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《Amar Apenas Para se Tornar Estranhos》Capítulo 1

Capítulo 1

No casamento, eu coloquei o buquê no colo da minha melhor amiga, desejando que ela encontrasse a própria felicidade rapidamente.

Minha amiga congelou o sorriso e me repreendeu:

— Não me amaldiçoe, eu vou dedicar o resto da minha vida à arte, não tenho tempo para olhar para homens.

Mas, em menos de um ano, eu a encontrei completamente nua no escritório do meu marido.

Eu causei um escândalo enorme pela cidade, pendurando faixas em frente à empresa para expor o relacionamento sujo dos dois.

Transformei imagens deles na cama em panfletos e distribuí amplamente.

Fui até a faculdade dela e denunciei, fazendo circular o vídeo íntimo durante a cerimônia de formatura.

Mesmo assim, Henrique Valente ainda a protegeu, permitindo que ela se formasse tranquilamente na escola de artes mais renomada do país.

Fiquei cega de raiva e destruí a exposição individual que Henrique havia organizado para ela.

O resultado? Três anos de prisão e a frase cheia de desprezo de Henrique:

— Você conseguiu perdoar sua mãe quando ela teve um caso com meu pai, por que não consegue me perdoar?

Cinco anos após o divórcio, encontrei Henrique em uma loja de artigos de luxo.

A vendedora estava embalando a gravata que eu havia escolhido para meu ex-marido e, ao vê-lo, a voz se tornou animada:

— Senhor Valente, o terno que sua esposa escolheu para você já está pronto.

O homem assentiu levemente, olhando para a gravata em minhas mãos.

— Pague também a dela.

Recusei educadamente, colocando o dinheiro no balcão.

Ele suspirou, parecendo pesaroso:

— Clara, depois de todos esses anos, você ainda me guarda rancor.

Sorri levemente, sem dizer nada.

Não há tempo para guardar ódio.

Eu já havia superado tudo.

Peguei as sacolas, coloquei-as casualmente na bolsa de tecido cheia de compras e me virei para sair.

O vento do início do outono soprava forte. Quando cheguei ao ponto de ônibus, ele bagunçou meus cabelos, dificultando a visão.

Ao afastar os fios, vi o carro de Henrique parado à minha frente.

Percebendo meus olhos vermelhos, ele franziu a testa.

— Entre no carro, eu te levo.

— Não, obrigada, vou de ônibus.

Ele me avaliou da cabeça aos pés. Ao notar minha bolsa de tecido, perguntou cautelosamente:

— Como você tem passado todos esses anos?

— Bem.

Henrique claramente não acreditou.

— Entre, deixe-me te levar.

O ônibus atrás buzinava sem parar, mas ele permaneceu imóvel.

Diante de todos, acabei entrando no carro.

— Condomínio Paz e Vida — disse casualmente o endereço.

O silêncio tomou conta do carro, até que sua voz saiu áspera:

— Por que você mora em um lugar assim? Aquilo já está abandonado há tempos, e você, sozinha… e…

Ele não conseguiu terminar a frase.

Eu, porém, sabia exatamente o que ele queria dizer.

Aquele era o lugar onde minha mãe morreu. Exatamente dez anos atrás, naquele dia, ela se recusou a comparecer ao meu casamento com Henrique.

Ela se jogou do terraço do décimo andar.

O banco de trás era espaçoso, mas o aquecimento estava alto demais, então abaixei um pouco a janela.

— Você sempre pega um resfriado quando sente vento, quer que eu feche de novo? Se estiver calor, posso diminuir a temperatura.

Sorri, balançando a cabeça:

— Já não sinto mais frio, faça o que quiser.

Ele não falou mais nada. Alguns instantes depois, o celular dele tocou.

— Amor, você pegou as roupas? Onde está agora?

A voz no carro era familiar, mas com uma doçura e provocação que me soava estranha.

— Peguei sim, acabei de encontrar a Clara, vou levá-la.

Houve um breve silêncio do outro lado da linha.

— Clara voltou? Faz tanto tempo… Por que não disse antes? Se vamos nos reunir, por que não me chamou?

Conheço Sofia Mendes há mais de dez anos, e nunca a ouvi falar assim.

Antes, ela era reservada e dedicada à pintura. Quando alguém roubava seu lugar em concursos, apenas se escondia e chorava.

Foi só quando eu peguei um bastão de beisebol e destruí publicamente a obra do outro, denunciando fraudes no concurso e passando três dias na delegacia juvenil, que consegui justiça para ela.

De fato, um amor absoluto pode moldar alguém.

— Foi apenas um encontro por acaso. Ela tinha um compromisso, depois que a deixei, volto.

— Um encontro por acaso significa que temos destino, por que não sair para jantar, amiga antiga?

— Sofia, chega.

Houve silêncio do outro lado.

Henrique sempre era gentil ao acalmar, mas ninguém podia impedir suas decisões.

