamente.
Era exatamente a pulseira de diamantes rosas edição limitada que eu desejava havia muito tempo, mas nunca tive coragem de comprar.
Nos comentários, alguém escreveu:
“Uau, ChuChu, seu marido te ama demais! Que inveja!”
Bianca respondeu:
“
Ele disse que, desde seis anos atrás, decidiu que viveria para sempre comigo e com nosso filho.
”
Grandes lágrimas caíram sobre a tela do celular, turvando minha visão.
Nesse momento, Bianca atualizou o perfil novamente.
O vídeo mostrava o chão coberto de rosas vermelhas.
E sobre a mesa de cabeceira havia uma caixa aberta de preservativos.
A voz suave e provocante de Bianca ecoava no vídeo:
— Amor, o próximo bebê você prefere que seja menino ou menina?
Logo em seguida, ouvi a voz baixa e risonha de Gustavo:
— Desde que seja você quem dê à luz, eu quero qualquer um.
Meu corpo inteiro começou a tremer.
No fim, não consegui mais me conter.
Com os dedos trêmulos, liguei para Gustavo.
O telefone tocou por muito tempo.
Quando estava prestes a desligar automaticamente, ele atendeu.
— Alô? Amor?
A respiração de Gustavo estava um pouco acelerada.
Respirei fundo e tentei controlar o tremor da minha voz.
— Gustavo… se… se eu tivesse um filho… você ficaria feliz?
Do outro lado da linha houve dois segundos de silêncio.
Então ouvi a risada suave de Gustavo.
— Boba. Eu não fiz vasectomia? Como poderíamos ter um filho?
— Além disso, dar à luz dói muito. Eu não suportaria ver você sofrer.
Nesse momento, uma voz feminina suave soou ao fundo:
— Amor… a água já está pronta… vem logo…
A voz era baixa.
Mas na quietude da noite parecia absurdamente clara.
Gustavo também pareceu se assustar e falou apressadamente:
— Amor, o sinal aqui não está muito bom. O que você quer comer hoje à noite? Depois da reunião eu te levo.
Olhei para o exame de gravidez em minha mão e respondi calmamente:
— Não precisa. De repente perdi o apetite.
Do outro lado da linha, ele soltou um suspiro evidente de alívio.
— Então descanse cedo, amor. Eu tenho passado noites em claro por causa desse projeto, estou realmente muito cansado. Quando eu voltar, prometo compensar você.
O telefone desligou.
Escutei o som contínuo da chamada encerrada.
Soltei uma risada amarga.