Sofia certamente sabia disso melhor que eu.

Quando a ligação foi abruptamente cortada, o carro parou em frente ao condomínio.

— Obrigada.

Agradeci educadamente e desci.

O homem recolheu o olhar ao redor e me chamou.

Capítulo 2

— Clara, posso perguntar… essa gravata é para quem?

— Para meu marido.

O homem apoiou a mão na testa e sorriu amargamente, como se achasse que eu ainda estivesse provocando-o.

— Mesma marca, mesmo modelo… você também costumava me dar essas gravatas há cinco anos.

— E daí?

Nos encaramos, meu olhar tranquilo, sem ondas nem tempestades.

— Na verdade, você não precisa fingir diante de mim. Depois de todos esses anos, só quero que você esteja bem… não como está agora.

Como estou agora?

O reflexo no vidro do portão do condomínio mostrava minha sombra: roupas casuais, sapatos baixos comuns e a bolsa de tecido cheia de compras.

Parecia apenas alguém lutando pela própria sobrevivência.

Mas, para mim, que estava acostumada a vestidos luxuosos e joias, esse visual não era ruim.

Sorri, sem raiva.

— Está ótimo assim.

O rosto dele relaxou por um instante.

— Clara… você realmente mudou, não é mais a mesma de antes.

— Sim, muitas pessoas dizem isso.

Dito isso, me virei e fui embora, sem olhar para trás.

Subi cinco andares pelas escadas e abri a porta de casa.

A decoração estava praticamente igual ao ano passado.

Ao lado da velha televisão, a fotografia da minha mãe. A vela em frente a ela já estava apagada.

Com destreza, acendi uma nova vela, coloquei o avental e fui para a cozinha.

Preparei rapidamente três pratos e uma sopa. Na mesa, havia uma tigela de arroz que ninguém tocava; eu mesma comia devagar.

— Mãe, encontrei Henrique Valente.

— Não se preocupe em ficar brava. Ele não pode mais te machucar, e eu não sou mais a mesma de antes.

O único retorno foi o silêncio profundo.

Sem apetite, larguei os talheres e fui para o quarto. Peguei um velho álbum de fotos.

— Olha só a beleza da mamãe naquela época… ver só fotos em preto e branco é sem graça.

Antes mesmo de abrir o álbum, uma foto caiu no chão.

Ao me abaixar para pegar, reconheci os rostos.

Henrique Valente, Sofia Mendes e eu.

Três rostos cheios de juventude sorrindo livremente para a câmera.

Eu estava no meio, segurando os braços dos dois, sorrindo mais que todos — e meu dente da frente do lado direito faltava, dando um ar um pouco desajeitado.

Era o verão quando eu tinha 13 anos.

Cobranças de dívidas chegaram à casa de Henrique, gritando e ameaçando.

Nenhum vizinho ousou ajudar, nem mesmo meus pais.

Mas eu avancei.

O soco que deveria atingir o rosto de Henrique acertou o meu.

Meu dente quebrou na hora, e meu rosto ficou inchado por mais de duas semanas.

Minha mãe ficou com pena e me pediu para não me envolver com a família Valente.

Mas não esperava que a mãe de Henrique, arrastando as pernas com dificuldade, se ajoelhasse diante dos meus pais, agradecendo incessantemente.

Então minha mãe amoleceu.

Durante quase dez anos, sempre havia um par de talheres extra para Henrique na mesa da minha família, roupas novas nos feriados também incluíam um modelo masculino para ele.

Quando minha mãe não estava ocupada, ajudava a mãe de Henrique com a barraca; se alguém ameaçasse, ela não hesitava em enfrentar.

Mas ninguém esperava que a irmã mais nova, sempre tímida e insegura, fosse subir para a cama do marido da irmã.

Quando voltei para casa, tudo estava destruído.

Minha mãe chorava no meio da sala, marcas de dedos visíveis no rosto. Meu pai protegia a mãe de Henrique nos braços com firmeza.

— Vamos nos divorciar. Tudo será seu. Eu só quero a Mariana.

Ao meu lado, Henrique entrou em pânico e tentou segurar a mão de Mariana.

Mas levou dois tapas da minha mãe.

Eu a empurrei. Ela caiu no chão, olhando para mim incrédula.

Capítulo 3

Naquele momento, eu também chorei, mas minhas palavras eram afiadas.

— Mãe, como você pôde bater no Henrique?

As memórias estavam confusas, fixadas na pequena foto em minhas mãos.

Após me divorciar de Henrique, queimei tudo que lembrava ele… e ainda assim, algumas coisas haviam escapado.

Quando me preparava para jogar a foto no lixo, ouvi batidas na porta.

Pensei que fosse a tia Marta, que costumava aparecer todo ano nessa época.

Mas quem estava ali era Sofia Mendes, de mãos dadas com Henrique.

Ela sorria radiante:

— Clara, quanto tempo! Você não mudou nada depois de todos esses anos.

— Henrique não conseguiu resistir, então viemos de surpresa. Espero que não atrapalhemos.

Olhei calmamente para os dois.

— Não pretendo convidá-los a entrar. O que querem?

Sofia bateu no “alvo” com frustração, olhando para Henrique com um pouco de pena.

— Ela só queria te ver e trouxe um presente, não tem outra intenção.

Henrique colocou o presente no aparador da entrada.

Sofia começou a explicar com entusiasmo:

— Esse creme facial é meu favorito, e acabei de ganhar um novo. Lembrei de você, já que costumávamos compartilhar nossos produtos.

Olhei para baixo, parecia o mesmo que minha empregada usava.

— E essa foto…

Os olhos de Sofia ficaram úmidos:

— Clara, você ainda não superou, não é?

Eu amassei a foto e joguei no lixo:

— Não tanto assim.

Ela parecia querer segurar minha mão, mas parou no ar.

— Sei que ainda guarda ressentimentos. Se você ainda estivesse com Henrique, hoje seria seu aniversário de casamento.

— Naquela época, eu não tinha escolha. Se realmente não se importa, aceite nosso convite para jantar. Se precisar de ajuda, conte conosco, somos velhos amigos.

Quase sem pensar, me preparei para recusar.

A vela diante do altar crepitou.

Sorri levemente e mudei de ideia:

— Está bem.

Sofia falava mais que antes, fazendo pequenos gestos constantes.

Falou da viagem romântica à Turquia, enquanto aplicava batom nos lábios de Henrique no semáforo.

— Todo outono e inverno você precisa que eu te lembre… da última vez, você beijou com tanta força que sangrou, não aprende, né?

Henrique agarrou a mão dela, já aborrecido:

— Para.

— Ai, quase esqueci da Clara! Você não se importa, né? Henrique e eu estamos acostumados…

Interrompi de forma gentil:

— Claro que não.

— Já vi vocês na cama, então isso aqui é só um pequeno detalhe.

O carro mergulhou no silêncio, e finalmente, tudo ficou calmo.

Olhei pela janela e pensei: se minha mãe estivesse viva, ficaria surpresa com a mudança.

Na época, meu pai insistiu no divórcio por causa de Mariana, quase a enlouquecendo.

E eu, secretamente casada com Henrique, havia tirado a vida de minha mãe.

No início, só odiava meu pai e Mariana.

Eles traíram minha mãe, transformando-a de uma mulher imbatível em alguém que se irritava com pequenos problemas.

O tempo parecia passar com força sobre ela, levando aos poucos sua vitalidade.

Capítulo 4

Depois disso, comecei a me odiar.

Após organizar o funeral da minha mãe, em pleno período em que deveria estar em lua de mel, viajei sozinha para o sul e fiquei lá por um mês.

Naquele tempo, fui a única coisa que não guardei rancor: Henrique Valente.

Ele era uma pérola encoberta de poeira, uma criança de destino cruel, mas impotente diante da vida.

Antes de partir, pedi a Sofia Mendes que cuidasse dele.

Ela cuidou muito bem. Na nossa casa nova, cozinhava com movimentos ágeis e precisos, e os pratos ficavam visualmente impecáveis — três pratos e uma sopa.

Agradeci sinceramente a ela.

Naquele ano, nosso relacionamento a três tornou-se ainda mais próximo do que antes.

Henrique se tornou cada vez mais atencioso comigo.

O primeiro dinheiro que ganhou na empresa, gastou-o todo comprando a pulseira de pedras preciosas que eu adorava.

No meu aniversário, ele fez fogos de artifício em toda a cidade para celebrar.

Durante os dias do meu ciclo menstrual, ele cancelava todas as reuniões presenciais e ficava em casa comigo, trabalhando lado a lado.

Nunca duvidei.

Ele me amava profundamente.

Até que, por acaso, fui sozinha ao escritório dele.

A porta secreta entreaberta revelou gemidos delicados e incontroláveis.

Abri a porta.

Duas figuras brancas e nuas, como facas cravadas nos meus olhos.

Não consegui conter um grito estridente.

Henrique protegeu a mulher em seus braços com movimentos rápidos e decididos.

— Quem te deixou entrar aqui?!

— Sai daqui!

Desesperada, peguei tudo que estava ao meu alcance e joguei sobre eles.

O sangue escorria da testa de Henrique, mas ele ainda segurava firme a mulher em seus braços.

Destrui tudo no quarto.

Mas não consegui me aproximar deles…

Aqueles eram os dois que mais amei na vida.

O medo penetrava meus ossos, e eu tremia tentando manter a calma.

— Sofia… olhe para mim.

Ela chorava, o rosto inchado, ajoelhada dentro do cobertor que a envolvia.

— Clara… me desculpe.

— Eu e Henrique não deveríamos… mas já não conseguimos controlar nosso amor.

— Por favor, me permita, nos ajude a ficar juntos.

Sua postura humilde lembrava o primeiro encontro, quando ela fora cercada por algumas garotas na entrada do beco.

Foi naquele mesmo ano, para protegê-la, que eu, como aluna exemplar, acabei me metendo com aquele grupo e fiquei semanas sem coragem de usar os atalhos.

Eu já lhe entregara o buquê do casamento pessoalmente, desejando que encontrasse a própria felicidade.

E agora ela estava nos braços do meu marido, pedindo que eu a ajudasse.

As lágrimas escorreram, minha voz quase inaudível:

— Quando começou?

Ela tremia, incapaz de responder.

Mas alguém respondeu por ela.

— Isso importa? Já acabou essa cena? Aqui é a empresa, não sua casa.

— Isso não importa?! Henrique! Isso não importa?!

Perguntei histérica.

Ele, nu, olhou-me com serenidade.

— Está bem! Vou te contar!

— Em março do ano passado, quando você foi sozinha para o sul, nós já estávamos juntos.

— Não escondi de você de propósito. Você acabara de perder sua mãe, e eu não queria te machucar mais. Mantive o casamento pelo seu bem.

— Sofia já sofreu muito. Eu não queria vê-la preocupada por minha causa. Planejava te contar sobre o divórcio após o aniversário de falecimento da sua mãe.

— Já que você descobriu, então vamos ser sinceros.

— Divorcie-se. Você quer o que quiser. Eu só quero Sofia.

Só naquele momento compreendi de fato.

A força do empurrão que dei em minha mãe, apoiando Henrique, não tinha medida.

Antes de me divorciar de Henrique, ainda causei um grande escândalo.

Capítulo 5

Usei o celular para fotografar a cena deles na cama, transformei em inúmeros panfletos com textos e enviei a todos os funcionários da empresa.

As faixas denunciando o relacionamento deles se multiplicavam em frente ao prédio.

Fui à faculdade denunciar Sofia Mendes por comportamento indecente.

O fórum da escola de artes dela estava cheio de comentários constrangedores.

Durante a formatura, contratei alguém para exibir, na tela gigante, vídeos nossos juntos, rindo e felizes.

As memórias que eu antes considerava tesouros se tornaram armas para atacar eles.

Mesmo assim, Henrique ainda a protegeu.

Ela se formou na escola de artes mais renomada do país.

E estava prestes a abrir sua própria exposição.

Para proteger Sofia, Henrique finalmente olhou para mim de frente:

— O sonho de Sofia está prestes a se realizar. Nosso rancor não tem nada a ver com isso. Não atrapalhe.

Eu estava cega de raiva.

— Atrapalhar? Eu estou pronta. Os visitantes da exposição vão adorar ver essas “obras-primas”.

De repente, um documento foi jogado diante de mim.

— Se quer preservar a última paz da sua mãe, assine o acordo de divórcio e mantenha distância de mim e de Sofia.

Quando minha mãe foi enterrada, devido à minha dor intensa, quem cuidou de tudo foi Henrique — escolha do túmulo, compra do terreno… tudo.

Devido à escassez de espaço, até os túmulos começaram a ser revendidos.

Se Henrique assinasse aquele documento, minha mãe jamais descansaria em paz.

Joguei café no rosto dele.

Naquela noite, chorei no túmulo da minha mãe até dormir.

No dia seguinte, ainda fui ao cartório.

A situação não era como imaginei — Henrique só me cedeu uma velha casa de família.

— Quando você denunciou problemas fiscais da empresa, grande parte do dinheiro foi congelada. Isso é tudo que posso dar a você.

— Se não fosse pelo pedido de Sofia, você não teria nada.

Nunca pude vencer Henrique. Sempre foi assim.

Ele, calmo e estratégico, usava planejamento e poder para alcançar objetivos.

Eu, impulsiva, agia antes de pensar, prejudicando-me tanto quanto aos outros.

Segui a sua vontade e permaneci quieta.

Vendi a casa e, antes de ir para o sul, fui à exposição de Sofia Mendes.

Decisão de última hora.

No centro da cidade, um grande projetor mostrava o rosto delicado dela. A exposição chamava-se “Chave da Alma”.

Era uma palavra que frequentava nossas cartas na adolescência.

Esperança pura, sonhos de menina, amizade sincera.

Com um último resquício de nostalgia quase auto-destrutiva, entrei na exposição, parecendo um rato espiando a felicidade alheia.

Até que vi a obra intitulada “Chave da Alma”.

Eram dois corpos nus.

A marca no ombro do homem, que eu havia tocado milhares de vezes.

O travesseiro amassado pela mão da mulher, o fundo era a cama com lençol lilás claro, e pela janela, flores de magnólia em plena floração.

Eu mesma havia escolhido essas flores no mercado de plantas.

Era a minha casa.

E também o lugar onde Sofia e Henrique tiveram sua primeira relação.

O coração dela, a chave dele.

Uma onda de náusea me invadiu.

Vomitei no chão, chamando a atenção do casal que recebia convidados ali perto.

A voz suave e delicada deles ainda chegava aos meus ouvidos.

Capítulo 6

— Senhora, você está bem?

O broche em forma de coração no peito dela brilhava tanto que me deixou tonta, combinando perfeitamente com o modelo de chave nos abotoaduras do homem.

Segurei aquele broche com força, arranhando a parede da pintura.

Rasgo!

O som do tecido rasgando ecoou pelo salão, e todos ao redor engoliram em seco.

O caos se espalhou; fui contida pelos seguranças, com o rosto colado ao chão frio.

O homem segurava a mulher chorando e encarava-me como quem olha para um rato no esgoto.

— Chame a polícia — disse ele.

Eu ri. Quanto mais ria, mais alto ficava, assustando todos ao redor.

Como o valor do dano ultrapassava dez mil reais, fui condenada a três anos de prisão, além de ter que indenizar por danos materiais e morais.

No cárcere, várias vezes tentei me matar, mas de alguma forma sempre sobrevivi.

Um ano depois, devido ao bom comportamento, fui libertada, sem possuir praticamente nada.

Mas minha mente estava mais leve.

Quando o carro chegou ao destino, Sofia Mendes foi ao banheiro retocar a maquiagem.

Henrique Valente ficou ao meu lado, pedindo desculpas com voz baixa:

— Desculpe.

— Naquele tempo, realmente estávamos errados. Na próxima, vou falar com a Sofia para ela ter mais cuidado.

Levantei uma sobrancelha; o Henrique de antes jamais se curvaria diante de mim.

Agora, porém, ele pedia desculpas de imediato.

Olhei para ele sem entender.

— Não precisa. Vocês são casados, só que eu acabei lembrando daquela situação. Nada mais.

Nos olhos do homem, um instante de tristeza passou.

Não tentei interpretar.

Felizmente, Sofia voltou, parecendo ter esquecido tudo que aconteceu no carro.

— Antigamente nós três adorávamos juntar dinheiro para comer um hotpot, hoje vamos nos esbaldar!

O homem não parecia muito animado.

— Antigamente, Clara comia hotpot por nossa causa, seu estômago era sensível, não podia muito picante. Você já esqueceu disso?

— Está tudo bem, meu estômago agora está ótimo.

Graças aos anos de cuidados, meu corpo e mente estavam na melhor forma.

De repente, meu celular tocou. Na tela, em letras grandes: “Marido”.

Atendi.

— Amor, levar o pequeno para a TV cansa mais do que eu trabalhar dez dias seguidos. Quando você voltar, vai achar que emagreci.

Ao fundo, a voz infantil do menino:

— Mãe! Hoje papai foi abordado por uma senhora, conversaram animados…

— Garoto, está armando cilada para mim, né? Aquela era a apresentadora!

Sorri ao ouvir a confusão do outro lado.

Olhei para a grande tela do shopping; a imagem do Henrique bonito e impecável enquanto era entrevistado apareceu.

Ao lado, o pequeno menino olhava curioso, a boneca Jade sorria com suas bochechas rosadas.

Depois de alguns minutos, desliguei e tirei uma foto da tela.

Quando enviei, percebi que os dois pararam.

— Clara, você se casou? — perguntou Sofia, incrédula.

Guardei o celular e assenti.

— Quem é ele? É da cidade? Se vocês estiverem passando necessidade, Henrique e eu podemos ajudar.

Antes que eu pudesse recusar, Henrique interrompeu com voz firme:

— Basta, Sofia. Hoje você está realmente sem limites.

— Clara, se você se casou, por que mora sozinha naquela comunidade velha? Vi agora, não há nem um par de chinelos masculinos no armário.

Capítulo 7

— Não sei quem ele é, mas se realmente é seu marido, acho que não está à altura.

Fiquei sem entender. Aquela casa era apenas para homenagear minha mãe.

Todo ano, nesta época, eu vinha ao velho lar preparar uma refeição.

Anos atrás, quando enfrentávamos risco de desapropriação, meu marido trocou outro terreno de valor incalculável para garantir esta casa.

Não havia sapatos dele no armário, mas o terreno inteiro era um presente dele para mim.

Se ele era “à altura”, Henrique Valente não decidia.

— Por que se empolgar tanto? Você está chateada por ver Clara casada? Quem sabe ela já tenha filhos… — disse Sofia, forçando um sorriso.

O homem, porém, manteve a expressão séria, deixando claro que não daria espaço para ela.

— Sofia Mendes, se não quiser jantar, pode ir embora.

Sofia ficou com o rosto fechado, mas não falou mais nada.

O jantar provavelmente não foi muito agradável para eles.

Eu, porém, estava satisfeita.

No final, Henrique tirou um cartão e colocou na minha frente.

— Há algum dinheiro aqui, use à vontade. Não precisa devolver. Se não for suficiente, depositarei regularmente.

Olhei o cartão dourado, intrigada.

— Por que me dar dinheiro de repente?

— Aquilo que aconteceu, eu já deveria ter compensado.

Fiquei surpresa com a consciência tardia dele, mas sorri por dentro.

Na época do divórcio, ele me dispensou como se fosse uma mendiga, certo de que eu não poderia fazer nada.

Agora, com nossas vidas separadas, de repente me dá dinheiro.

Será que ele tinha certeza de que eu não recusaria?

Brinquei com o cartão e mudei de assunto:

— Se quer mesmo se redimir, vá com sua mãe ao túmulo da minha e façam cem reverências.

— Talvez eu acredite que ainda há um pouco de sinceridade aí.

Ele franziu a testa e ficou em silêncio.

Não esperava que realmente aceitasse.

Joguei o cartão sobre a mesa e me levantei com minha bolsa.

De repente, ele segurou meu pulso.

— Pegue o dinheiro.

— Pense que é para o seu próprio bem.

Puxei minha mão lentamente e firme.

— Henrique Valente, você está extrapolando.

Ele, com os olhos vermelhos:

— Então deixe-me levá-la de volta.

Neguei com a cabeça: — Meu marido virá me buscar, não se preocupe.

Sorri educadamente: — Obrigada pelo jantar. Comi muito bem.

O “drama” estava completo.

Henrique Valente nunca foi impulsivo e nunca agiu cegamente por amor.

Não senti que sua preocupação era por ainda ter sentimentos. Apenas seu jeito…

Sofia, como eu suspeitava, não era tão feliz assim.

Fui ao banheiro, e ao retornar à rua para esperar, ouvi a discussão deles na viela atrás:

— Por que quer que eu fique quieta? Quer que eu veja meu próprio marido se preocupar com outra mulher? Você tem coração?

— Desde que a viu, está distraído. Ao saber que ela tem marido, quase arrancou a própria carne de tanto se culpar. Você acha que sou cega?

— Aquele cartão é seu secundário.

Sua mãe pediu da última vez e você não deu, hoje deu na minha frente!

— Henrique Valente, eu sou o que para você?!

Um tapa ressoou, e os gritos da mulher cessaram imediatamente.

Capítulo 8

A voz de Henrique soou severa:

— Vocês eram amigas. Você tomou o lugar da senhora Valente, usufruiu de riqueza e prestígio, e agora vê como ela está… não sente nada?

— Um pouco de dinheiro e você não aguenta. Imagine quando ela soubesse toda a verdade!

— Não há mais possibilidade entre nós. Por que não a deixa em paz?

O soluço da mulher ecoava, fragmentado.

Eu observava com certa indiferença.

Até que uma limusine preta familiar parou à frente.

Antes que o motorista abrisse a porta, um menino fofo desceu correndo e se jogou nos meus braços, gritando:

— Mamãe!

— Mamãe, você viu o Bubu na TV? Ele foi comportado?

Acariciei seu narizinho, sorrindo:

— Sim, Bubu é incrível.

Uma grande mão o tirou do meu colo, e o rosto bonito do homem que eu tinha visto na TV apareceu, com expressão um pouco irritada:

— Cresceu, mas ainda quer que a mamãe carregue. Sabia que está pesando e cansando ela?

— Papai, você também quer que a mamãe carregue, seu bobo!

Sorri ao vê-los discutir, pronta para entrar no carro.

De repente, a voz incrédula de Henrique soou:

— Clara, quem é ele?

Virei-me e apresentei educadamente:

— Este é meu marido, Lucas Monteiro.

Henrique ficou sem reação por um tempo, incrédulo.

— O senhor Lucas? Ele voltou ao país recentemente, impossível que você esteja casada.

— Clara, há limites para suas mentiras.

Realmente. A família Monteiro sempre foi discreta. Nosso casamento foi no exterior, discreto e bonito, poucos sabiam.

Lucas estendeu a mão para segurar a minha.

— Estes dois são o Sr. e a Sra. Valente?

— Já ouvi minha esposa falar de vocês, prazer em conhecer.

A frase era irônica; Henrique empalideceu.

Ele ficou paralisado, os olhos fixos em nossas mãos entrelaçadas.

Sofia, ao lado, nem lembrou de limpar as lágrimas, olhando atônita enquanto íamos embora.

Na mansão Monteiro, após colocar o menino para dormir, Lucas me seguia passo a passo, como um cão grande e preguiçoso.

Ri e segurei seu rosto:

— O que houve? Só jantamos com eles, éramos apenas três.

— Eu sei… a empregada descobriu isso.

Ele segurava o conjunto de produtos de skincare.

Só então percebi que esquecera deles.

— Bem, se me deram, por que não aceitar? Vou dar para a tia Mina.

— Além disso, eu também trouxe um presente para você.

Peguei a gravata que estava ao lado e comparei no corpo dele.

— Sim, combina.

Os olhos dele brilharam novamente, tentando não admitir que havia se estressado com a situação.

Encostou a cabeça na minha nuca e inalou fundo:

— Amor, esta noite eu te ajudo no banho, vou lavar bem, quase pegou coisa suja…

Pensei que após aquele dia, Henrique Valente e eu não teríamos mais qualquer ligação.

Mas uma semana depois, a empregada do condomínio ligou, aflita:

— Senhora, vim limpar hoje e encontrei um monte de bitucas de cigarro na porta…

Capítulo 9

— O corredor estava cheio de cheiro de fumaça e bebida, quase me deixou tonta.

— Dentro de casa, não parecia ter passado ninguém.

— Mas o senhor Zhang, lá embaixo, disse que ouviu sons estranhos nos últimos dias. Será que são ladrões de plantão…?

Franzi a testa. Embora o condomínio estivesse antigo, desde que Lucas Monteiro comprou, tudo vinha sendo bem mantido. Estranhos apareciam muito raramente.

E quem vem roubar não fica parado na porta sem fazer nada.

Pedi para instalar uma câmera olho-de-gato na porta.

No dia seguinte, nas imagens, vi Henrique Valente com a barba por fazer.

Ele claramente tinha bebido, apoiava-se na parede, fumando um cigarro atrás do outro.

Quando ia ligar para a empregada para chamar a polícia, a câmera captou uma presença inesperada: Sofia Mendes também estava lá.

Ela chorava tanto que os olhos estavam inchados e vermelhos.

— Quando você pretende voltar para casa?

— Agora você é a Sra. Monteiro, não preciso da sua preocupação. Por que vir aqui se humilhar?

— Eu sou sua esposa! Nestes dias, você me olhou alguma vez? 

Henrique, lembra das promessas que fez para mim? Eram todas falsas?

Henrique, que permanecera em silêncio, explodiu de repente.

Ele segurou o pescoço dela com força, os olhos vermelhos de raiva.

— Você ainda ousa falar do passado na minha frente?

— Se não fosse por você, como eu teria traído Clara, machucado-a repetidamente?

— Naquela noite, você vestiu a camisola dela de propósito para me seduzir. Achou que eu não percebi?

Sofia estava com o rosto roxo, tentando se defender:

— Foi você quem me fez vestir!

Henrique apertou ainda mais, a loucura em seus olhos evidente.

Com medo de algo pior, liguei para o segurança do condomínio, pedindo que Henrique fosse colocado na lista negra.

Pensei que tudo terminaria aí.

Mas alguns dias depois, a caminho da escola com Bubu, encontrei Mariana.

Ela era irreconhecível: vestia roupas luxuosas, a cadeira de rodas tinha tecnologia de ponta, o rosto liso demais, quase rígido.

Era resultado de procedimentos estéticos em excesso.

Ela me olhou de cima a baixo, calculista.

— Clara, sou a tia Mariana. Ainda se lembra de mim?

Não tinha paciência; ordenei ao motorista que seguisse.

Mas antes que pudesse sair, ela gritou:

— Foi você quem mandou Henrique me fazer fazer reverências no túmulo da sua mãe, não foi?

Fiquei surpresa; Henrique realmente mencionara isso.

Ao ver minha reação, ela ficou ainda mais furiosa:

— O que você quer? Agora que estamos bem-sucedidos, quer uma fatia do Valente? E ainda o encorajou a me mandar fazer reverências!

— Naquele tempo, foi seu pai quem me obrigou a ficar com ele. Eu, fraca, só podia me agarrar ao único recurso que tinha. Não tenho minhas razões?

— Você se casou com Henrique e eu aceitei por respeito à sua mãe. Mas você nunca me deu chá de cortesia! Naquele momento soube que não era fácil de lidar!

— Você e sua mãe são iguais, hipócritas. Ela dizia se preocupar comigo, mas no dia, me jogou coisas na cabeça. Tudo que aconteceu foi consequência de suas próprias ações!

Capítulo 10

Após tantos anos, pensei que nada mais me abalaria.

Mas ver aquela mulher deformada pelo ódio despertou minha raiva.

Fiz um sinal para o motorista dentro do carro.

Um homem forte saiu rapidamente, posicionando-se diante dela como se estivesse pronto para tudo.

— O que vocês querem?

Sorri calmamente:

— Mariana, você era mais agradável quando falava pouco. Se meu pai não tivesse morrido cedo, talvez ainda encontrasse alguém para você.

Ela quis retrucar, mas ordenei em voz baixa:

— Bata.

O braço do motorista se moveu com força.

Mariana ficou atônita, o rosto inchando gradualmente.

Quando reagiu, o motorista calmamente tirou um cartão do bolso:

— Senhora, se desejar processar, este é o nosso contato. Nosso advogado falará diretamente com você.

Ela ficou furiosa, a raiva evidente.

— Mamãe, quem é essa senhora estranha? — a vozinha de Bubu soou.

Mariana olhou para ele, surpresa, mas logo seus olhos ficaram venenosos, como uma serpente à espreita.

 

Nenhuma mãe suportaria tal olhar.

Mandamos o carro seguir.

Mas naquela tarde, recebi uma ligação da delegacia.

Fiquei tensa, mas Lucas Monteiro me acalmou enquanto dirigia em alta velocidade.

Quando vi Bubu seguro e intacto, quase chorei.

— Mamãe, não chore. Bubu não se machucou e a policial elogiou minha coragem!

Olhei para Mariana, algemada pela polícia, ainda gritando:

— Eu não sou sequestradora! Só queria levar o menino para fazer reverências à avó! Isso é errado?

— Sabem com quem estão lidando?

— Me soltem ou pagarão caro!

Lucas ficou sério ao entender a situação.

Henrique chegou, acompanhado do advogado da família Monteiro.

— Henrique, ajuda a tirar isso! Vocês viram como eles me trataram?

Mariana não esperava apanhar duas vezes em um dia. Aos quase 60 anos, parecia murchar, com lágrimas nos olhos.

 

— Mãe, no passado, fechei os olhos para o que você fez com o tio Lin. A mãe de Clara foi forçada à morte, e você ainda mexeu comigo…

— Agora você ousa mexer com o filho dela? Vai precisar me matar para se satisfazer?!

Mariana soluçava.

— Só queria dar um susto… — começou.

Lucas cortou friamente:

— Sr. Valente, não permitiremos ameaças à minha esposa e filho.

Henrique estava zangado, Mariana ainda gritava:

— Quem é você? Acabou a lei? Vai me matar?

— Se matar fosse permitido, você não estaria aqui intacta.

Mariana parecia sem palavras, abatida.

Entreguei Bubu aos seguranças e assistentes e fui embora.

Quando voltei, vi Sofia chegando, tentando confortar Mariana:

— Mãe, Henrique não a ignora, você é a única mãe dele e avó do menino.

 

Capítulo 11

— Filho? — os olhos de Mariana brilharam. — Sofia, você… está grávida?

— Sim, descobri hoje de manhã, ainda não contei a vocês — disse Sofia, com timidez, mas uma ponta de tristeza nos olhos voltada para Henrique.

A senhora, antes abatida, parecia energizada.

— Henrique, ouviu? Sofia está grávida!

O homem parou, mas continuou lidando com a polícia, impassível.

— Henrique! Ouviu? Você vai ser pai! — Mariana estava ansiosa.

— Senhora, aqui é a delegacia, fale mais baixo — alertou alguém.

Sofia segurou as lágrimas, mas manteve a calma:

— Mãe, vamos conversar depois. Primeiro, Henrique resolve isso.

— Não há mais o que resolver — Henrique levantou-se, encarando-as. 

— Clara passou um ano e meio na prisão por causa de vocês dois.

— Tudo tem consequências.

Não vou mais arriscar o futuro da família Valente. Mãe, cuide-se.

Mariana parecia que o céu tinha caído sobre ela.

Entre gritos e lamentações femininas, Lucas segurou minha mão e entramos no carro.

Antes de arrancar, Henrique apareceu ao lado da janela.

Lucas me protegeu imediatamente, colocando-se à minha frente.

— Está tudo bem — acalmei-o com o olhar.

Henrique, com os olhos vermelhos:

— Clara…

— Minha mãe era uma mulher simples do campo, peço desculpas pelo que fez.

— Sigam o caminho legal, façam o que acharem certo, não vou impedir.

— Decidi, todos que já me machucaram, não vou perdoar.

— Amanhã vou me divorciar de Sofia, e aquela criança não nascerá.

Franzi a testa:

— Seus assuntos familiares não me interessam. Além disso, você também já me feriu.

Ele derramou lágrimas, esboçando um sorriso amargo:

— Sei, por isso me castro assim.

— Ver você bem me deixa feliz.

Lucas zombou:

— Então o Sr. Valente mudou sua imagem? De vilão para herói arrependido?

— Ninguém se importa com sua opinião.

— E enquanto eu estiver aqui, minha esposa não olhará outro homem.

Sorri levemente, encerrando a conversa:

— Henrique, já somos estranhos.

Fechei o vidro do carro, e seguimos pela estrada.

Bubu, deitado no colo de Lucas, perguntou com a vozinha:

— Mamãe, por que aquele tio estava chorando?

Segurei sua mãozinha, sorrindo:

— Porque a cabeça dele está cheia de água… e transbordou.

Lucas riu baixinho ao meu lado.

Sua mão grande e quente envolveu a minha.

Era a sensação de segurança e felicidade.

(Fim)

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